POLÍTICA
01/01/2019 04:00 -02 | Atualizado 11/01/2019 08:10 -02

Posse de Bolsonaro terá líderes estrangeiros de direita e esquerda

Itamaraty confirma vinda de 11 chefes de Estado ou de governo ao Brasil, além de vice-presidentes e chanceleres.

LEO CORREA/AFP/Getty Images
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é presença de destaque na posse de Jair Bolsonaro.

A posse de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República nesta terça-feira (1º) contará com a presença de ao menos 11 chefes de Estado e de governo, de acordo com o Itamaraty.

O órgão confirmou ainda a vinda de 3 vice-presidentes, 11 chanceleres e 3 diretores de organismos internacionais, além de 18 representantes de outros governos. Alegando questões de segurança, o Ministério das Relações Exteriores não divulgou todos os nomes dos convidados.

Por afinidade ideológica com o novo governo, destacam-se entre os presentes os conservadores Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, e Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal.

Líderes da América Latina, contudo, serão maioria entre os presentes, mesmo com o desconvite a Cuba e Venezuela e o veto à Nicarágua. O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que os 3 países são governados por ditadores e por isso não foram convidados para a cerimônia de posse de Bolsonaro.

Entre os latinos, chamou a atenção a confirmação da presença dos líderes de esquerda Evo Morales e Tabaré Vázquez, presidentes da Bolívia e do Uruguai, respectivamente. Completam o grupo Mauricio Macri, da Argentina, Mario Abdo Benítez, do Paraguai, Ivan Duque, da Colômbia, Sebástian Piñera, do Chile, Martín Vizcarra, do Peru, e Juan Orlando Hernández, de Honduras.

Apesar da forte campanha de Bolsonaro pela aproximação com o presidente norte-americano, Donald Trump, os Estados Unidos enviaram o secretário de Estado, Mike Pompeo, para chefiar a comitiva.

Os presidentes dos EUA não costumam comparecer a posses presidenciais no Brasil, mas, em 2015, o então vice-presidente do país, Joe Biden, veio ao Brasil para a posse do segundo mandato de Dilma Rousseff (PT). Na época, os EUA faziam lobby pela venda de 36 caças da Boeing ao Brasil, mas o governo acabou optando depois pelos aviões da sueca Saab.

Jair Bolsonaro deverá se reunir com Pompeo após a posse, até quarta-feira (2), mas a data do encontro ainda não foi definida. De acordo com informações da embaixada dos EUA, na pauta estarão temas como a situação política de Venezuela, Cuba e Nicarágua.

A China, maior parceiro comercial do Brasil atualmente, enviará como representante o vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Ji Bingxuan. Durante a campanha, Bolsonaro criticou várias vezes Pequim e disse, numa cópia do discurso de Trump, que os chineses "estão comprando o Brasil".

A expectativa do governo é que 60 delegações estrangeiras participem da posse. A lista de convidados para a cerimônia tem 140 pessoas.

Posse de Lula e Dilma

O número de lideranças presentes não destoa do que foi observado nas cerimônias de posse dos últimos presidentes, à exceção de 2011, quando Dilma recebeu 21 chefes de Estado e de governo no início de seu primeiro mandato.

Na ocasião, estiveram em Brasília, por exemplo, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, além de Hillary Clinton, então secretária de Estado dos EUA, lideranças africanas e latino-americanas.

Reeleita, Dilma recebeu 14 líderes estrangeiros em 2014, entre eles o então presidente do Uruguai, José Mujica, e da Venezuela, Nicolás Maduro, além de Joe Biden.

Em 2003, quando tomou posse pela primeira vez, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 12 líderes estrangeiros no Brasil, entre eles Hugo Chávez e Fidel Castro, presidente de Cuba. Lula foi reeleito, mas nenhum chefe de Estado e de governo foi convidado para a cerimônia que reconduziu o petista ao Palácio do Planalto, em 2007.

Com informações da Agência Brasil