POLÍTICA
01/01/2019 14:52 -02 | Atualizado 01/01/2019 14:52 -02

Partido Novo avalia disputar a presidência da Câmara

"Não vamos simplesmente nos aliar a uma pauta proposta pelo governo por ser da nossa simpatia", afirmou deputado Marcel Van Hattem, líder do Novo.

Reprodução/Facebook
Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do Novo, promete uma postura independente em relação ao governo de Jair Bolsonaro.

Com 8 deputados eleitos, o partido Novo avalia lançar candidato próprio à presidência da Câmara dos Deputados e promete uma postura independente em relação ao governo de Jair Bolsonaro. Apesar de favorável à flexibilização do uso de armas, a legenda não demonstrou apoio a mudanças via decreto.

"Estamos ouvindo os candidatos, mas não descartamos a hipótese de ter um candidato do nosso partido à presidência da Câmara", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder da bancada, antes da posse presidencial.

O partido deve decidir sobre o tema no fim de janeiro. A eleição ocorre no início de fevereiro. De acordo com Van Hattem, a prioridade no momento são processos seletivos para formação de uma equipe técnica de assessores.

Até o momento, devem entrar na disputa representantes das bancadas do boi, da bala e da Bíblia, além do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O cargo é central pra definição do andamento do trabalho no Congresso, incluindo postos de comando e quais projetos são votados.

O parlamentar do Novo se reuniu com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na última semana. Também teve encontros com os titulares da Educação (Ricardo Vélez Rodríguez) e de Relações Exteriores (Ernesto Araújo), além do vice-presidente eleito, Hamilton Mourão.

Nas conversas, a legenda mostrou disposição em debater propostas do novo governo, porém com uma postura independente nas votações no Congresso. "Vamos avaliar a matéria e não vamos simplesmente nos aliar a uma pauta proposta pelo governo por ser da nossa simpatia se de alguma forma algum método, alínea ou artigo não estiver de acordo com o que a gente pensa", afirmou Van Hattem.

A sigla defende que a reforma da Previdência inclua todos funcionários públicos e militares e a privatização de todas estatais. A equipe de Bolsonaro, por sua vez, já se mostrou a favor de manter regras diferentes para aposentadoria de militares e contra a privatização de empresas consideradas estratégicas, especialmente no setor de energia.

Questionado sobre a intenção do presidente de flexibilizar o uso de armas de fogo por meio de um decreto, o deputado afirmou que é preciso avaliar a legalidade do rito, mas reforçou a posição a favor da revisão do Estatuto do Desarmamento.

"Vamos avaliar de que forma o presidente irá fazer isso, como vai ser o decreto, as exigências. Nós concordamos que a pessoa precisa de capacidade técnica e psicológica, algo que já está previsto, mas achamos também que o direito de posse - que é diferente do direito de porte - precisa ser garantido para quem está indefeso dentro da sua residência num lugar em que a polícia estatal muitas vezes não chega", disse o líder do Novo.