POLÍTICA
01/01/2019 20:55 -02 | Atualizado 01/01/2019 22:07 -02

Os eleitores de Bolsonaro que foram à posse: 'Nosso País está com os valores trocados e ele pode ajustar'

"Está tudo muito bagunçado, né? Ele fala com o povo, contra tudo que está aí. Temos que ter esperança", diz a aposentada Maria José Oliveira Dias.

CARL DE SOUZA via Getty Images
Presidente Jair Bolsonaro e sua mulher Michelle Bolsonaro chegam ao Congresso Nacional e são aplaudidos pelo público.

Entre as milhares de pessoas que acompanharam a posse de Jair Bolsonaro (PSL) nesta terça-feira (1), muitas percorreram vários quilômetros para realizar o sonho de ver o novo presidente subir a rampa do Palácio do Planalto.

"Cometi o erro de votar do Lula uma única vez. Demorou, mas agora apareceu uma pessoa que vai dar um jeito no país", afirmou Florindo Foguetão, 47.

O contador colocou a esposa, Denise, 44, e as filhas, Isabela, 4, Melissa, 12, e Analisa, 16, no carro e percorreu mais de mil quilômetros de Cuiabá, capital matogrossense, à Brasília. Conta ter decidido votar em Bolsonaro após acompanhar uma entrevista em que o presidente, na época candidato ao cargo, no ano passado, respondeu uma pergunta sobre segurança pública.

Florindo Foguetão, a esposa, Denise e as filhas Isabela, Melissa e Analisa viajaram de carro de Cuiabá à Brasília para a posse.

"Ele foi perguntado se o bandido deveria ter sido algemado em cima da casa, porque o bandido caiu. E disse que o bandido deveria ter caído logo de um prédio e morrido. Foi nesse dia que decidi votar nele. Nosso País está com os valores trocados e ele pode ajustar as coisas", afirmou.

A política de segurança de Bolsonaro foi uma das frentes que lhe fez conquistar muitos de seus eleitores e simpatizantes.

EVARISTO SA via Getty Images
Caminhão de Bombeiros refresca população que não arredou pé apesar do calor que fez em Brasília nesta terça-feira.

Não foi esse, porém, o motivo que trouxe os comerciantes Eriston da Silva Santiago, 51, e Maria Divanilda da Silva, 44, de Manaus para a capital federal nesse 1° de janeiro. "Essa roubalheira do PT tem que acabar. Ele demonstrou ser um caminho de mudança", argumentou Eriston.

Esse mesmo desejo de novidade fez o aposentado Alpheu Tomaz Leite, 85, votar no pleito do ano passado mesmo sem ter mais essa obrigação - o voto no Brasil é facultativo para os maiores de 70 anos.

Débora Alvares/Especial para HuffPost Brasil
Alpheu Tomaz Leite:

"Sem uma nova força, o Brasil não vai mudar. É preciso ser radical nesse momento trágico, difícil. Acho que o alinhamento dele com os militares é ótimo pra retomar o eixo", explicou o aposentado do interior de São Paulo, morador de Brasília desde 1957, antes mesmo da inauguração da capital.

Maria José Oliveira Dias, 83, também é aposentada, mas faz questão de se expressar nas urnas todos os anos. "Resolvi bem cedo que seria ele. Está tudo muito bagunçado, né? Ele fala com o povo, contra tudo que está aí. Temos que ter esperança." Impossibilitada de andar, ela se dirigiu à Esplanada na cadeira de rodas. Disse que sempre gosta de acompanhar as cerimônias de posse. "São eventos bonitos, históricos".

EVARISTO SA via Getty Images
Bombeiros capricharam na água para dar um refresco aos apoiadores de Jair Bolsonaro na cerimônia de posse do novo presidente.

Quem também sempre comparece à cada 4 anos às posses presidenciais é Nilza André da Silva, 71. Ela, porém, foi embora se dizendo chateada carregando sua bolsa e seu banco de plástico. "Venho sempre, nunca aconteceu isso. Acho uma falta de respeito com os idosos. Se soubesse que seria tratada dessa forma, não teria votado nele. Vou embora triste".

EVARISTO SA via Getty Images
Faixas estendidas na multidão mostram que apoiadores de muitas partes do Brasil foram à capital federal para a posse.

Nilza tentou passar pela primeira das 3 revistas, na altura do, Museu Nacional, e não lhe deixaram entrar na área cercada com grades. A população só pode ficar no canteiro central da Esplanada, que foi liberado aos poucos, à medida que a cerimônia avançava. A cada liberação, uma nova rodada de revistas era feita nos presentes.

Bloomberg via Getty Images
Bandeira do Brasil gigante com a foto de Jair Bolsonaro sobreposta chamou a atenção durante a cerimônia de posse do novo presidente.

A Presidência da República fez anúncios pela televisão e até por SMS com informação sobre itens proibidos na posse. Bolsas estavam entre eles. Algumas pessoas também foram barradas com sacolas plásticas que não eram totalmente transparentes e objetos que poderiam ser considerados armas em algum momento. Teve quem voltasse com máquina fotográfica e deixasse pra trás protetor solar, prendedor de cabelo, entre outros.

Ricardo Moraes / Reuters
Novo presidente fez questão de desfilar em carro aberto e acenar para o público durante todo o trajeto.