POLÍTICA
01/01/2019 14:29 -02 | Atualizado 01/01/2019 20:00 -02

Os 22 ministros de Bolsonaro: entre militares, técnicos e políticos

Esplanada de Jair Bolsonaro terá apenas duas ministras mulheres.

Valter Campanato/Agência Brasil
Bolsonaro e sua equipe com 22 ministros.

Era para ser 15. O número foi revisto para 18 e, finalmente, fechou em 22. Duas mulheres e 20 homens. Assim ficou a equipe que vai auxiliar o presidente Jair Bolsonaro no comando do País.

O número se aproxima da primeira equipe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista foi empossado em 2003, com 24 ministros. O número, entretanto, cresceu nos últimos governos. Chegou a 39 na segunda gestão da petista Dilma Rousseff, e foi enxugado para 29 com Michel Temer.

Das 22 pastas ministeriais de Bolsonaro, há expectativa de que algumas, como Banco Central e Advocacia-Geral da União, percam o status de ministério ao longo do governo.

O primeiro escalão de Bolsonaro é composto por militares, técnicos e políticos. Conheça:

Gabinete de Segurança Institucional

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General Augusto Heleno - Cotado inicialmente para comandar o Ministério da Defesa, o general Augusto Heleno acabou ficando com o GSI, que fica dentro do Palácio do Planalto, a poucos passos do presidente.

O general é uma das pessoas a quem mais Bolsonaro escuta. É tido como um conselheiro. O general comandou a missão de paz das Nações Unidas no Haiti e chefiou o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.

No GSI, ficará responsável pela área de segurança, incluindo a Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Secretaria de Governo

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General Carlos Alberto dos Santos Cruz - O militar também comandou missão de paz da Nações Unidas no Haiti, além da República Democrática do Congo e fez parte do governo Michel Temer, na chefia da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Na Secretaria de Governo, que era ocupada por Carlos Marun, ele ficará responsável pela interlocução com os parlamentares. Missão que será dividida com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Após anunciar Santos Cruz para o cargo, Bolsonaro elogiou a experiência dele fora do País, afirmou que o general já esteve muitas vezes em audiência no Parlamento, sabe como funciona e irá surpreender no trato com os integrantes do Legislativo.

Defesa

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General Fernando Azevedo e Silva - O militar deixa a assessoria especial do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, para ser o primeiro militar à frente da Defesa, desde que a pasta foi criada em 1999.

Antes de assumir o cargo no Supremo, Azevedo e Silva foi chefe do Estado-Maior do Exército e chefiou a Autoridade Pública Olímpica no governo de Dilma Rousseff.

Na Defesa, ficará responsável pelas 3 Forças Armadas: o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.

Minas e Energia

Governo de Transição

Almirante Bento Costa Lima Leite - Ex-diretor-geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha e integrante do conselho de administração da Nuclebrás (responsável pelo programa nuclear brasileiro), Bento Costa Lima é físico. Tem pós-graduação em Ciência Política e MBA em gestão pública.

Entrou para a Marinha na década de 1970. Quando foi anunciado, o presidente Jair Bolsonaro destacou que o almirante será responsável por evitar um novo apagão no País.

"É uma pessoa honrada e que está com muita vontade de buscar soluções para questões graves que temos pela frente, entre as quais a de energia", disse Bolsonaro.

Ciência e Tecnologia

Rafael Carvalho/Governo de Transição

Marcos Pontes - O astronauta, como Bolsonaro o define, foi o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Militar da reserva, o tenente-coronel da FAB (Força Aérea Brasileira) participou de missão da Nasa ao espaço em 2006. Logo em seguida, foi para a reserva e iniciou a carreira de palestrante motivacional e coach de desenvolvimento pessoal e profissional.

Em 2011, Pontes se tornou embaixador das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial. Ele é engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e mestre em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, na Califórnia.

Casa Civil

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Onyx Lorenzoni - Fiel soldado de Bolsonaro, Onyx Lorezoni se rebelou contra a regra do seu partido, o DEM, e em vez de apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha presidencial, esteve ao lado do capitão reformado do Exército.

A lealdade, especialmente na missão de montar uma base de parlamentares aliados, fez de Onyx braço-direito do presidente e lhe garantiu o cargo de ministro da Transição no período que antecedeu o novo governo.

Na gestão de Bolsonaro, será ministro-chefe da Casa Civil. Enquanto foi deputado, Onyx esteve ligado à bancada ruralista e ganhou os holofotes quando foi relator das medidas contra a corrupção. O então parlamentar, no entanto, é investigado por suspeita de caixa 2 e já confirmou publicamente ter recebido doação irregular da JBS.

Secretaria-Geral

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Gustavo Bebianno - Advogado que se aproximou de Bolsonaro em 2017 com a proposta de defendê-lo em processos judiciais de graça se tornou uma espécie de coordenador da campanha. Auxiliou Bolsonaro na negociação para se filiar ao PSL, assumiu a presidência do partido no período eleitoral e ficou responsável por aconselhar o então candidato.

Ao lado de sua esposa, Renata, e da primeira-dama, Michelle, Bebianno organizou a agenda de Bolsonaro e foi um dos principais conselheiros sobre a participação nos debates eleitorais.

No governo, assume o comando da Secretaria-Geral da Presidência. Será uma espécie de síndico do Palácio do Planalto. Entraves com a família Bolsonaro, entretanto, fizeram com que o órgão fosse esvaziado e perdesse a Secretaria de Comunicação, que ficará por conta da Secretaria de Governo.

Economia

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Paulo Guedes - Um dos principais fiadores do novo governo, Paulo Guedes é o nome de Bolsonaro para a economia. Antes mesmo do resultado das eleições, já era sabido que Guedes seria o ministro responsável pela economia, caso Bolsonaro fosse eleito.

Foi ele quem traçou o plano de governo do presidente para o setor. Na campanha, ficou conhecido como 'posto Ipiranga', por ter as respostas - que Bolsonaro não tinha - para as perguntas sobre o que deve ser feito para o País voltar a crescer e recuperar empregos e investimentos.

O superministério de Guedes vai reuniu funções dos antigos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio Exterior.

Justiça

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Sérgio Moro - Responsável pela condução da Operação Lava Jato na primeira instância na Justiça do Paraná até ter sido convidado para ser ministro, Sérgio Moro se tornou um ícone no combate à corrupção no País. Entre os que caíram nas garras de Moro está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde 7 de abril.

Moro é um dos defensores da prisão após condução em segunda instância. Segundo ele, a medida é eficaz principalmente nos crimes de colarinho branco. "Quando a punição é praticamente nula, o que é o caso quando você tem os processos praticamente sem fim, certamente, não vai ter nenhum criminoso disposto a colaborar", afirmou em março no programa Roda Viva.

No governo Bolsonaro, promete intensificar o papel que teve no Judiciário. Levou para a estrutura do Ministério da Justiça o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que tem a função de identificar movimentações financeiras atípicas, geralmente ligadas à lavagem de dinheiro.

Agricultura

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Tereza Cristina - A agricultura no governo Jair Bolsonaro será liderada por uma das duas mulheres que ajudam a compor a Esplanada. Engenheira agrônoma, Tereza Cristina, deputada filiado ao DEM, foi indicada pela bancada ruralista a Bolsonaro. Ela presidiu a Frente Parlamentar da Agropecuária.

Antes do DEM, Tereza Cristina foi filiada ao PSB, partido ao qual foi líder na Câmara. Foi destituída da legenda após votar a favor da reforma trabalhista proposta pelo presidente Michel Temer. Também contrariou o partido ao votar contra o prosseguimento à segunda denúncia contra Temer.

Na Câmara, foi um das principais defensoras do projeto de lei que flexibiliza o registro de agrotóxicos no País.

Relações Exteriores

Rafael Carvalho/Governo de Transição

Ernesto Araújo - Diplomata há 29 amos, Ernesto Araújo era diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos quando foi convidado por Bolsonaro para assumir o comando do Itamaraty.

O que chama atenção em Araújo é o posicionamento político. Foi graças a isso que ele caiu nas graças do pensador Olavo de Carvalho, que o indicou ao presidente para o cargo.

Em meados de 2017, o futuro chanceler escreveu um artigo publicado pela Fundação Alexandre Gusmão no qual defendeu que apenas o presidente Donald Trump poderia "salvar o Ocidente". Crítico do marxismo e do "globalismo", ele também tem se mostrado contrário à política adotada pela China, maior parceiro comercial do Brasil. Pontos alinhados ao pensamento político de Bolsonaro.

Saúde

Rafael Carvalho / Governo de Transição

Luiz Mandetta - Indicado pela Frente Parlamentar da Saúde, Luiz Henrique Mandetta é o novo ministro da Saúde. Médico ortopedista, ele entrou para a política em 2005, ao comandar a Secretaria de Saúde de Campo Grande (MS). Mandetta também é filiado ao DEM, assim como os ministros Onyx Lorezoni e Tereza Cristina.

O futuro ministro é investigado por suspeita de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 no período em que foi secretário de Saúde. Ele nega irregularidades.

Uma de suas marcas como parlamentar foi ter sido um ferrenho crítico do programa Mais Médicos. Mandetta tem defendido avaliação periódica para médicos, além de uma nova política para tratamento de dependentes químicos.

Advocacia-Geral da União

Rafael Carvalho/Governo de Transição

André Luiz de Almeida Mendonça - Advogado da União desde 2000, André Luiz de Almeida Mendonça esteve no comando da Corregedoria-Geral do órgão em 2016. Deixou o cargo em setembro de 2016 para se tornar assessor especial do ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário -- que permanecerá no governo Bolsonaro.

Mendonça é formado em direito, com mestrado e doutorado pela Universidade de Salamanca (Espanha), com trabalhos na área de combate à corrupção.

Educação

Rafael Carvalho/Governo de Transição

Ricardo Vélez-Rodríguez - Mais uma indicação do pensador Olavo de Carvalho na Esplanada de Bolsonaro, Veléz-Rodriguez é filósofo e teólogo, com pós-doutorado em Ciências Humanas pelo Centre de Recherches Politiques Raymond Aron, na França. Também é professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército.

Crítico ao PT e entusiasta da ditadura militar, como Bolsonaro, o ministro da Educação já disse que o golpe de 1964 é "uma data para lembrar e comemorar". Simpático à Escola sem Partido, ele afirma que o presidente terá acesso às provas do Enem.

Desenvolvimento Regional

Rafael Carvalho/Governo de Transição

Gustavo Canuto - Ex-secretario-executivo do Ministério da Integração, Gustavo Canuto assume o comando do Ministério do Desenvolvimento Regional, que reúne as atribuições da Integração e do atual Ministério das Cidades.

Em sua primeira entrevista depois de ter sido anunciado ministro, Canuto afirmou que a pasta vai unir as políticas nacionais de desenvolvimento regional e de desenvolvimento urbano.

Segundo ele, sua indicação foi devido ao trabalho técnico realizado na pasta. Canuto chegou ao posto no Ministério da Integração pelas mãos do governador eleito do Pará Hélder Barbalho (MDB), que chefiou a pasta.

Cidadania

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Osmar Terra - Deputado federal reeleito pelo MDB, Osmar Terra foi ministro do Desenvolvimento Social no governo Michel Temer, de 2016 a abril deste ano. No governo Bolsonaro, assume a pasta da Cidadania, que reunirá atribuições do Desenvolvimento Social, do Esporte e da Cultura. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) também ficará sob sua responsabilidade.

Segundo ele, uma de suas prioridades será combater fraudes no Bolsa Família, reavaliar a Lei Rouanet e promover mudanças nas políticas sociais. Em recente entrevista ao jornal O Globo, defendeu limite no horário para venda de bebida alcóolica. Afirmou ainda que sua aposta é tornar o esporte e a música o "barato" que a droga dá à juventude.

Osmar Terra é médico, radicalmente contra o uso de drogas. Foi secretário de Saúde no Rio Grande do Sul e estava na Câmara desde 2001.

Turismo

Marcelo Álvaro Antônio - Deputado reeleito do PSL, correligionário de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio aceitou a missão de chefiar o Turismo com a missão de fortalecer o setor. Em sua primeira entrevista como futuro ministro, ele disse que vai " brigar sim para que o ministério possa ter um orçamento importante, tendo em vista que o turismo vai participar efetivamente desse momento de resgate, de recolocar o Brasil na rota do desenvolvimento".

Na Câmara dos Deputados desde 2014, ele integrou a frente parlamentar evangélica, votou a favor do prosseguimento da denúncia contra Michel Temer e a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Infraestrutura

HuffPost Brasil

Tarcísio Gomes de Freitas - Ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Tarcísio Gomes assume o ministério da Infraestrutura com a missão de destravar as obras paradas no País. Ao anunciá-lo, Bolsonaro enfatizou que uma obra só será iniciada se tiver recursos para terminá-la.

Tarcísio Gomes é engenheiro civil formado pelo Instituto Militar de Engenharia, é consultor legislativo da Câmara dos Deputados, foi chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Ele também foi coordenador-geral de Auditoria da Área de Transportes da Controladoria-Geral da União (CGU).

Mulher, Família e Direitos Humanos

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Damares Alves - A segunda mulher que compõe a Esplanada de Bolsonaro tem mais de 20 anos de experiência como assessora jurídica no Congresso Nacional. O último cargo de Damares Alves foi o de assessora do senador Mago Malta (PR-ES). Apesar da antiga função, ela não é tida como indicação do senador ou da bancada evangélica

A ministra, no entanto, defende as mesmas bandeiras que o senador e o grupo. A advogada, que também é pastora, promete dar atenção especial a primeira infância.

Uma das prioridades na sua gestão será a defesa do "direito à vida". Ela é contra a legalização do aborto. Sua pasta também acumula as atribuições da Fundação Nacional do Índio, que tem a função de promover políticas públicas para as populações indígenas.

Meio Ambiente

Rafael Carvalho/Governo de Transição

Ricardo de Aquino Salles - Alinhado à bancada ruralista, o novo ministro do Meio Ambiente foi diretor jurídico da Sociedade Rural Brasileira, foi secretário do Meio Ambiente em São Paulo e disputou as eleições para o cargo de deputado federal pelo Novo.

Fundador do Movimento Endireita Brasil, ele foi denunciado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo por improbidade administrativa e condenado a pagar multa de R$ 70 milhões.

Sua intenção, como tem afirmado, é flexibilizar a área e "deixar o brasileiro trabalhar em paz". Para ele, a pauta ambientalista "foi sequestrada pela esquerda no Brasil e no mundo", e o agronegócio está "sob ameaça" no País.

Banco Central

Roberto Campos Neto - Executivo do Banco Central, o indicado por Bolsonaro para assumir o Banco Central é neto do ex-ministro Roberto Campos, tem pensamento liberal alinhado ao do ministro da Economia, Paulo Guedes. É formado em Economia pela Universidade da Califórnia, com especialização em Finanças pela mesma instituição.

Para ocupar o cargo, ele será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Precisará ainda ter seu nome aprovado pelo plenário da Casa. Ele terá status de ministro e, consequentemente, foro privilegiado.

Transparência e Controladoria-Geral da União

Rafael Carvalho/Governo de Transição

Wagner Rosário - Militar e auditor federal de Finanças e Controle, Rosário é herança do governo Temer na gestão Bolsonaro. Ele segue ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União, cargo que assumiu interinamente em maio de 2017.

O ministro atuou em investigações de combate à corrupção, em articulação com a Polícia Federal, Ministérios Públicos (Federal e Estadual) e outros órgãos de defesa do Estado.

Wagner Rosário é graduado em Ciências Militares pela Academia das Agulhas Negras e mestre em Combate à Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha.