POLÍTICA
01/01/2019 12:45 -02 | Atualizado 01/01/2019 13:40 -02

Doria é empossado em São Paulo com criticas ao próprio partido e promessa de ‘renovar política’ no Estado

No Rio, Witzel garantiu combate à violência e à corrupção e, em Minas, Zema previu tempos difíceis.

Gilberto Marques/Divulgação

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaroassume o comando do País, os 27governadores eleitos no pleito do último mês de outubro também iniciam seus mandatos.

Na manhã desta terça-feira (1º), João Doria, sucessor de Márcio França em São Paulo, surpreendeu no discurso de posse ao adotar tom crítico ao PSDB, seu próprio partido, e que há 23 anos está no poder.

"Não há mais espaço para governos apenas de políticos e ou de partidos. Agora devemos fazer o governo que a população deseja: com os políticos e com os partidos. Temos que deixar de lado as conveniências pessoais e partidárias para proteger o interesse do povo. Pelo povo lutarei e pelo povo governarei São Paulo. Os brasileiros de São Paulo foram às urnas para confiar a nós a missão de renovar a política. E temos o desafio de atender a esse sentimento. O Brasil começou a mudar e vamos seguir nessa sequência. Temos que atender esse sentimento que foi expresso pelo povo".

Eleito com 51,75% dos votos em um dos principais colégios eleitorais do País, Doria bateu repetidamente na tecla da "nova política" em seu discurso de posse e deixou clara sua insatisfação com o modo como São Paulo vinha sendo governado – pelo seu próprio partido – há mais de duas décadas.

"A velha política das mordomias, do cabide de empregos, da troca de favores, do desperdício do dinheiro público, da inoperância e da falta de transparência não cabe nesse sentimento de mudança e não fará parte do nosso governo. Não esperem de mim alguém que vai ouvir pedidos, solicitações ou movimentos equivocados que não encontrarão ressonância para qualquer solicitação de natureza espúria. Quem estiver com intenção ruim, melhor nem procurar o governador de São Paulo porque será rechaçado imediatamente."

Rio de Janeiro

Tomaz Silva/Agência Brasil
O governador Wilson Witzel toma posse na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) .

Wilson Witzel (PSC), novo governador do Rio de Janeiro, tomou posse com o mesmo discurso que marcou toda sua campanha eleitoral rumo à vitória nas eleições 2018: combate à violência e à corrupção no Estado.

"É chegada a hora de libertar o Estado da irresponsabilidade e da corrupção, que marcaram as últimas duas décadas da política estadual. A instalação de um conselho de segurança vai aproximar as instituições, permitindo que a segurança não seja apenas um caso de polícia. São narcoterroristas, e como terroristas serão tratados", avisou.

Para fortalecer o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, Witzel garantiu que a tecnologia será sua principal aliada. A intenção do novo governador é abrir o banco de dados com as informações dos criminosos mais procurados do Estado para que empresas com sistemas de reconhecimento facial possam identificar essas pessoas.

A reorganização do sistema policial também foi apontada como prioridade em seu mandato. "Vamos fortalecer o departamento de homicídios para combater os homicídios na região onde eles acontecem com maior intensidade. Precisamos de uma investigação mais aprofundada com maior número de delegados".

Minas Gerais

Divulgação/Assembleia Legislativa
Romeu Zema quer equacionar as contas do governo mineiro com união do Estado.

Uma das principais surpresas das eleições 2018 foi a vitória de Romeu Zema, do Novo, em Minas Gerais. O novo governador do Estado deixou para trás Antonio Anastasia (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) e, em sua posse, pediu união entre os poderes para recuperar o Estado financeiramente.

"Passaremos por tempos difíceis, em que reformas administrativas e fiscais terão de ser levadas adiante, para que os servidores possam receber seus salários conforme determina a lei. O mais tardar até o quinto dia útil. Para que as prefeituras possam voltar a receber os valores que têm por direito. E para que possamos ter condições de investir no que devem ser as prioridades do Estado: Segurança, saúde, educação e infraestrutura".

Segundo Zema, o déficit atual de Minas Gerais está na casa dos R$ 30 bilhões e pode ultrapassar R$ 100 bilhões se nada for feito imediatamente. O novo governador mineiro prometeu "abrir a caixa-preta das finanças do Estado, arrumar a casa e renegociar a dívida com o governo federal para colocar as contas em dia".

Distrito Federal

Reprodução/Globo News
Novo governador do Distrito Federal disse que vai fazer política com 'P' maiúsculo.

Ibaneis Rocha (MDB), novo governador do Distrito Federal, começou o dia da posse com uma missa no Santuário Dom Bosco.

Ao iniciar a solenidade oficial, adotou tom conciliador e chegou a comparar seu desafio na capital federal com o de Juscelino Kubitschek, fundador de Brasília, ao afirmar que "consertar uma cidade dessas em 4 anos talvez seja um desafio maior do que enfrentou JK quando começou a construí-la".

Ibaneis focou o discurso de posse na fatia da população mais carente e garantiu que "fará política com 'P' maiúsculo, pensando primeiro nos mais pobres" e que "promete manter, defender e cumprir as Constituições Federal e a Lei Orgânica, observando a Lei e promovendo o bem geral do povo do Distrito Federal".

Amapá

Marcelo Loureiro/Secom/Amapá
Governador do Amapá tomou posse pouco depois da virada do ano.

O primeiro governador eleito a tomar posse em 2019 não faz parte de nenhum dos maiores colégios eleitorais do País: Waldez Góes, do Amapá, abriu o dia de solenidades oficiais em cerimônia que começou logo após a virada, por volta da meia-noite e meia (horário local).

Os últimos dos 27 governadores a assumirem suas funções nesta terça-feira serão Wilson Lima (Amazonas) e Antonio Denarium (Roraima), em solenidades marcadas para terem início às 19 horas.