30/12/2018 00:00 -02 | Atualizado 09/01/2019 17:23 -02

Gisele Oshiro, a empresária que ensina outras mulheres a quebrar barreiras

“Não se sentir merecedora de algo faz a gente estagnar. É aí que eu entro para desfazer essas crenças."

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Gisele Oshiro é a 298ª entrevistada do

Boa parte do empresariado enfrenta problemas difíceis de resolver no ambiente corporativo: sobram reclamações de chefes intolerantes, sisudos e, muitas vezes, petulantes. Para a empresária Gisele Oshiro, de 47 anos esse tipo de conduta comportamental -- mesmo que despercebida pela maioria das pessoas -- pode ser um dos resultados da repetição dos padrões negativos adquiridos ainda na infância que acabam refletidos na vida profissional. Não é à toa que a procura de empresários pelo workshop de inteligência emocional ministrado por ela - um conceito em psicologia que descreve a capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles - sempre é grande em Manaus (AM). Mas quem ocupa a maioria das cadeiras são elas: mulheres empresárias, embora o treinamento, de 9 horas de duração, seja para homens também.

É preciso quebrar crenças que nos limitam a seguir.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Ela passou por todos os sintomas invisíveis que envolvem ser mulher e entrar no universo corporativo.

Para a empresária e coach, as mulheres têm mais dificuldades que homens no mundo corporativo. E o motivo já é conhecido: as barreiras históricas que enfrentadas por décadas para conquistar direitos. "Muitas mulheres acreditam que não merecem ocupar cargos alto ou não são capazes de administrar tudo sozinha porque na infância eram vetadas de fazer algo que só homem fazia", afirma ao HuffPost Brasil.

Mas para ser a mulher exemplar que ajuda outras a alcançar o equilíbrio, ela passou por todos os sintomas invisíveis que envolvem ser mulher e entrar no universo corporativo. "Achava que só o meu marido poderia ficar à frente de um negócio. Só ele poderia atender clientes grandes. No fundo eu sabia que podia fazer como ele. Porém, tinha que me reprogramar para deixar de acreditar que não podia."

Gisele é filha de uma família de japoneses com veia empreendedora. Talvez seja por isso que teve dificuldades em não ser a própria chefe. "Me formei em Ciências da Computação. Na época, era a profissão do futuro. Busquei algo que me fizesse ganhar dinheiro. Mas não consegui passar dos três anos de contrato como empregada em uma empresa do ramo."

Troquei o certo pelo duvidoso. Mas não me arrependo.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Para a empresária e coach, as mulheres têm mais dificuldades que homens no mundo corporativo.

O primeiro negócio próprio? Uma pizzaria em Campo Grande (MG) que abriu junto com o marido que na época ainda era namorado. "Ele precisou viajar a trabalho para o Japão e eu fiquei cuidando sozinha da pizzaria que se transformou em uma das melhores da cidade", lembra. Após quatro anos, com o retorno do marido ao Brasil, Gisele, que nasceu em Londrina (PR), se mudou para Manaus (AM). O marido recebeu um convite de trabalho e ela foi junto. "Vendemos a pizzaria de Campo Grande e com o dinheiro, compramos um apartamento aqui [em Manaus]."

A pessoa com quem você divide a cama é o seu companheiro de vida.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
"Precisamos entender que podemos e nenhuma crença do passado pode parar com isso."

Na capital Amazonense, o casal abriu novamente uma pizzaria com parentes como sócios e em seguida um restaurante de sanduíches e sopas que existem até hoje. "Grávida do segundo filho, eu e ele decidimos deixar os negócios só com os familiares para dedicar o nosso tempo no centro de treinamento empresarial, já que ele sempre foi voltado para o empreendedorismo, dando consultoria e tudo mais". De cara, Gisele começou na área administrativa. Mas ela não gostava muito, embora tivesse mais facilidade com a experiência que adquiriu tocando a pizzaria e o restaurante. "Aos poucos fui migrando para área comercial, de atendimento. E aí comecei a me encontrar no coaching para conseguir gerar mudança de comportamento", lembra.

A gente pode ter tudo na medida que a gente foca.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil

A profissão de coach não é regulamentada no Brasil. Para se tornar um profissional do ramo é preciso acumular horas de cursos livres. E Gisele começou a fazer os cursos da Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e foi lá que ela percebeu uma necessidade importante. "Nesses cursos eles trabalham mais o lado cognitivo, de plano de ação. Eu via pessoas que iam muito rápido e pessoas que ficavam empacadas. Emocionalmente quem estava bem ia embora, quem não, ficava onde estava. Me sentia frustrada e resolvi partir para o lado de inteligência emocional", conta.

Como falamos no início da história, a empresária explica que existem muitos impedimentos emocionais. A parte técnica é importante, mas o lado emocional precisa ser levado em conta. A verdade dói, mas transforma. "É claro que é um processo longo e demorado, mas o autoconhecimento faz uma diferença tamanha no dia a dia. Quando cai a ficha, muitos choram", conta. Gisele já conseguiu ajudar muita gente com o atendimento e a agora quer fazer mais, principalmente para as mulheres. "Somos mulheres, fortes. Precisamos entender que podemos e nenhuma crença do passado pode parar com isso. Somos capazes e merecemos nossas conquistas."

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Samira Benoliel

Imagem: Iana Porto

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

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