ENTRETENIMENTO
28/12/2018 08:01 -02 | Atualizado 28/12/2018 08:15 -02

'Game of Thrones': Diretor David Nutter fala da segurança no set da série

Nutter, que dirigiu metade dos episódios da temporada final da série, também fala do seu projeto 'Rising', que deveria fazer o presidente Trump parar para pensar.

Helen Sloan/courtesy of HBO
You know nothing about security, Jon Snow.

O inverno está chegando... ao seu final.

Spinoffs de Game of Thrones estão surgindo como zumbis em filmes de terror, mas a série da HBO vai trancar a porta do trono depois dos seis episódios da oitava temporada, no ano que vem. Isso significa que atores, diretores e produtores da série estão se envolvendo em novos projetos.

Para o diretor David Nutter, que foi responsável por metade dos episódios finais – inclusive o que abre a última temporada -, a vida depois de Game of Thrones começa com Rising, parte da iniciativa premiada com um Emmy, Love Has No Labels (o amor não tem rótulos) e o primeiro curta oficial do Ad Council, que pode concorrer a um Oscar. O filme, cujo roteiro foi escrito por Lena Waithe (também ganhadora de um Emmy), pergunta: "Por que precisamos de um desastre para nos unir?"

Nutter, que tem quase 60 anos, conversou conosco sobre o filme, sobre Game of Thrones e sobre a segurança no set da série, que parecia a "Gestapo".

Depois de ficar fora da sexta e da sétima temporadas, como foi voltar para a temporada final de Game of Thrones?

Em 2015, depois da quinta temporada, fiz cirurgia nas costas e fiquei fora da sexta e da sétima. Foi de partir o coração. Tive de fazer fisioterapia e tudo o mais que vem depois de uma operação dessas. Às vezes as sessões eram excruciantes, e me perguntava se conseguiria voltar a dirigir – sem falar em dirigir Game of Thrones. Felizmente, estou de volta. Estou restaurado. Eles me receberam de braços abertos, e não só isso, mas me colocaram para dirigir três dos seis episódios [da oitava temporada].

Muita coisa aconteceu desde sua saída. Dirigir a abertura da temporada final e metade dos seis episódios – como foi assumir essa responsabilidade?

É uma honra muito grande estar envolvido com esse material, porque ele é escrito maravilhosamente, conta com performances incríveis e uma execução tremenda. Ser parte desse mundo é a realização de um sonho... É maravilhoso trabalhar com [os responsáveis pela série] David Benioff e Dan Weiss. São ótimos colaboradores, bem como professores e mentores. Para mim, em vários aspectos, trata-se simplesmente de ter a chance de estar envolvido no que eles estão fazendo.

Ouvimos falar muito de cenas fake este ano. Como diretor, você sabe quando está gravando uma cena fake?

Ah, sim. Sim, com certeza.

É uma tentativa de manter segredo. Como foi a segurança nesta temporada? Liam Cunninghamme disse que nem sequer tinha acesso aos roteiros nos iPads seguros.

Bom, às vezes apareciam uns paparazzi em lugares incríveis – em guindastes, todo tipo de lugar maluco, tentando enxergar alguma coisa. Eles estavam por toda parte. Mas era uma situação em que não havia papel no set, esse tipo de coisa. [A equipe de produção] queria se certificar de que ninguém sabia o que estava acontecendo, e eles elevaram isso à enésima potência, como sempre acontece na série. Eles basicamente criam uma espécie de Gestapo. É difícil obter respostas.

Obviamente, todo mundo tem teorias sobre o final. Sabendo o que acontece, o que você pode dizer para os fãs?

O que sei é que David e Dan passaram muito tempo contando a história do jeito certo, e o público vai ficar satisfeito. Nem todo mundo vai ficar feliz, mas acho que a maioria vai ficar satisfeita com o rumo tomado pela série. Ela faz jus à expectativa que está sendo construída, isso eu posso prometer.

Como você se preparou para a abertura da oitava temporada? Você assistiu os episódios anteriores?

Com certeza. Para mim, o objetivo era estar à altura de Jeremy Podeswa (outro diretor de GOT). Ele fez aberturas de temporada incríveis, especialmente a sétima. Ele é um grande amigo e um grande diretor.

Você está na série desde a segunda temporada. Que tal olhar para ela agora?

É interessante trabalhar com os atores. Sophie - quando encontrou o Hound pela primeira vez e estava em Westeros - agora é uma rainha respeitável. Arya, que era uma menininha que queria atenção, também é uma personagem que conquistou muito respeito. O crescimento desses personagens é muito divertido, e a chance de trabalhar com eles sempre foi um grande prazer. Coisas como a arena de Daznak e, é claro, a Caminhada da Vergonha e o Casamento Vermelho são grandes momentos da minha carreira. É algo que nunca vou esquecer.

Você fez um Ask Me Anything (pergunte-me qualquer coisa) no Reddit de Game of Thronespara falar de seu novo filme, Rising. Como foi a experiência?

Foi muito divertido. Nunca tinha participado. As perguntas são muito diretas. Eu trabalhei em Arquivo X nas primeiras temporadas... A gente fazia uns chats com fãs.

Como você acabou dirigindo Rising?

Eles estavam pensando em outra pessoa para o projeto, mas houve uma complicação e a pessoa não pode aceitar. Eu já tinha trabalhado com a produtora e eles me chamaram. Eu disse: "Meu Deus, adoraria". Nada me empolga mais que fazer algo que tenha valor, algo que tenha uma mensagem que encontre eco junto ao público.

A esperança é que quem assista ao filme – não importa quem seja, quais sejam suas afiliações ou opiniões – tenha uma nova perspectiva a respeito do seu vizinho, da pessoa do outro lado da rua, de si mesmo, porque o preconceito tem a ver com a cegueira. Acho que é uma situação em que eu realmente queria que as pessoas assistissem e tivessem uma reação pessoal, porque – por causa do tamanho do projeto... mais longo que um comercial – queríamos dar ao público a chance de um envolvimento emocional mais profundo.

Por que precisamos de desastres para unir as pessoas?

Parece que vivemos em uma sociedade que só pensa em confronto e medo e incompreensão... Não ouvimos o bastante. Achamos que a resposta para a vida é seguir crescendo, ouvindo e aprendendo.

Um dos personagens, o mecânico, parece um típico apoiador de Donald Trump. De onde ele veio? Qual é a explicação para ele?

É interessante, esse personagem pode tomar a forma que você quiser. É um homem trabalhando num carro, ouvindo música. Aparece essa criança. Ele se vira, observa a criança, desliga a música... Sua opinião realmente depende de quem você é, qual é sua história. O fascinante é que todo mundo que assiste terá sua própria opinião. Não há uma ocasião ou situação em que eu esteja buscando reproduzir um estereótipo. Não somos estereótipos... Queria que fosse o mais real possível.

Se o presidente assistir a esse filme, o que você gostaria que ele tirasse da experiência?

Queria que ele parasse para pensar. Também que ele assistisse ao curta sozinho, para não ter de responder na frente de outras pessoas, porque a história é muito pessoal. Acho que é uma situação em que somos todos iguais. Temos de nos respeitar e acho que precisamos uns dos outros para sobreviver. Se acontecesse [de Trump assistir ao filme], gostaria que ele parasse um pouco, deixasse de escrever um tweet... Já teria sido algo positivo.

Entrevista ligeiramente editada.

Este texto foi publicado originalmente no HuffPost US e traduzido do inglês.