MULHERES
26/12/2018 13:56 -02 | Atualizado 26/12/2018 20:29 -02

João de Deus diz não se lembrar das mulheres vítimas de abuso

De acordo com advogado do médium, João de Deus negou os crimes e disse não recordar dos nomes das vítimas.

Associated Press
João de Deus negou os crimes e disse não recordar dos nomes das vítimas.

O médium João de Deus prestou depoimento ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) nesta quarta-feira (26). De acordo com o advogado da defesa Alberto Toron, o médium afirmou que não se lembrava de nenhuma das vítimas e negou os crimes de abuso sexual.

"Os promotores agiram com correção no depoimento, foi importante e esclarecedor, já que ele respondeu a todas as perguntas. Ele disse que não se lembrava de quem eram as vítimas, ressaltou que atendida muitas pessoas e que era impossível lembrar pelo nome, até porque não foi mostrada nenhuma foto", afirmou Toron, em entrevista ao G1.

João de Deus está preso desde 16 de dezembro, após se entregar à Polícia Civil. Ele é investigado por crimes de abusos sexuais e teve um segundo mandado de prisão deferido por posse ilegal de arma de fogo.

De acordo com o Ministério Público, o depoimento durou cerca de 1 hora e 30 minutos. Até o momento, já foram colhidos 78 depoimentos formais de mulheres que teriam sido vítimas de abusos e cerca de 600 denúncias foram recebidas, sendo 260 delas enviadas por potenciais vítimas do médium.

As potenciais vítimas não se restringem ao Brasil. Dentre as mensagens encaminhadas ao MP, 4 são dos Estados Unidos, 3 da Austrália, 1 da Alemanha, 1 da Bélgica, outra da Bolívia e mais uma da Itália.

As denúncias contra João de Deus

As denúncias começaram a vir a público na última sexta-feira (7), quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, divulgou os primeiros depoimentos. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium procuraram as autoridades e a imprensa.

As denúncias que chegaram à imprensa revelam que João de Deus seguia um padrão ao cometer os abusos. As vítimas afirmam que o médium dizia que elas deveriam passar por um atendimento especial, em local privado, e os abusos eram justificados como "limpeza espiritual".

(Com informações da Agência Reuters)