POLÍTICA
26/12/2018 20:22 -02 | Atualizado 26/12/2018 20:25 -02

Fabrício Queiroz diz que 'movimentação atípica' de dinheiro vem de comércio de carros

Em entrevista ao jornal SBT Brasil o ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro não detalhou origem do dinheiro.

Bloomberg via Getty Images
O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O motorista Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), afirmou que parte da "movimentação atípica" de R$ 1,2 milhão feita por ele vem da compra e venda de carros. Queiroz não compareceu ao Ministério Público nas duas vezes em que foi chamado, mas deu explicações em entrevista à jornalista Débora Bergamasco, do jornal SBT Brasil, nesta quarta-feira (26).

"Eu sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro, compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro... Sempre fui assim, gosto muito de comprar carro de seguradora, na minha época lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar, revendia, tenho uma segurança", disse.

Porém, Queiroz não detalhou a origem do dinheiro. "Esse mérito eu queria explicar para o MP (Ministério Público)", afirmou. No entanto, o ex-assessor do filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, faltou a depoimentos no MP-RJ para dar explicações.

Á época, de acordo com o MP-RJ, o advogado de Queiroz informou que seu cliente "precisou ser internado, na data de hoje, para realização de um procedimento invasivo com anestesia, o que será devidamente comprovado, posteriormente, através dos respectivos laudos médicos".

O Ministério Público também informou que decidiu chamar parentes de Queiroz para prestar esclarecimentos no âmbito da investigação.

Durante a entrevista ao SBT, Queiroz disse que seus rendimentos mensais giravam em torno de R$ 23 mil a R$ 24 mil, sendo "cerca de R$ 10 mil" vinda do salário de assessor e o restante da remuneração como policial.

Entenda o caso

Integrante do gabinete do filho do presidente eleito na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até outubro de 2018, o motorista fez movimentações financeiras suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, segundo relatório do Coaf.

As transações foram consideradas atípicas. Na época, Queiroz recebia da Alerj um salário de R$ 8.517 e acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar. Entre as movimentações suspeitas está um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama. De acordo com o presidente eleito, o valor refere-se ao pagamento de uma dívida.

Segundo o MP, Flávio Bolsonaro deve ser ouvido em 10 de janeiro, e familiares de Queiroz no dia 8 do mesmo mês. Outros assessores da Alerj também prestarão depoimento, em data a ser marcada. O senador eleito nega ter cometido qualquer irregularidade e tem dito que é o assessor quem deve se explicar. A mesma postura tem sido adotada por Jair Bolsonaro.