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27/12/2018 00:00 -02

Espumantes brasileiros: Por que os rótulos do País são tão premiados pelo mundo?

Diferentemente dos vinhos tranquilos (sem gás), espumantes nacionais ganharam status mundial e venceram a barreira do preconceito no País.

LightFieldStudios via Getty Images
Segundo a Associação Brasileira de Enologia, em 2018, os espumantes brasileiros conquistaram 210 premiações em concursos internacionais. 

Muitos ainda se espantam quando descobrem que um espumante brasileiro de preço bem acessível entra em uma lista de melhores do mundo. Mas isso não é novidade para os produtores desse tipo de vinho no Brasil. O exemplo mais recente é o do Salton Prosecco.

O rótulo foi o único brasileiro a entrar no Top 10 da Effervescents Du Monde, uma das mais famosas competições de espumantes do planeta, que aconteceu em novembro de 2018 em Dijon, na França.

Já no começo do ano, 4 espumantes nacionais ganharam medalhas de ouro no Challenge International du Vin 2018, também na França, mas na cidade de Bordeaux. E em 2017, outro rótulo nacional conquistou um prêmio importante. O espumante Casa Perini Moscatel ficou em 5º no ranking da Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores (WAWWJ).

Segundo a Associação Brasileira de Enologia (ABE), em 2018, os espumantes brasileiros conquistaram 210 premiações em concursos internacionais.

"Essa realidade vem sendo construída há 20 anos, quando começamos a descobrir e entender o que cada região produtora de vinho podia oferecer de melhor", conta Gregório Salton, enólogo da vinícola que leva seu sobrenome.

De acordo com ele, o clima e as características geográficas da Serra Gaúcha — principal região produtora de espumantes no Brasil — são ideais para a produção desse tipo de vinho.

"Aqui as uvas não chegam ao amadurecimento completo, o que é perfeito para os espumantes. O processo acontece no ritmo correto e preserva o frescor (acidez natural) que um bom espumante precisa", explica Salton.

Consolidação leva ao crescimento nas vendas

Eduardo Benini/Divulgação
Vinícola Salton.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o setor de bebidas provenientes da uva encerrou 2017 com aumento de 5,67%. Em comparação com 2016, só os espumantes ampliaram o volume em 3,22%, com 17,4 milhões de litros comercializados. De 2017 para 2018, esse volume saltou para 13,44%.

"Ainda há um certo preconceito do brasileiro com relação aos vinhos tranquilos. Com os espumantes, não. Muito mais que 50% dos espumantes consumidos no Brasil são rótulos nacionais. Nosso custo-benefício é muito bom", conta Salton.

A razão do reconhecimento internacional

Mas por que os espumantes brasileiros estão sempre aparecendo com destaque em competições entre rótulos de países com muito mais tradição vinícola, como França e Itália? De acordo com Gregório Salton, o segredo está na drinkability.

Drinkability é um termo derivado do inglês mede (de forma subjetiva) o quanto o líquido é agradável ao se beber.

"Nossos espumantes são fáceis de beber, de ser consumidos. São refrescantes, possuem aromas leves, jovens, frutados, cítricos. Características que agradam aos mais diversos paladares, dos iniciantes aos mais experientes", conclui o enólogo.