COMPORTAMENTO
26/12/2018 00:00 -02 | Atualizado 26/12/2018 11:36 -02

38 filmes e séries para quem se interessa pela mente humana

Produções abordam os limites entre loucura e sanidade e enfatizam as nuances e obscuridades que marcam nosso modo de estar no mundo.

HuffPost Brasil
A série O Conto da Aia, baseada no livro homônimo da escritora canadense Margaret Atwood.

Ver-se na tela, ver-se além da tela. Os filmes e séries há muito emprestam seus diálogos e cenas para algum comentário sobre o desconhecido da mente humana e suas consequências. São veículos para tentar entender o que se passa com os desejos mais recônditos, com as atitudes mais imprevisíveis dos seres humanos e com o sofrimento por qual passamos. Onde as respostas não chegam para os questionamentos sobre quem de fato somos, os filmes e séries nos permitem imaginá-las.

Fizemos uma lista de alguns exemplares da arte e do entretenimento que nos convidam a uma maior aproximação da mente humana, de suas contradições e, por que não, da loucura presente em algumas vidas. São obras desconcertantes, ao mesmo tempo em que nos amparam justamente quando faltam as certezas sobre o mundo.

São filmes e séries de ficção e documentais que podem ser encontrados na televisão e em serviços de streaming, como Netflix, NET Now, Looke e Amazon. Já sabemos que todo recorte é limitado, então muitos ficarão de fora. Mas aqui vão alguns títulos para começo de conversa:

1. O Experimento de Milgram (Experimenter)

Michael Almereyda

EUA, 2015

Divulgação
O Experimento de Milgram

"Como foi possível pessoas normais, como nós na rotina diária, agirem desumanamente, sem nenhuma limitação da consciência?" Foi a partir dos horrores do nazismo que o cientista social Stanley Milgram se questionou sobre a capacidade humana de torturar alguém e de produzir sofrimento. O filme recria o polêmico experimento conduzido por ele na década de 60. Polêmico porque revelou as dimensões obscuras e possíveis dos seres humanos diante das relações de obediência, mas estas descobertas não foram recebidas calorosamente. Com atuações ótimas de Peter Sarsgaard e Winona Ryder, o filme é fundamental para entender a importância da responsabilidade na vivência coletiva e em tragédias como o Holocausto.

2. The Confession Tapes

Kelly Loudenberg

EUA, 2017

Divulgação
Confession Tapes

O que leva uma pessoa inocente a confessar um crime que não cometeu? A presunção de inocência é um dispositivo institucional, mas, para algumas pessoas, ela praticamente desaparece, voluntariamente. Foi assim quando a americana Karen Boes confirmou ter incendiando a própria casa, matando a filha de 14 anos. "Não me lembro de ter feito isso, não sei como aconteceu. Mas, aparentemente, fui eu." A série documental da Netflix traz seis casos reais nos Estados Unidos em que os condenados não cometerem os crimes em questão, mas se pronunciaram como seus autores. Moral, religião, pressão da sociedade e a consciência parecem convergir para transformar uma culpa inconsciente, advinda de outra situação, em uma culpa factual.

3. Black Mirror

Charlie Booker

Reino Unido, 2011

Divulgação
Black Mirror

Uma vida mediada pelos likes nas redes sociais, uma lente de contato que registra toda a memória factual dos acontecimentos, uma humanidade refém das características assassinas de um robô, os efeitos devastadores do ódio na internet. A antologia ficcional da série Black Mirror é tão assustadora quanto familiar porque aponta para uma vivência sombria, no presente e no futuro, das relações que mantemos com a tecnologia. Os roteiros e as ambientações garantem uma imersão quase que real do espectador, projetando-o para situações bastante desconfortáveis. O alívio vem com a noção de que é uma série - basta interromper a exibição para se "salvar" desta distopia, como o despertar de um pesadelo. Mas aí vem o questionamento mais desconcertante: quem garante que estas histórias permanecerão na ficção?

4. Holocausto Brasileiro

Daniela Arbex e Armando Mendz

Brasil, 2016

Jane Faria
Holocausto Brasileiro

Baseado no livro homônimo escrito pela jornalista Daniela Arbex, o documentário da HBO Brasil traz imagens e depoimentos inéditos sobre a tragédia ocorrida no Hospital Colônia, em Barbacena (MG), onde morreram 60 mil internos entre 1930 e 1980. Internados à força e tratados como "loucos", os pacientes foram submetidos ao frio, à fome e a doenças. Foram torturados, violentados e mortos. Seus cadáveres foram vendidos para faculdades de medicina, e as ossadas comercializadas. A violência, praticada pelo Estado, teve a conivência e o silêncio de médicos, funcionários e da população. Um episódio extremamente lamentável da história recente brasileira, e representante da luta antimanicomial, que defende o tratamento humanizado dos pacientes da saúde mental.

5. O Quarto de Jack (Room)

Lenny Abrahamson

EUA, 2015

Divulgação
O quarto de Jack

A despeito da premissa triste - um garoto e uma mãe que vivem em um cativeiro - o filme transborda sensibilidade e beleza por meio dos diálogos entre Jack, de cinco anos, e sua mãe, Ma. É ela quem sustenta o imaginário da criança e permite que Jack alimente seus sonhos mesmo dentro do confinamento. O lugar de origem é também um lugar de horrores, e aí entra a criatividade da dupla de fazer daquele quarto uma possibilidade de vida. A saída deste aprisionamento bem poderia ser a solução final, mas realisticamente deflagra uma série de conflitos e dificuldades. Daí vêm alguns dos momentos mais comoventes do filme e da atuação de Brie Larson, que venceu o Oscar de melhor atriz.

6. O Conto da Aia (The Handmaid's Tale)

Bruce Miller

EUA, 2017

Divulgação
O Conto da Aia

Um Estado totalitário passa a definir (mais justo dizer restringir) o papel da mulher em uma república militarizada. A violência que precede e que sustenta este tipo de regime deveria ser evidência suficiente para impedi-lo em qualquer canto do globo. Mas há mecanismos de obediência e de compactuação que tornam possíveis os horrores da humanidade, fazendo com que esta distopia baseada no livro homônimo de Margaret Atwood seja amargamente familiar. A série demonstra os processos de perda de subjetividade, o efeito do silenciamento das vozes dissonantes na sociedade e a importância da mediação do ódio. Requer estômago, mas devolve diversas reflexões fundamentais para nossa época.

7. The Sinner

Derek Simonds

EUA, 2017

Divulgação
The Sinner

Aquilo que nossa mente encobre é muito mais revelador do que imaginamos. Na primeira temporada da série The Sinner, acompanhamos a busca de Cora (Jessica Biel) por palavras que tragam à tona acontecimentos do passado e que signifiquem afetos inexplicáveis para ela, especialmente depois de um crime que abala toda uma comunidade. Nesta jornada de reconhecimento, o que ela conhece sobre si mesma é colocado em total suspensão, e cada descoberta feita chega sob o impacto de algo estranhamente familiar. O detetive Harry Ambrose, soterrado por passados não resolvidos, é quem conecta a primeira à segunda temporada, na qual se investiga as motivações de um improvável assassino.

8. Mindhunter

Joe Penhall

EUA, 2017

Divulgação
Mindhunter

Os catálogos dos serviços de streaming estão cheios de filmes e séries que investigam o que acontece na cabeça serial killers. Mas coube a David Fincher, diretor conhecido por O Clube da Luta, Garota Exemplar e Zodíaco, a melhor abordagem sobre o tema. O diferencial nesta série, que traz a investigação de dois detetives, está no reconhecimento da complexidade de mentes assassinas e na ênfase dada ao tipo de efeito que elas querem provocar, sobretudo na polícia. A ingenuidade e o sensacionalismo saem de cena e dão lugar à crueza e a desconcertantes diálogos sobre as perversidades humanas.

9. Wild Wild Country

Chapman e McClain Way

EUA, 2018

Divulgação
Wild Wild Country

Com filmagens da época e depoimentos inéditos, a Netflix conta a história da comunidade criada em torno do guru espiritual Osho nos EUA, recebida com hostilidade pelos habitantes da pequena Antelope, no Oregon. O confronto entre diferentes culturas, o choque diante da sexualidade alheia, o conflito bélico e o fanatismo diante de um líder messiânico fazem deste documentário em forma de série um poderoso testemunho sobre o alcance de uma crença.

10. Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)

Damián Szifron

Argentina, 2014

Divulgação
Relatos Selvagens

Dividido em cinco contos, este memorável longa argentino observa situações em que os seres humanos perdem as regras civilizatórias e rompem os freios que permitem a convivência em sociedade, especialmente em momentos de exaustão e humilhação. Tudo com muito humor, apelo ao absurdo e narrativas com as quais podemos nos identificar em determinada medida, como é o caso do episódio estrelado por Ricardo Darín, esfolado por uma burocracia que não leva em conta seus esforços diários como contribuinte. Há uma função vital na contenção dos próprios desejos. Já o surrealismo aparece justamente quando os personagens se expressam em sua faceta mais "sem filtro", digamos. O prólogo é hilário e dá uma pista da fronteira tênue entre loucura e sanidade.

11. 13 Reasons Why

Brian Yorkey

EUA, 2017

Divulgação
13 Reasons Why

Responsável por intensificar a busca por ajuda no CVV (Centro de Valorização da Vida), a série norte-americana baseada no livro de Jay Asher sobre o suicídio da adolescente Hannah não foi uma unanimidade. Recebeu críticas e sugestões de boicote pela sua exposição gráfica do suicídio, ao mesmo tempo em que foi elogiada por fazer circular massivamente um assunto tão tratado com polêmica ou silêncio. É diante deste mérito que a colocamos nesta lista. É uma série que conseguiu trazer o tema para as conversas de adolescentes, seus pais e professores. O tabu com que o suicídio é tratado impede sua prevenção; estar sensível ao sofrimento dos adolescentes, geralmente comunicado de maneira "cifrada", é passo fundamental para prevenir tragédias.

12. Amnésia (Memento)

Christopher Nolan

EUA, 2000

Divulgação
Amnésia

Diante de um assassinato, um homem tenta recuperar a própria vida em meio às constantes perdas da memória recente. É ela quem lhe oferece um chão para saber sobre o passado, mas é também quem compromete o futuro na medida em que favorece o engano. A narrativa inventiva, que confunde a cronologia, foi um dos trunfos deste filme que se tornou um cult pós-moderno. Mais tarde o diretor Christopher Nolan, conhecido pela mais sombria trilogia do Batman, iria explorar a noção de realidade ainda mais radicalmente com o filme A Origem.

13. Ferrugem

Aly Muritiba

Brasil, 2018

Divulgação
Ferrugem

Cyberbullying, exposição da vida íntima, falta de diálogo, sofrimento vivido em silêncio. O diretor Aly Muritiba tem um olhar certeiro e emergencial para as questões adolescentes neste filme que ganhou o Festival de Gramado deste ano. No longa, Tati perde o celular em um passeio da escola e depois descobre que um vídeo íntimo seu foi vazado na internet. O crime gera consequências trágicas e expõe a fragilidade das relações em uma era de pretensa conexão.

14. Cloverfield 10 (10 Cloverfield Lane)

Dan Trachtenberg

EUA, 2016

Divulgação
Cloverfield 10

Depois de sobreviver a um acidente, uma jovem acorda em um local desconhecido, de onde não pode sair. Ali estão dois homens igualmente inéditos na sua vida, e os eventos que se sucedem a deixam em uma permanente dúvida: estaria ela em segurança ou em perigo? Sua sanidade é colocada à prova e esta agonia é vivida pelo espectador, que também não sabe do que se trata. Resta acompanhá-la nas incertezas, especialmente sobre o que é real.

15. Maniac

Cary Joji Fukunaga, Patrick Somerville

EUA, 2018

Divulgação
Maniac

Emma Stone e Jonah Hill vivem à margem de suas famílias - e, pode-se acrescentar, das próprias vidas. Depressão e esquizofrenia rondam suas biografias, mas outros elementos começam a surgir quando um tratamento experimental da mente é comprometido por falhas e ambos têm acesso a conteúdos até então desconhecidos. Com toques do surrealismo de Twin Peaks, a série é inventiva na narrativa e exuberante na fotografia. Já seus diálogos e desfechos questionam as soluções imediatistas e químicas oferecidas ao sofrimento humano, apontando caminhos que passem pela singularidade de cada história de vida.

16. O Presente (The Gift)

Joel Edgerton

EUA, 2015

Matt Kennedy/STX Productions, LLC via AP
O Presente

Um casal reencontra um amigo do passado e as visitas do homem começam a ficar assíduas e inoportunas, o que estabelece um clima de desconfiança e paranoia. Aparecem fissuras no casamento e o passo sequencial é relacionar o problema ao velho conhecido que reapareceu, mas o desenrolar da história vai apresentando facetas e situações que embaralham as coordenadas de "certo" e "errado".

17. A Fita Branca (Das weiße Band - Eine deutsche Kindergeschichte)

Michael Haneke

Alemanha/Áustria/França/Itália, 2009

Divulgação
Fita Branca

É seguro dizer que o austríaco Michael Haneke é um produtor de mal-estar. Desde O Sétimo Continente, Funny Games, Caché e Amor ele cutuca feridas que denunciam perversidades, hipocrisias, falências morais e outros atributos pouco propagandeados dos seres humanos. Podemos ver este filme como uma espécie de metáfora para a gênese de regimes como o nazismo, em que a desumanização gradual se transforma em munição coletiva para os piores horrores. O foco aqui são crianças e eventos misteriosos em uma pequena cidade. Quando o Mal brota entre nós, temos capacidade de reconhecê-lo?

18. A Onda (Die Welle)

Dennis Gansel

Alemanha, 2008

Divulgação
A Onda

Ao falar da Fita Branca, não dá para não pensar neste filme alemão que mostra os processos de adesão fanática às ideias e a disposição em cumprir determinadas tarefas desumanas em prol de uma crença. Em 1921, no texto "Psicologia das massas e análise do eu", Freud já havia alertado para os perigos da identificação das massas com um líder. O filme, que retrata um trabalho escolar sobre o autoritarismo que foge do controle, é pura ilustração das considerações freudianas.

19. Sun Dogs

Jennifer Morrison

EUA, 2017

Divulgação
Sun Dogs

Ned Chipley é um jovem bastante obstinado. Quer ser oficial de guerra a todo custo. Vive o próprio sonho como uma realidade um tanto quanto chocante para quem o observa de fora. Mas, ao nos aproximarmos do mundo dele, como o faz a mãe dele, acabamos colocando alguns de nossos pragmatismos em perspectiva. Chacoalhar as próprias certezas é sempre um exercício árduo, mas bastante válido, especialmente se isto melhora a qualidade de nossas relações e nosso respeito com o outro. É a estreia de Jennifer Morrison, a Cameron, de "House", na direção.

20. Fragmentado (Split)

M. Night Shyamalan

EUA, 2016

Divulgação
Fragmentado

Não poderia faltar M. Night Shyamalan nesta lista. Afinal, há décadas ele vem se debruçando sobre os mistérios humanos e utilizando alienígenas, monstros e fantasmas para metaforizarem nossos aspectos mais obscuros e rejeitados. Neste filme, James McAvoy interpreta múltiplas personalidades - um total de 23, mas nem todas são mostradas. Todas são habitadas por uma única pessoa, e uma delas decide sequestrar três adolescentes. As cenas de terapia são impressionantes.

21. Stockholm

Rodrigo Sorogoyen

Espanha, 2013

Divulgação
Stockholm

O nome não remete à capital da Suécia. Quem assiste percebe que, possivelmente, é de outro tipo de Estocolmo de que se fala aqui. A premissa é um jovem espanhol tentando persuadir uma garota a ficar com ele. Ambos vão se conhecendo e permitindo proximidade, o que difere bastante de "intimidade". Este encontro vai alimentando uma tensão, sobretudo por conta dos diálogos. Tanto o enredo quanto o desfecho são surpreendentes e desconcertantes.

22. Filhos da Esperança (Children of Men)

Alfonso Cuáron

EUA/Reino Unido/Japão, 2006

Divulgação
Filhos da Esperança

Distopias são naturais candidatas à reflexão sobre a mente humana por colocarem em contraste a sociedade idealizada, utópica, baseada em ideais de justiça e harmonia, e aquela que resulta de excessos humanos, como o controle, o autoritarismo e a violência. O modo como nos relacionamos diz muito sobre nosso psiquismo. Como seriam as relações em um mundo dominado pela infertilidade e pela produção de refugiados? Certamente turbulentas, como mostra este filme.

23. Alias Grace

Mary Harron

Canadá, 2017

Divulgação
Alias Grace

A escritora canadense Margaret Atwood merece presença dupla na nossa lista por sua maestria em falar das nuances humanas, especialmente femininas. A jovem Grace Marks foi condenada por um crime, submetida a tratamentos violentos em um instituto psiquiátrico, e desacreditada de sua condição como alguém que pode ser mais do que uma vilã ou uma vítima. É esta ambivalência em Grace que permeia toda a trama e que deixa a narrativa ainda mais intrigante.

24. O Jantar (The Dinner)

Oren Moverman

EUA, 2017

Divulgação
O Jantar

Este é um daqueles filmes em que refletimos sobre as contradições humanas a partir dos méritos do roteiro. Os diálogos, aqui, são cáusticos e revelam um teatro de máscaras. O que de tão terrível elas escondem? Em uma linha narrativa, dois casais saem para jantar em um luxuoso restaurante. O encontro não é exatamente agradável e beira ao mal-estar. Mas é na outra narrativa, que acompanha os filhos destes casais, que o mal-estar reina.

25. O Castelo de Vidro (The Glass Castle)

Destin Daniel Cretton

EUA, 2017

Divulgação
O Castelo de Vidro

Baseado em uma história real, este comovente filme mostra os efeitos da criação parental sobre uma escritora e seus irmãos. O nomadismo e instabilidade financeira dos pais, interpretados por Naomi Watts e Woody Harrelson, são contrastados com o carinho oferecido aos filhos. Por meio de memórias, a personagem de Brie Larson reconstrói feridas atualizadas no presente. Enquanto isso, nos solidarizamos com seu desamparo ao mesmo tempo em que nos enternecemos com as atitudes dos pais.

26. Mistérios da Carne (Mysterious Skin)

Gregg Araki

EUA, 2005

Divulgação
Mistérios da Carne

Dois garotos tentam lidar, de maneiras particulares, com as terríveis consequências da pedofilia. A solidão, o desamparo e a revolta marcam as trajetórias deles e caracterizam muitos dos laços formados. É uma dura reflexão e as interpretações de Joseph Gordon-Lewitt e Brady Corbet asseguram o tom avassalador do acontecimento na infância.

27. Broken

Rufus Norris

Reino Unido, 2013

Divulgação
Broken

A pequena Skunk (que graciosamente lembra a Scout, de O Sol é para Todos) testemunha um violento ataque em sua vizinhança. Além de mudar tudo ao seu redor, o crime expõe aspectos cruéis da vida adulta que contrastam com seu olhar encantado pelo mundo. É uma potente narrativa sobre a perda da inocência e os rastros deixados pela intolerância.

28. Mary and Max

Adam Elliot

Austrália, 2009

Divulgação
Mary e Max

Nesta comovente animação, a australiana Mary, de apenas oito anos, começa a trocar cartas com o americano Max, em seus quarenta-e-poucos. A solidão é um forte agregador nesta improvável amizade, tanto que as correspondências atravessam 20 anos e acompanham a evolução de cada um deles. Lencinhos são bem-vindos.

29. Atypical

Robia Rashid

EUA, 2017

Divulgação
Atypical

Esta delicada série aborda os conflitos e a busca por independência do garoto Sam Gardner, diagnosticado com o transtorno do espectro do autismo. Além da presença de um protagonista incrível, a ausência de condescendência e o espaço generoso dado às histórias individuais de cada membro da família são os grandes diferenciais da série, dando verossimilhança aos problemas enfrentados. É praticamente impossível não torcer por Sam em seus movimentos rumo à vida adulta, além de rir e chorar com as questões vividas pelos pais, pela irmã e por sua terapeuta.

30. The End of the F***ing World

Charlie Covell

Reino Unido, 2017

Divulgação
The end of the fucking world

Na premissa temos um adolescente decidido a se tornar psicopata que se envolve com a garota "escolhida" para ser a primeira vítima. Uma sucessão de erros coloca os planos em suspensão, e em paralelo passamos a conhecer com mais profundidade esta estranha aliança que vai se formando entre James e Alyssa. Os dois começam uma busca pelo pai dela e aí já não falamos mais para não estragar as coisas. Mas é importante saber o rol variado de emoções convocadas: da surpresa com o absurdo vamos ao riso e até mesmo ao choro.

31. Yonlu

Hique Montanari

Brasil, 2018

Divulgação
Yonlu

Yonlu é o nome adotado por Vinicius Gageiro, um adolescente de Porto Alegre com muitos talentos artísticos. Em 2006, aos 16 anos, o garoto, que tinha seu sofrimento acompanhado e passava por um tratamento de saúde mental, seguiu as dicas de um fórum virtual de incentivo ao suicídio e se matou. O ato foi transmitido pela internet. Para falar desta triste história real por meio de uma ficção, o diretor Hique Montanari desvia do sensacionalismo que cerca o suicídio e aposta em uma linguagem que tenta transmitir os tormentos vividos pelo adolescente e a música como sua tentativa de dar sentido à dor. O que importa ali é a reflexão sobre o garoto, com seus gostos, sua história, suas particularidades, e não sobre um suicida, como se o suicídio o definisse. Particularizar a situação é um movimento bastante importante para discutir o tema, especialmente pela urgência de sua prevenção.

32. The Fall

Allan Cubitt

Reino Unido, 2013

Divulgação
The Fall

Saudosos da Agente Scully, de Arquivo X, vão ficar grudados na tela com esta série protagonizada por ela. Aqui Gillian Anderson interpreta uma detetive que investiga uma série de assassinatos de mulheres. Desde o começo sabemos quem é o assassino, e os capítulos apresentam camadas que embaralham a suposta obviedade no encontro entre polícia e bandido. Quando os caminhos de ambos se cruzam, o resultado é perturbador. É uma série fundamental para pensar a misoginia e os dispositivos necessários de proteção da mulher na sociedade.

33. Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)

Lynne Ramsay

EUA, 2011

Divulgação
Precisamos falar sobre o Kevin

Como vive a "mãe de um monstro"? Esta é a complicada questão que este filme, baseado no livro homônimo de Lionel Shriver, se propõe a fazer. O talentoso Ezra Miller interpreta Kevin, um adolescente com comportamentos cruéis e cujas ações deixam sua mãe, Eva (Tilda Swinton, em atuação memorável), completamente perplexa. Ela se pergunta se tem culpa nos crimes cometidos pelo filho. O filme é uma dolorosa ficção que encontra ressonância em casos reais, como os assassinatos em massa cometidos por adolescentes - a tragédia na escola Columbine, em 1999, é um deles.

34. A Caça (The Hunt)

Thomas Vinterberg

Dinamarca, 2012

Divulgação
A caça

O diretor dinamarquês Thomas Vinterberg é conhecido por colocar o dedo em feridas bastante incômodas – vide Festa de Família (1998), que expõe a toxicidade nas relações familiares, e Querida Wendy (2004), que questiona as sociedades armamentistas. O que norteia A Caça é uma acusação de pedofilia. Não há delicadeza no tratamento do assunto, mas também não há exploração sensacionalista. Mas para o diretor, o que interessa discutir são as ciladas moralistas nas quais nos colocamos diariamente, bem como as armadilhas cruéis do justiçamento e da destruição de reputações – tão em voga nas redes sociais. Mads Mikkelsen foi merecidamente premiado no Festival de Cannes por sua atuação. Prepare o lencinho, pois será necessário. O filme é fundamental para uma época de reações inflamadas da era digital.

35. O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus Ojos)

Juan José Campanella

Argentina, 2009

Divulgação
O Segredo dos Seus Olhos

Neste belíssimo drama policial estrelado por Ricardo Darín, acompanhamos os diferentes rumos tomados em nome do amor. A investigação de um crime brutal aos poucos vai se revelando como uma investigação das relações humanas e da complexidade dos sujeitos. Não há qualquer tipo de previsibilidade na trama. O filme venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010.

36. As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower)

Stephen Chbosky

EUA, 2012

Divulgação
As vantagens de ser invisível

Logan Lerman e Emma Watson estão inesquecíveis neste delicado filme sobre a difícil vivência da adolescência quando situações de sofrimento até então "abafadas" resolvem romper o silêncio. As temáticas são pesadas, mas a sensibilidade na abordagem oferece contexto aos acontecimentos e desperta empatia pelos personagens. Um vitorioso filme na exposição de conflitos de adolescentes, frequentemente subestimados em nome da imaturidade e da impulsividade. Para quem gostou da série 13 Reasons Why, da qual falamos aqui, o filme pode ser um acerto.

37. Mais Forte que Bombas (Louder than Bombs)

Joachim Trier

Noruega/França/Dinamarca, 2015

Divulgação
Mais Fortes que Bombas

Quão fraturado pode ser o interior de uma família? Isabelle Ruppert e Gabriel Byrne levam suas atuações a um impressionante e silencioso duelo, expondo feridas aparentemente cicatrizadas do casamento e da criação dos filhos. O ponto de partida do filme é a morte, mas cada conflito gerado no luto é, na verdade, uma construção necessária de vida. Jesse Eisenberg dá a profundidade necessária ao filho mais velho, mas a revelação é o garoto Devin Druid, o Tyler de 13 Reasons Why.

38. Os Suspeitos (Prisoners)

Dennis Villeneuve

EUA, 2013

Divulgação
Os Suspeitos

Eis um suspense altamente angustiante tanto pelo conteúdo quanto pela forma. O diretor canadense Dennis Villeneuve, do indicado ao Oscar A Chegada, tem conquistado mais e mais fãs com seu olhar atento às contradições humanas. O rapto de duas crianças dá início a um duelo bastante incômodo entre a Justiça e o justiçamento, a confiança e a sensação de desamparo. Hugh Jackman interpreta o pai obstinado a encontrar a filha, enquanto Jake Gyllenhaal é o detetive que tenta dar contornos de credibilidade à desacreditada instituição que é a polícia. De dar nó no estômago.