ENTRETENIMENTO
23/12/2018 16:12 -02 | Atualizado 23/12/2018 20:30 -02

'Turma da Mônica - Laços': Diretor fala do desafio de dar vida a ícones da cultura pop

"Se os olhos do Maurício de Sousa estão brilhando, então está tudo certo", diz Daniel Rezende sobre o segundo longa de sua carreira.

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Diretor do aclamado

Como editor, Daniel Rezende mostra toda a sua experiência com um currículo de peso. Ele assina a edição de grandes filmes brasileiros e produções internacionais como Cidade de Deus, Diários de Motocicleta, Tropa de Elite e A Árvore da Vida.

Já na direção, o cineasta à frente do primeiro filme em live-action da Turma da Mônica é quase um novato. Antes do ambicioso projeto de dar vida aos icônicos personagens criados por Maurício de Sousa, Rezende dirigiu apenas um filme (mas que filme!), Bingo: O Rei das Manhãs. Produção que chamou a atenção da crítica e do público no País, no ano passado.

Mas nada que assuste o diretor. "Quando os olhos do Maurício brilharam, sabíamos que pelo menos no caminho errado não estávamos", disse o confiante Rezende, que prefere nem pensar muito sobre a estreia do aguardadíssimo Turma da Mônica: Laços, que chega aos cinemas no dia 27 de junho de 2019.

Em sua passagem pela CCXP, quando o trailer do filme foi mostrado pela primeira vez, o cineasta bateu um papo com o HuffPost Brasil sobre o desafio de dar vida a Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e mais uma dezena de personagens tão significativos da cultura pop brasileira.

Huffpost Brasil: Como foi fazer um filme com personagens que marcaram (e ainda marcam) a vida de tantas pessoas?

Daniel Rezende: Adaptar Turma da Mônica sempre foi um desafio brutal. Enorme. Você está mexendo de alguma forma com o imaginário coletivo de 200 milhões de brasileiros. Quanto mais gente você ouve, mais difícil é agradar todo mundo. O que eu e toda a produção colocamos como meta é que a ideia era fazer algo que fizesse os olhos do Maurício (de Sousa) brilharem. Em todo o processo, desde o roteiro, escolha de elenco, locação, cenário, figurino... os olhos dele brilharam. Quando os olhos do criador estão brilhando, sabemos que pelo menos no caminho errado não estamos.

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Mônica (Giulia Benitte), Magali (Laura Rauseo), Cebolinha (Kevin Vechiatto) e Cascão (Gabriel Moreira) em cena de "Turma da Mônica: Laços".

Tudo passou pelo crivo do Maurício de Sousa?

Ele deu muita liberdade para fazermos o filme, mas ele aprovou tudo. Tudo passava de alguma forma por ele. Mas, felizmente, ele gostou de quase tudo que apresentamos. Todos da equipe que formamos cresceram com esse universo da Turma da Mônica. Tudo foi feito com muito amor e carinho.

Como vocês escolheram o grupo de crianças?

Passamos por um processo que começou com 7.500 crianças inscritas para fazer teste. Foram mais de 2.000 testes presenciais. Primeiro identificamos quem tinha características que nos chamavam a atenção só de olhar para elas. Depois dessa primeira triagem, escolhemos as que tinham essas características que mais se aproximavam dos personagens. Não sei se acredito na palavra "sorte", mas nós demos muita sorte de achar crianças maravilhosas e que tinham tudo a ver com os personagens.

Mas isso também foi fruto de muito trabalho para chegar às 4. Quando as apresentamos ao Maurício, ele disse que, quando criou os personagens, tinha exatamente aquelas imagens de crianças na cabeça. Depois de ouvir ele falando isso, sabíamos que estávamos no caminho certo.

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Daniel Rezende dirige o quarteto de crianças protagonistas da versão live-action da Turma da Mônica.

E como foi trabalhar ao mesmo tempo com crianças e com profissionais experientes como o Rodrigo Santoro, um ator famoso internacionalmente?

Cada filme tem o seu processo, cada diretor tem seu processo e cada ator tem seu processo. A inteligência na direção é saber como conduzir todos esses fatores para todo mundo convergir no filme. Com as crianças... O Kevin (Vechiatto, que interpreta o Cebolinha) já tinha feito novela, mas os outros 3 não. O processo que usei com elas foi que não deixei que nenhum deles lesse o roteiro. Eu não queria que eles decorassem as falas. Não queria que as coisas ficassem marcadinhas. Todas elas já tinham lido os quadrinhos da Turma da Mônica e conheciam os personagens, mas o roteiro eles nunca leram. Até hoje eles não sabem exatamente o filme que fizeram. Foi um processo de buscar a cena junto com eles. Vendo como cada um deles trazia o seu personagem.

Já com os atores adultos foi diferente, claro. Com o Rodrigo, com a Mônica (Iozzi), com o Paulinho (Vilhena)... Com cada um deles foi um processo diferente. Mas nesse filme, o grupo das crianças sempre foi a prioridade. Prioridade da luz, da direção de arte, do figurino, da maquiagem... Sempre era 'o que precisamos fazer para que eles estivessem plenos para poderem fazer o que tinham de fazer?' E eles são crianças, né. Há um limite do quanto você consegue fazer com que elas trabalhem, se esforcem. Nós sempre respeitamos muito a hora de estudo deles, a hora de descanso. Todos os sets que montamos tinham um lounge onde eles podiam brincar.

Agora que está chegando a estreia, você está nervoso com a recepção do público? Como você disse, são 200 milhões de fãs da Turma da Mônica!

Eu uso uma técnica maravilhosa: finjo que não é comigo. Olha, se os olhos do Maurício estão brilhando, então está tudo certo. Se o filme emocionar os brasileiros, os filhos, os pais, os avós e os tios como emocionou a todos nós da equipe e o Maurício, eu não poderia ter uma alegria maior na vida. Poder pegar o maior ícone da nossa cultura pop e poder trazer de uma maneira que nunca ninguém viu e emocionar as pessoas da mesma forma que essa turminha vem fazendo há muitas décadas é algo incrível.