POLÍTICA
21/12/2018 19:15 -02 | Atualizado 21/12/2018 19:31 -02

Flávio Bolsonaro é chamado a prestar esclarecimento sobre contas de ex-assessor

Ministério Público sugeriu que oitiva seja realizada em 10 de janeiro.

Mateus Bonomi/AGIF/Sipa USA
Ex-assessor de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 1,2 milhão de forma atípica, entre 2016 e 2017.

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, foi chamado para prestar esclarecimentos ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sobre movimentação financeira atípica de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que não compareceu nesta sexta-feira (21) --pela segunda vez-- a depoimento marcado pelo MP-RJ.

O órgão sugeriu que a oitiva de Flávio Bolsonaro seja realizada em 10 de janeiro de 2019, quando seu pai já terá tomado posse como presidente da República, mas informou que o parlamentar tem a prerrogativa de escolher a melhor data para comparecer.

"O MP-RJ esclarece que, dando prosseguimento às investigações, será enviado ofício ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sugerindo o comparecimento do deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro, no dia 10/01, para que preste esclarecimentos acerca dos fatos", diz o Ministério Público, em nota.

A decisão de chamar o filho do futuro presidente para prestar esclarecimentos ocorreu após Queiroz ter alegado problemas de saúde pela segunda vez para não comparecer a depoimento para explicar movimentação atípica de mais de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, identificada pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O depoimento do ex-motorista de Flávio Bolsonaro estava marcado originalmente para quarta-feira (19), quando ele não compareceu pela primeira vez.

De acordo com o MP-RJ, o advogado de Queiroz informou nesta sexta que seu cliente "precisou ser internado, na data de hoje, para realização de um procedimento invasivo com anestesia, o que será devidamente comprovado, posteriormente, através dos respectivos laudos médicos".

O Ministério Público também informou que decidiu chamar parentes de Queiroz para prestar esclarecimentos no âmbito da investigação.

De acordo com o relatório do Coaf, a movimentação suspeita de Queiroz inclui depósitos à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente eleito justificou os depósitos afirmando que eram pagamentos de um empréstimo que havia feito a Queiroz e disse que, se tiver errado por não ter registrado a operação na declaração do Imposto de Renda, irá reparar o erro.

O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), afirmou à Reuters que não está preocupado com o impacto que o caso pode causar no início do governo Bolsonaro. "Isso não preocupa...Aguardo o desenrolar do caso", declarou Mourão.

Na terça-feira (18), ao ser questionado por jornalistas, Flávio Bolsonaro disse ter conversado recentemente com Queiroz e ouvido do ex-assessor como justificativa para a movimentação financeira atípica que ele tinha gerido recursos da família no período apontado pelo Coaf.

Assessores do parlamentar não estavam disponíveis de imediato nesta sexta-feira para comentar a decisão do MP-RJ.