20/12/2018 12:47 -02 | Atualizado 20/12/2018 12:48 -02

Como o projeto de integração do Rio São Francisco leva água a milhões

Quase 200 anos depois, ele está finalmente pronto.

Divulgação
Projeto de Integração do rio São Francisco - Eixo Norte

A seca sempre fez parte da história do Nordeste brasileiro, sendo relatada desde o século 16, segundo o escritor Euclides da Cunha, em seu livro "Os Sertões", de 1902. Já são pelo menos 45 secas registradas na região - quase sempre com efeitos devastadores sobre a população. Em 1777-1780, por exemplo, quase 85% do gado e metade dos habitantes morreram por causa da fome e da falta de água. Graves secas também foram registradas nos anos 1980 e 1990, e também nos últimos anos.

Por esse motivo, o projeto de levar parte das águas do rio São Francisco - responsável por 70% de toda a oferta de água da região - a regiões sem segurança hídrica existe desde o Brasil Colônia. Quase 200 anos depois, ele está finalmente pronto. Em março de 2017, o presidente Michel Temer inaugurou um dos eixos do projeto. Agora, as obras do outro eixo chegam à sua conclusão. Mais de 12 milhões de pessoas terão acesso garantido à água.

Como levar as águas do rio para o semiárido?

Ministério da Integração Nacional
Como o projeto de integração do Rio São Francisco leva água a milhões

O projeto de integração do rio São Francisco consiste basicamente em levar as águas a reservatórios - transformando rios intermitentes em perenes. São dois eixos: o norte (260 km, atingindo os estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba, e Rio Grande do Norte) e o leste (217 km, percorrendo Pernambuco e Paraíba).

A água pode percorrer o caminho de duas formas: por meio da gravidade (quando o canal tem um pequeno declive, de aproximadamente 3 graus), ou por meio de estações de bombeamento. No total, são 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, e 270 quilômetros de linhas de transmissão de alta tensão.

O caminho é longo, e pode ser resumido em algumas etapas:

  1. A água sai do leito do rio e desce, por força da gravidade, até uma estação de bombeamento;



  2. Lá, ela é enviada de volta aos canais, e a gravidade volta a ditar o ritmo do trajeto;



  3. Para que o fluxo tenha um ritmo constante, a água passa por aquedutos e túneis subterrâneos;



  4. Ao longo do caminho, comunidades vizinhas podem se beneficiar da água que vai correr perto delas;



  5. A água que circula pelos canais e dutos chega até reservatórios, onde poderá ser usada para a produção de energia elétrica.



  6. Dos reservatórios, a água vai chegar às torneiras das casas por meio de planos de saneamento básico e sistemas de abastecimento.

Há impactos ambientais?

O projeto de integração do rio São Francisco foi idealizado para causar o menor impacto ambiental possível no ecossistema da Bacia do São Francisco. Menos de 2% das águas do rio serão utilizadas para abastecer ambos os eixos.

Para evitar qualquer desequilíbrio ambiental, o governo federal lançou, em agosto de 2016, o Plano Novo Chico - um programa de revitalização da bacia hidrográfica do maior rio totalmente brasileiro. Até 2026, será lançada uma série de projetos em cinco eixos: saneamento básico, controle de poluição e obras hídricas, proteção e uso dos recursos naturais, economias sustentáveis, gestão ambiental, e planejamento e monitoramento.

Somente em Minas Gerais, o Ministério da Integração Nacional anunciou 65 milhões de reais em investimentos até o ano que vem. O orçamento será destinado a revitalizar 1.800 nascentes e 1.400 quilômetros de matas ciliares e mata de topo. Além disso, serão construídas 69.000 bacias de captação de enxurrada.

Minas Gerais é o segundo estado com maior contribuição hídrica à bacia do São Francisco - e, por isso, é prioritário no Plano Novo Chico.