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19/12/2018 17:03 -02 | Atualizado 19/12/2018 17:06 -02

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro não comparece a depoimento sobre movimentações financeiras

Advogados de Fabrício Queiroz justificaram que não tiveram tempo para analisar autos da investigação.

ASSOCIATED PRESS
Flávio Bolsonaro já havia dito que quem deve responder por movimentação financeira atípica é seu ex-assessor e não ele.

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), não compareceu a depoimento marcado para esta quarta-feira (19) no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para prestar explicações sobre movimentação atípica identificada em sua conta bancária pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), informou o MPRJ.

Segundo o Ministério Público, advogados de Queiroz disseram que o cliente apresentou um problema súbito de saúde que o impediu de comparecer, e a defesa do ex-assessor parlamentar do filho do presidente eleito Jair Bolsonaro também alegou que não teve tempo hábil para analisar o processo.

"Os advogados de defesa de Fabrício comunicaram... que não tiveram tempo hábil para analisar os autos da investigação e relataram que seu cliente teve inesperada crise de saúde e estaria em atendimento para a realização de exames médicos de urgência, acompanhado de sua família", disse o MPRJ em nota.

"Em razão disso, o advogado solicitou o adiamento das oitivas e requereu cópia dos autos da investigação", acrescentou o Ministério Público, informando que o depoimento foi remarcado para sexta-feira.

De acordo com relatório do Coaf, Queiroz movimentou de forma suspeita 1,2 milhão de reais entre 2016 e 2017, incluindo depósitos à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito.

Jair Bolsonaro justificou os depósitos afirmando que eram pagamentos de um empréstimo que havia feito a Queiroz no passado, e disse que se tiver errado por não ter registrado a operação na declaração do Imposto de Renda irá reparar o erro.

Na terça-feira, Flávio Bolsonaro sugeriu que o vazamento das informações sobre as movimentações financeiras suspeitas do ex-assessor seria uma tentativa de atingir e desestabilizar o futuro governo de seu pai.

O senador eleito disse ainda ter conversado recentemente com Queiroz e ouvido do ex-assessor como justificativa para a movimentação financeira que ele tinha gerido recursos da família no período apontado pelo Coaf.