ENTRETENIMENTO
18/12/2018 12:48 -02 | Atualizado 18/12/2018 13:37 -02

O fim de ano em que a vinheta da Globo teve apenas artistas negros

“Axé, axé... Axé pra todo mundo, axé.”

Montagem/Reprodução/TV Globo
Elza Soares, Gilberto Gil, Jorge Lafond e Tim Maia participaram da vinheta especial em 1987.

"Axé, axé... Axé pra todo mundo, axé."

Em 1987, a TV Globo realizou sua tradicional vinheta de fim de ano com muito axé - termo iorubá presente no candomblé, cujo significado é uma combinação de poder, energia e força positiva. Apenas artistas e jornalistas negros da emissora participaram do registro, que celebrava o centenário da abolição da escravatura - comemorado oficialmente no ano seguinte.

Tim Maia, Elza Soares, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento, Leci Brandão, Jair Rodrigues, Sandra de Sá, Alcione e Agnaldo Timóteo foram alguns dos cantores que soltaram a voz no palco. O evento de celebração da negritude brasileira reuniu também dezenas de outros expoentes do entretenimento brasileiro, incluindo Jorge Lafond, Tony Tornado, Milton Gonçalves e Ruth de Sousa.

Veja um trecho da vinheta no player abaixo. O clipe completo você assiste clicando aqui.

Trinta e um anos após a vinheta especial, o cenário na emissora é outro. No início de dezembro, o site Notícias da TV publicou uma reportagem que aponta uso de truques de edição por parte da emissora a fim de destacar os poucos artistas negros presentes na vinheta de 2018.

Segundo a reportagem, mais de 300 pessoas participaram das gravações, entre jornalistas, apresentadores e artistas. O resultado, no ar desde 25 de novembro, é um clipe de 2 minutos e meio (veja abaixo).

Hoje, o espectador acompanha nos intervalos da programação versões reduzidas, que podem variar de 30 segundos a 1 minuto. Segundo apuração do Notícias da TV, em pelo menos uma dessas versões curtas, um ator negro aparece até três vezes - que dá a impressão de que são maioria na tela.

Além disso, em maio passado, a Globo também enfrentou críticas pela ausência de negros no elenco da novela Segundo Sol, cuja trama era ambientada na Bahia, local em que 76% dos habitantes se declaram pretos ou pardos - segundo dados do IBGE divulgados em 2013.

Em comunicado divulgado pelo site, a emissora afirmou que na vinheta deste ano não há "distinção ou valorização de um talento em detrimento do outro". Segundo a Globo, foram realizadas diferentes edições "para que todos tenham a oportunidade de aparecer em pelo menos uma das versões".

Sobre o episódio controverso de Segundo Sol, a globo classificou a polêmica como "superada" e informou que o folhetim de João Emanuel Carneiro contou com a participação de 120 atrizes e atores negros.

No comunicado, a emissora também afirmou que tem hoje 50 profissionais negros, entre atores e apresentadores. Por trás das câmeras, segundo a Globo, estão ainda outros 21 profissionais negros na área criação, que inclui autores, diretores, assistentes de direção e pesquisadores.