18/12/2018 15:25 -02 | Atualizado 18/12/2018 15:26 -02

Integração do Rio São Francisco: até onde essa obra chegou

A ideia é levar água em direção ao norte e ao leste do Nordeste, chegando a estados que tradicionalmente sofrem mais com a seca.

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Integração do Rio São Francisco: até onde essa obra chegou

A integração do Rio São Francisco é uma das obras mais importantes da história do país. Em primeiro lugar, ela está garantindo a segurança hídrica de mais de 1 milhão de pessoas nos estados de Pernambuco e da Paraíba, locais que sofrem historicamente com a estiagem. A obra visa a redistribuir a oferta hídrica, uma vez que o Rio São Francisco é responsável por 70% da água disponível no Nordeste.

Para fazer isso, o Projeto de Integração do Rio São Francisco interliga o Rio São Francisco, que tem mais de 2.800 quilômetros de extensão e atravessa cinco estados brasileiros. Sua bacia hidrográfica tem 640 mil quilômetros quadrados - o equivalente à área de França.

O projeto de integração do rio leva a água a sistemas e bacias hídricas que antes não eram alimentados por ele. Isso é feito por meio da construção de canais e bombeamento. Na verdade, o curso do São Francisco não é desviado; uma parte de sua água é levada a regiões que sofrem com a seca. O Velho Chico nasce em Minas Gerais, na Serra da Canastra. Seu percurso final o leva ao Oceano Atlântico, em Alagoas.

A ideia do projeto é a de levar água em direção ao norte e ao leste do Nordeste, chegando a estados que tradicionalmente sofrem mais com a seca: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Para isso acontecer foram construídos dois eixos: o Leste (que vai na direção de Campina Grande, na Paraíba), e o Norte, que chega aos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, e Rio Grande do Norte.

No total, são 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento e 27 reservatórios. O rio, no entanto, faz parte de um sistema hídrico que será beneficiado como um todo com o redirecionamento das águas.

Serão beneficiadas as bacias de Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e bacias do Agreste (Pernambuco); Jaguaribe e Metropolitanas (Ceará); Apodi e Piranhas-Açu, (Rio Grande do Norte); Paraíba e Piranhas, (Paraíba). Com a integração, 23 açudes serão recuperados e os novos reservatórios vão alimentar o agreste nordestino com a tão preciosa água. Tanto grandes cidades como Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Mossoró, Campina Grande, Caruaru, quanto pequenos e médios municípios serão beneficiados.

Campina Grande, por exemplo, que fica no Eixo Leste, sofria com constantes desabastecimentos. Em 2017, o açude Boqueirão, única fonte de água local, tinha 2,9% da capacidade - nível mais baixo registrado desde 1957. Quando a obra da integração chegou à cidade, a vida dos moradores mudou. O racionamento acabou e o abastecimento foi normalizado. Essa é a nova realidade não só ali, como em outros 35 munícipios dos estados de Pernambuco e da Paraíba. São mais de 1 milhão de pessoas atendidas.

Durante décadas, parecia impossível que o semiárido nordestino pudesse parar de sofrer com a seca. A Integração do Rio São Francisco mostra que não apenas é possível melhorar a vida de milhões, como também resolver um problema que parecia fadado a ser eterno.