POLÍTICA
18/12/2018 20:34 -02 | Atualizado 11/01/2019 08:07 -02

Bolsonaro diz que migração aumenta intolerância e que vai deixar pacto da ONU

"Não somos contra imigrantes, mas, para entrar no Brasil, tem que ter um critério bastante rigoroso", afirmou.

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O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse, na noite desta terça-feira (18), que o aumento do fluxo migratório pode levar ao crescimento da intolerância e citou a França como exemplo de país onde está "absolutamente impossível viver".

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, ele ainda confirmou que seu governo vai retirar o Brasil do Pacto para Migração da ONU, assinado pelo chanceler Aloysio Nunes no último dia 10.

"Está absolutamente insuportável viver em alguns locais da França, e a tendência é aumentar a intolerância", disse Bolsonaro. "Vocês sabem da história dessa gente, eles têm algo dentro de si e não abandonam as suas raízes, querem fazer valer a sua cultura, os seus direitos lá de trás e os seus privilégios. A França está sofrendo com isso."

Bolsonaro disse que não é contra a entrada de imigrantes, mas defendeu que o Brasil adote mecanismos de controle.

"Não somos contra imigrantes, mas, para entrar no Brasil, tem que ter um critério bastante rigoroso. No que depender de mim, enquanto chefe de Estado, não entrarão. Vamos revogar esse Pacto pela Migração. Não podemos concordar com isso", afirmou.

A possibilidade de o Brasil deixar o pacto já havia sido anunciada pelo futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

O Pacto Mundial para a Migração é um documento que destaca 23 propostas de cooperação internacional para melhor gerenciar a migração internacional. Entre as sugestões está, por exemplo, um esforço para melhorar as condições dos países de origem e reduzir a fuga de seus territórios.

De acordo com a ONU, o pacto não permite que a organização imponha políticas de migração aos Estados membros.

Obras de arte sacra

Bolsonaro iniciou a transmissão dizendo que é "mentira" que sua mulher, Michelle Bolsonaro, tenha pedido a retirada de obras de arte sacra do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. A informação foi divulgada na segunda-feira (18) pelo jornal Folha de S.Paulo.

"Minha esposa não falou absolutamente nada. Eu sou católico, ela é evangélica, e nos respeitamos. Assim que tem que ser. Entre nós não existe conflito religioso, somos cristãos", afirmou.

"Eu queria avisar a alguns órgãos de imprensa que a eleição já acabou. Se o objetivo é desgastar, tudo bem, mas eu acho que esse tipo de jornalismo não é produtivo, não é bom para o Brasil", completou Bolsonaro.