18/12/2018 15:03 -02 | Atualizado 18/12/2018 16:23 -02

Bacia do São Francisco: coração do Nordeste

A bacia hidrográfica do rio São Francisco tem área que equivale ao território da França.

Divulgação
Bacia do São Francisco: coração do Nordeste

Ao longo dos seus 2.800 quilômetros de extensão, o Rio São Francisco atravessa cinco estados brasileiros - desde a nascente, em Minas Gerais, até a foz, em Sergipe - passando por Bahia, Pernambuco, e Alagoas. Sua bacia hidrográfica se estende por 640 mil quilômetros quadrados - uma área que equivale ao território francês. Para milhares de pessoas no semiárido nordestino, o Velho Chico é a única fonte de água potável, e representa 70% da oferta de água da região.

O São Francisco tem uma importância fundamental desde o início da colonização do Brasil. Foi um dos primeiros rios navegados e ocupados - e foi às suas margens que a pecuária brasileira se desenvolveu. Por ligar o Nordeste ao Sudeste, é também chamado de "rio da integração nacional". Sem falar no seu potencial energético - com seis usinas hidroelétricas ao longo do seu leito. Graças às águas do São Francisco, inúmeros produtores de frutas conseguem irrigar suas plantações e produzir frutas de altíssima qualidade - vendidas tanto no Brasil quanto no exterior.

As regiões por onde o rio passa apresentam os mais diversos biomas, como a Mata Atlântica, o cerrado, o mangue, e a vegetação litorânea. Além do São Francisco, a bacia que leva o nome do mais extenso rio totalmente "brasileiro" conta com seus 168 afluentes. Os principais são os rios Paraopeba, Abaeté, das Velhas, Jequitaí, Paracatu, entre outros.

Ministério da Integração Nacional
Bacia do São Francisco: coração do Nordeste

Integração do Velho Chico

A importância do rio é o que levou ao projeto de integração do São Francisco. O projeto consiste em integrar uma pequena parcela da água que seria desaguada no mar a regiões castigadas pela seca. São dois eixos: o Leste (que vai na direção de Campina Grande, na Paraíba), e o Norte, que atinge os estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, e Rio Grande do Norte. No total, são 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, e 270 quilômetros de linhas de transmissão de alta tensão. É nada menos que o maior projeto de infraestrutura hídrica do país.

A obra é pensada no Brasil desde os tempos da colônia, e o imperador Dom Pedro II chegou a fazer estudos para realizar o projeto - visto desde aquela época como a única solução para o problema da seca. A obra, porém, só seria inaugurada 171 anos depois, pelo presidente Michel Temer, em março de 2017.

Graças à integração do Velho Chico ao semiárido, mais de 12 milhões de pessoas em 390 municípios terão segurança hídrica. A integração já transforma rios intermitentes em perenes, e leva água a reservatórios que até o ano passado estavam no volume morto. É o caso do açude Boqueirão - única fonte de abastecimento de Campina Grande. No início de 2017, estava no menor nível já registrado.

Desde abril daquele ano, porém, quando a água do São Francisco foi bombeada para lá, o açude recuperou seu volume. Mais de um milhão de pessoas em Campina Grande e municípios vizinhos passaram a ter acesso à água do Velho Chico.

O projeto se faz ainda mais importante em função de questões climáticas recentes. Entre 2012 e 2017, o semiárido passou pela pior seca já registrada no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

A boa notícia é que agora os sertanejos não dependem apenas de São Pedro.