Bacia do São Francisco: coração do Nordeste

A bacia hidrográfica do rio São Francisco tem área que equivale ao território da França.
Bacia do São Francisco: coração do Nordeste
Bacia do São Francisco: coração do Nordeste

Ao longo dos seus 2.800 quilômetros de extensão, o Rio São Francisco atravessa cinco estados brasileiros - desde a nascente, em Minas Gerais, até a foz, em Sergipe - passando por Bahia, Pernambuco, e Alagoas. Sua bacia hidrográfica se estende por 640 mil quilômetros quadrados - uma área que equivale ao território francês. Para milhares de pessoas no semiárido nordestino, o Velho Chico é a única fonte de água potável, e representa 70% da oferta de água da região.

O São Francisco tem uma importância fundamental desde o início da colonização do Brasil. Foi um dos primeiros rios navegados e ocupados - e foi às suas margens que a pecuária brasileira se desenvolveu. Por ligar o Nordeste ao Sudeste, é também chamado de "rio da integração nacional". Sem falar no seu potencial energético - com seis usinas hidroelétricas ao longo do seu leito. Graças às águas do São Francisco, inúmeros produtores de frutas conseguem irrigar suas plantações e produzir frutas de altíssima qualidade - vendidas tanto no Brasil quanto no exterior.

As regiões por onde o rio passa apresentam os mais diversos biomas, como a Mata Atlântica, o cerrado, o mangue, e a vegetação litorânea. Além do São Francisco, a bacia que leva o nome do mais extenso rio totalmente "brasileiro" conta com seus 168 afluentes. Os principais são os rios Paraopeba, Abaeté, das Velhas, Jequitaí, Paracatu, entre outros.

Bacia do São Francisco: coração do Nordeste
Bacia do São Francisco: coração do Nordeste

Integração do Velho Chico

A importância do rio é o que levou ao projeto de integração do São Francisco. O projeto consiste em integrar uma pequena parcela da água que seria desaguada no mar a regiões castigadas pela seca. São dois eixos: o Leste (que vai na direção de Campina Grande, na Paraíba), e o Norte, que atinge os estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, e Rio Grande do Norte. No total, são 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, e 270 quilômetros de linhas de transmissão de alta tensão. É nada menos que o maior projeto de infraestrutura hídrica do país.

A obra é pensada no Brasil desde os tempos da colônia, e o imperador Dom Pedro II chegou a fazer estudos para realizar o projeto - visto desde aquela época como a única solução para o problema da seca. A obra, porém, só seria inaugurada 171 anos depois, pelo presidente Michel Temer, em março de 2017.

Graças à integração do Velho Chico ao semiárido, mais de 12 milhões de pessoas em 390 municípios terão segurança hídrica. A integração já transforma rios intermitentes em perenes, e leva água a reservatórios que até o ano passado estavam no volume morto. É o caso do açude Boqueirão - única fonte de abastecimento de Campina Grande. No início de 2017, estava no menor nível já registrado.

Desde abril daquele ano, porém, quando a água do São Francisco foi bombeada para lá, o açude recuperou seu volume. Mais de um milhão de pessoas em Campina Grande e municípios vizinhos passaram a ter acesso à água do Velho Chico.

O projeto se faz ainda mais importante em função de questões climáticas recentes. Entre 2012 e 2017, o semiárido passou pela pior seca já registrada no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

A boa notícia é que agora os sertanejos não dependem apenas de São Pedro.