MULHERES
17/12/2018 22:11 -02 | Atualizado 17/12/2018 22:11 -02

MP de Goiás recebe mais de 500 relatos contra João de Deus

Pedido de prisão preventiva se baseou em 15 denúncias já formalizadas; Médium se entregou no domingo à polícia.

Stringer . / Reuters
João de Deus se entregou no último domingo (16) à polícia e está em um presídio de segurança máxima em Goiás.

A força-tarefa criada pelo Ministério Público de Goiás para apurar as acusações de abuso sexual contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, recebeu até esta segunda-feira (17) 506 relatos de mulheres que denunciaram crimes sexuais envolvendo o líder espiritual. Há uma semana, desde que o grupo foi criado, o número de denúncias aumenta.

O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, confirmou que o pedido de prisão preventiva contra João de Deus se baseou em 15 denúncias, já formalizadas, aos policiais. Nelas, as mulheres prestaram depoimento separadamente e contaram relatos semelhantes sobre o suposto modo de agir do médium.

De acordo com o Ministério Público, há possíveis vítimas também no Ceará, Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Anteriormente, as investigações se concentravam em Goiás, no Distrito Federal, em Minas Gerais, em São Paulo, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso do Sul, no Pará, em Santa Catarina, no Piauí e no Maranhão.

Há, ainda, relatos de suspeitas em 6 países: Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça. As vítimas podem enviar os relatos para denuncias@mpgo.mp.br.

A força-tarefa foi instituída pelo procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, e é formada por 6 promotores e 2 psicólogas da equipe do MP.

Há 6 dias, o procurador-geral de Justiça também encaminhou um ofício-circular aos procuradores-gerais de Justiça dos MPs Estaduais e do Distrito Federal solicitando que sejam designadas unidades de atendimento para coleta de depoimentos de possíveis vítimas do médium.

João de Deus se entregou no último domingo (16) à polícia, em Goiás, depois de ter sido considerado foragido. Agora ele está em um presídio de segurança máxima no Estado.

O Ministério Público estranhou, nos últimos dias, a movimentação de R$ 35 milhões nas contas bancárias em nome de João após as denúncias. Com isso, o MP e a polícia do estado aceleraram o pedido de prisão.

O advogado do médium, Alberto Toron, defende que o pedido de prisão preventiva do cliente seja revertido em domiciliar com tornozeleira.