17/12/2018 00:00 -02 | Atualizado 05/02/2019 13:01 -02

Da rejeição à autoaceitação: Alessandra Caldas, a Miss Plus Size Amazonas

“Cresci ouvindo que tinha que emagrecer e tinha vergonha do meu corpo. Hoje sou livre e incentivo outras mulheres a se sentirem assim.”

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil

Nas redes sociais ela tem mais de 14 mil seguidores. Alessandra Caldas, aos 28 anos, é mais do modelo e Miss Amazonas Plus Size 2018. Ela é inspiração e referência de autoaceitação para muitas mulheres. “Algumas mensagens me surpreendem. De mulheres lindas, magras, mas que não conseguem usar um biquíni porque estão insatisfeitas ou com vergonha do próprio corpo”, conta. A miss tenta responder cada uma delas, sem exceção, com mensagens de amor próprio. “Não adianta correr atrás do que não existe. Cada uma é linda do jeito que é. Gordinha ou magra.”

Seja feliz, seja livre. Use seu biquíni, sua lingerie.

Mas não foi fácil para Alessandra se tornar referência e inspiração de quebra de padrões. “Cresci com a minha família me dizendo o tempo todo que tinha emagrecer. Fiz várias dietas, mas nada adiantava. Até que parei e entendi que meu biotipo é esse. Me aceitei e agora sou livre”. A miss recorda também que desde adolescente quis ser modelo. Mas, na época, o mercado plus size não era tão aceito como hoje ― o que a fez pensar que trabalhar com moda sem ser obrigada a perder peso era impossível. “Desisti de um sonho sem tentar. Fui fazer administração e tentei esquecer o que realmente desejava para minha vida.”

A autoaceitação é libertadora.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Na adolescência, o tempo todo Alessandra ouvia que "precisava emagrecer".

Foi então que em 2017 tudo mudou. Depois de passar uma temporada estudando no Rio de Janeiro, ela retornou para Manaus e decidiu se inscrever em um concurso de beleza para mulheres plus size -- até então sem contar para ninguém. "Não sabia por onde começar, mas sabia o que queria. Bastou isso para me fazer ir em frente."

Só que haviam requisitos para o concurso. O primeiro: atuar como modelo para ter experiência. "A ideia era sugerir permuta de roupa em troca de divulgação nas redes sociais", conta. E a sorte estava ao lado dela: o primeiro convite acabou vindo da própria dona da loja. "Para minha surpresa, ela que me chamou para ser modelo. Disse que me daria umas peças em troca de divulgação e ainda disse que me ajudaria no concurso, se eu quisesse", lembra que ficou atônita com a possibilidade. "O universo conspirou", diz.

Fui com medo e com vergonha de me expor, mas consegui enfrentar e venci.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Com mais de 14 mil seguidores nas redes sociais, Alessandra quer espalhar a corrente do "amor próprio" entre as seguidoras.

Meio tímida, sem muita prática, Alessandra topou o desafio de trabalhar como modelo e, claro, entrar para o concurso. Fechou parcerias com empresas que faziam cabelo e maquiagem, marcas de roupas e encarou as provas da disputa. "Não é porque você está acima do peso que você tem que relaxar. Tive que cuidar do corpo, fazer atividade física, estética, comer de forma saudável para aguentar a maratona", diz.

E mesmo sendo um concurso para exaltar corpos fora do padrão da passarela tradicional, Alessandra sofreu preconceito. "É sutil! Tem gente do próprio meio que chegava comigo, elogiando, mas sugerindo que se eu emagrecesse poderia ficar mais bonita. Um absurdo, mas eu relevava", recorda.

O retorno não é financeiro. É a mudança que provocamos na autoestima.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Hoje, ela exibe com orgulho a faixa de Miss Amazonas Plus Size 2018.

O dia do concurso chegou e com ele a ansiedade, o nervosismo e muita expectativa. Alessandra não imaginava que ganharia já na primeira participação, mas foi exatamente o que aconteceu. Junto com uma explosão de felicidade ao receber a faixa de Miss Amazonas Plus Size 2018. "O sonho se tornando realidade bem diante dos meus olhos. Sensação indescritível", diz com brilho nos olhos ao lembrar a empolgação. Alessandra diz que, naquele momento, sentiu o que é ser livre. Buscar o que quer e ser quem quiser. Independentemente de numeração de roupa ou tipo físico. "Foi libertador se sentir bonita sem sacrifícios."

Corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz dentro.

Iana Porto/Especial para o HuffPost Brasil
Alessandra acredita que "'precisamos mudar a cabeça" para amar o próprio corpo.

Daí para frente, ela se tornou ainda mais referência de amor próprio. Nas redes sociais, ela posa de biquíni, lingerie e não tem vergonha de exibir seu corpo -- exatamente do jeito que ele é. "Hoje meu foco é continuar modelando e sendo influenciadora. Já organizei alguns encontros, onde elas [seguidoras] trocam experiências comigo. O mais difícil é entender e aceitar. Precisamos mudar a cabeça e se eu conseguir isso, minha missão está cumprida."

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Samira Benoliel

Imagem: Iana Porto

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

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