POLÍTICA
14/12/2018 10:11 -02 | Atualizado 14/12/2018 10:52 -02

Ex-funcionária do gabinete de Bolsonaro atuava como personal no Rio, afirma Folha

Nathalia Queiroz é filha do ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado pelo Coaf por movimentações financeiras suspeitas.

Reprodução/Facebook/Folha de S.Paulo
Há registros da personal trainer com famosos, como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, conforme fotos publicadas pela Folha.

Ex-secretária parlamentar, a personal trainer Nathalia Queiroz atuava como preparadora física no Rio de Janeiro enquanto estava lotada no gabinete de deputado federal do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo.

Nathalia foi citada no relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que investiga movimentações suspeitas ligadas ao gabinete do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do capitão da reserva.

Ela foi nomeada secretária parlamentar de Jair Bolsonaro em dezembro de 2016 e exonerada em outubro de 2018. Também em outubro, seu pai, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz deixou o gabinete de Flávio, na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Nas investigações do Coaf, foram identificadas movimentações financeiras suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017 feitas por Queiroz, amigo da família Bolsonaro.

No documento, o nome de Nathalia aparece ao lado de uma anotação do valor de R$ 84 mil, mas não há detalhes sobre os repasses.

A personal também trabalhou como assessora de Flávio em 2007, aos 18 anos, na vice-liderança do PP, onde o senador eleito ficou até fevereiro de 2011. De agosto do mesmo ano até dezembro de 2016, esteve lotada em seu gabinete.

Moradora do Rio, as redes sociais de Nathalia mostram uma rotina como professora de educação física nas academias e praias cariocas. Há registros com famosos, como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, conforme fotos publicadas pela Folha.

As datas das postagens publicadas nas redes sociais coincidem com o período em que Nathalia esteve lotada em ambos os gabinetes. Em setembro, ela recebeu uma remuneração bruta de cerca de R$ 10 mil, como secretária parlamentar de Jair Bolsonaro.

A função exige 40 horas semanais de atuação em Brasília ou no estado de representação do parlamentar e a frequência é atestada pelo próprio deputado.

Questionado pela Folha, o presidente eleito respondeu "ah, pelo amor de Deus, pergunta para o chefe de gabinete. Eu tenho 15 funcionários comigo". A reportagem não conseguiu contato com Jorge Oliveira, que chefiava o gabinete no período em que Nathalia era funcionária de Jair Bolsonaro, nem com a personal trainer.

Sobre as investigações do Coaf, o capitão da reserva afirmou na última quarta-feira (12) que "se algo estiver errado, a conta deve ser paga", mas disse que nem ele nem o filho são investigados.

Entre as movimentações suspeitas está um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama. De acordo com o presidente eleito, o valor refere-se ao pagamento de uma dívida.