LGBT
14/12/2018 14:19 -02 | Atualizado 14/12/2018 15:21 -02

LGBTs que sobreviveram à ditadura argentina conquistam pedido de desculpas histórico

"Éramos considerados criminosos, sub-humanos, porque usávamos roupas de mulher."

Marcos Brindicci / Reuters
Imagem da Parada LGBTem Buenos Aires, na Argentina, em novembro de 2012.

Por Anastasia Moloney

Ao crescer como uma pessoa transgênero na Argentina da década de 1970, Noelia Trujullo sabia que poderia ser presa e abusada apenas por andar na rua com seu cabelo comprido e vestindo saia.

Aos 16 anos, ela foi presa pela polícia, que determinou que ela tirasse as roupas e então tiraram sarro dela. Em outras ocasiões ela foi detida, algumas vezes por até dois meses, em delegacias na província de Santa Fé, no leste da Argentina.

Nesta semana, Trujullo, de 55 anos, finalmente recebeu um pedido público de desculpas sob um plano de reparações inédito pensado pela província de Santa Fé para pessoas LGBT que sofreram durante a ditadura de 1976 a 1983 - muitas delas transgênero.

"Éramos considerados criminosos, sub-humanos, porque usávamos roupas de mulher", disse ela à Thomson Reuters Foundation.

"Você se sente desprezível. Era a violência psicológica que mais me afetou".

Três décadas após o fim da ditadura argentina, o país já fez grandes esforços para avançar nos direitos LGBT.

Em 2010, a Argentina se tornou o primeiro país na América Latina a permitir que casais homossexuais se casem e adotem crianças.

O país também é um dos poucos a permitir que pessoas mudem seu gênero em documentos oficiais de identificação após uma lei aprovada em 2012.

Em Santa Fé, homens e mulheres transgênero têm direto a realizar gratuitamente a cirurgia de mudança de sexo e a terapia hormonal em hospitais públicos.

"Temos sorte de viver em uma província que levou o assunto dos nossos direitos a sério. Há uma vontade política", disse Trujullo.