MULHERES
14/12/2018 13:50 -02 | Atualizado 11/01/2019 08:03 -02

João de Deus tem prisão decretada após denúncias de abuso sexual

Médium pode ser preso a qualquer momento. Ministério Público de Goiás já recebeu mais de 300 denúncias de abuso.

EVARISTO SA via Getty Images
João de Deus em sua primeira aparição pública após as denúncias, na quarta-feira (12), em Abadiânia.

A Justiça de Goiás acatou nesta sexta-feira (14) o pedido do Ministério Público do estado (MP-GO) e determinou a prisão do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, alvo de centenas de denúncias de abuso sexual. Ele pode ser preso a qualquer momento.

A força-tarefa criada pelo MP para apurar as acusações contra o médium recebeu, até quinta-feira (13), mais de 300 mensagens e ligações de mulheres que afirmam ser vítimas de crimes sexuais praticados por João de Deus durante atendimento espiritual.

Promotorias de outros estados também estão recebendo denúncias e auxiliando o MP-GO na investigação, colhendo depoimentos de mulheres que não moram em Goiás.

Na quarta-feira (12), em sua primeira aparição pública após o escândalo, João de Deus disse que é inocente e que está à disposição da Justiça.

"Irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da Justiça. O João de Deus ainda está vivo", declarou

O médium, que tem 76 anos, fundou em 1976 a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). O município tem cerca de 12 mil habitantes e fica a 110 km de Brasília e de Goiânia.

Na tarde desta sexta, a defesa do médium divulgou uma nota em que diz que tentou obter, junto ao MP estadual, em Goiânia, "cópias dos depoimentos prestados pelas vitimas e amplamente noticiados pela imprensa", mas que o pedido foi negado "sob o argumento da preservação do sigilo".

Os advogados Alberto Zacharias Toron e Luisa Moraes Ferreira ainda criticaram o fato de ninguém ter se preocupado em disponibilizar uma cópia da decisão que determinou a prisão preventiva para a defesa.

"É inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa. Sobretudo no que diz com o direito básico de se aferir a legalidade da decisão mediante a impetração de habeas corpus. Até mesmo o número do processo não se disponibiliza à defesa", diz o texto, que considera "assombroso" que a autoridade judiciária negue acesso aos autos.

O caso

As denúncias começaram a vir a público na última sexta-feira (7), quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, divulgou os primeiros depoimentos. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium procuraram as autoridades e a imprensa.

As denúncias que chegaram à imprensa revelam que João de Deus seguia um padrão ao cometer os abusos. As vítimas afirmam que o médium dizia que elas deveriam passar por um atendimento especial, em local privado, e os abusos eram justificados como "limpeza espiritual".

*Com informações da Agência Brasil