MULHERES
12/12/2018 12:33 -02 | Atualizado 12/12/2018 12:33 -02

João de Deus nega acusações e diz estar 'nas mãos da lei'

Pela primeira vez após denúncias de assédio, o médium apareceu nesta quarta-feira, na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO).

Getty Editorial
João de Deus na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia.

O médium João de Deus apareceu ao público pela primeira vez, nesta quarta-feira (12), após uma série de denúncias de assédio e violência sexual, reveladas na última semana, e disse estar "nas mãos de lei".

Sob aplausos dos fiéis presentes na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), o líder espiritual, que foi denunciado por mais de 200 mulheres em seis dias, afirmou que é inocente e que vai cumprir a legislação brasileira.

"Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo. A paz de Deus esteja convosco", disse o médium, que permaneceu menos de 10 minutos no local.

Segundo O Globo, um homem se apresentou como advogado do médium e disse que o líder corria riscos no local. A assessoria de imprensa afirmou que João de Deus não pode permanecer na Casa porque "passou mal" - sua pressão teria subido - e por não querer "afrontar a Justiça".

As denúncias

Na última sexta-feira (7), depoimentos que acusam João de Deus de assediar mulheres em uma sala privada no hospital espiritual tornaram-se públicos durante o program Conversa com Bial. Desde então, centenas de vítimas procuraram a promotoria do estado de Goiás para relatar crimes semelhantes.

Para a assessora particular do médium, Edna Gomes, as mulheres que acusam o líder poderiam ter sido "treinadas para falar". A jornalistas, na última terça-feira (11), classificou como "absurdas" as denúncias.

"Vou falar uma coisa muito séria: eu nunca vi nada que o desabonasse nessa parte. Ele nunca foi santo, ele fala isso. Mas isso (as denúncias), de chegar a esse sentido, nunca. Aqui, na Casa, ele respeita muito. Não podem chegar e destruir sua reputação com inverdades", disse Gomes, segundo o jornal O Globo.

"Mas, hoje, com essa coisa feminista, um homem não pode nem paquerar uma mulher, porque ela pode falar 'ele olhou assim para mim', e isso se configurar assédio. É muito difícil a forma como você lida hoje no século 21. É um absurdo o que estão falando, e não vejo consistência", completou a assessora, que coordena as atividades da Casa há 6 anos.

De acordo com os depoimentos das vítimas, havia um método na atuação do médium. Elas foram por conta própria até a instituição Casa de Dom Inácio, em Abadiânia (GO), em busca de curas para problemas pessoais. Na instituição, participaram de atendimentos em sessões coletivas e depois do primeiro contato, João de Deus pedia que elas se encontrassem com ele para um atendimento privado.

As mulheres eram encaminhadas para um escritório e ficavam sozinhas com o médium. No espaço, relataram terem sido assediadas por ele. Em seu depoimento, a holandesa Zahira Leeneke Maus afirma ter sido estuprada por ele.