POLÍTICA
11/12/2018 14:14 -02 | Atualizado 11/12/2018 14:38 -02

Após briga, PSL desiste de presidência da Câmara e embaralha disputa

“A voz das ruas deixou transparente a vontade de ter uma nova política”, diz deputada eleita Carla Zambelli ao descartar apoio a Rodrigo Maia.

Montagem/Reprodução Facebook/Getty Images
Bancada do PSL minimiza brigas com Joice Hasselmann (PSL-SP) e não quer apoiar reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidência da Câmara.

Às vésperas da reunião da bancada do PSL com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, nesta quarta (12), parlamentares dizem considerar superada a briga que envolveu a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na última semana e focam em conversas sobre divisão de comissões e pautas na Câmara. Segundo maior partido na Casa, atrás apenas do PT, a sigla elegeu 52 representantes em outubro.

"Os ânimos estão acalmados. A expectativa é de um bom alinhamento de todos", afirmou ao HuffPost Brasil a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) sobre o encontro marcado para esta quarta.

Nesta terça (11), Hasselmann publicou nas redes sociais uma foto sorrindo e fazendo um coração com as mãos com Eduardo. "A paz pelo Brasil, pelo governo @jairbolsonaro e pela nossa bancada do @PSL_Nacional. Irmãos são assim. Simbora minha gente, mudar o Brasil de verdade. Vamos em frente!!!"

O objetivo é garantir a governabilidade. "Se [o PSL] lançar [candidato próprio], tem 60 votos no máximo, Aí entorna o caldo de vez com todos demais partidos. Já há um blocão para extirpar o PSL da Mesa Diretora. Se lançar candidatura, não vai para lugar nenhum. O Congresso não aceita o partido do presidente ter a presidência da Câmara", afirmou à reportagem o deputado Capitão Augusto (PR-SP), que tenta ganhar os votos do PSL.

O ex-deputado e senador eleito Major Olímpio (PSL-SP) tem atuado pelo capitão. Na última semana, a bancada do PR anunciou que fará parte de base do governo Bolsonaro. Há, no entanto, integrantes no grupo com interlocução com o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que irá disputar a reeleição.

Além do representante da bancada da bala, entre os nomes de preferência do PSL para o comando da Casa estão também os de João Campos (PRB-GO), Alceu Moreira (MDB-RS) e JHC (PSB-AL). A ideia é apoiar informalmente um nome que tenha alguma experiência no Congresso, mas não seja considerado um político tradicional.

Dos preferidos do PSL, é possível que Campos, representante da bancada evangélica, deixe a disputa em função de uma articulação entre o presidente do PRB, Marcos Pereira, e Rodrigo Maia, para garantir espaço de destaque ao PRB nos postos de comando da Casa.

PSL não irá apoiar Rodrigo Maia

Cresce dentro do PSL a aversão a apoiar a reeleição do democrata. "A princípio, não vai haver apoio para o Maia. Precisamos deixar claro e friso com veemência que a voz das ruas deixou transparente a vontade de ter uma nova política", afirmou Zambelli. "Apesar de ele [Maia] reunir característica positivas, representa a velha política pelo sobrenome, pela atuação", completou.

Deputado federal desde 1999, o democrata é filho de Cesar Maia, prefeito do Rio de Janeiro que permaneceu mais tempo no cargo: 12 anos.

Outro fator que conta contra Maia, dentro do partido de Bolsonaro, é seu trânsito com a esquerda. O deputado chegou à presidência da Câmara graças ao apoio de parlamentares do PT e PCdoB, em troca de segurar algumas pautas conservadoras. Por outro lado, o democrata também faz afagos à bancada religiosa.

Filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também trabalha nessa direção. De acordo com reportagem do Globo, o parlamentar tem atuado nos bastidores contra o presidente da Câmara. A exposição da conversa revelou uma série de desentendimentos da bancada, envolvendo Eduardo, Major Olímpio e Hasselmann.

Após dias de trocas de acusações nas redes sociais, deputados do PSL consideram o episódio uma evidência do isolamento de Hasselmann e não uma divisão. "É uma questão de uma pessoa com todos. Acho que agora todos estão imbuídos no objetivo de deixar o ambiente bom para ela, depois que ela pediu desculpas", disse Zambelli.

Em seu perfil no Twitter, a deputada campeã de votos em São Paulo, voltou a comentar polêmicas nesta segunda-feira (10). Ela rebateu acusações de ter criticado Bolsonaro em 2014.

PSL alinha cargos e pauta na Câmara

Na reunião da bancada na quarta, serão alinhados os interesses de cada um em compor as comissões temáticas. A movimentação de se retirar da disputa pela presidência da Câmara pode ajudar o PSL a conquistar o comando da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), principal colegiado da Casa, além de cargos na Mesa Diretora.

O recuo é uma resposta à articulação do blocão formado para isolar o partido de Bolsonaro. O grupo inclui PP, PR, PSD, MDB, DEM, PSB, PDT, PCdoB, PSDB, Solidariedade, PPS, PV, PSC, PHS e PTB. Juntos, correspondem a cerca de 60% dos deputados.

Outro objetivo da bancada do PSL,que conta com apenas 3 deputados reeleitos, é alinhar as pautas prioritárias. Os deputados se reúnem com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta terça-feira (11). Quanto a temas ligados à moralidade, como Escola sem Partido, há divergências.

Enquanto deputados como Alexandre Frota (PSL-SP) querem endurecer o texto do projeto de lei, se a proposta não for aprovada neste ano, Zambelli acredita que a criminalização do professor não deve ser incluída. "Já está suficiente. Tem que ir pouco a pouco. Não está com maturidade para fazer isso [criminalizar]. Tem que só cobrar para que o que está na Constituição seja cumprido", defende a deputada.

Previsto para ser votado na comissão especial nesta terça, o PL da Escola sem Partido visa a limitar o debate no ambiente escolar. O texto proíbe, entre outros pontos, discussões sobre questões de gênero na sala de aula.