ENTRETENIMENTO
09/12/2018 13:36 -02 | Atualizado 09/12/2018 14:31 -02

CCXP: 5 tendências da Comic Con Experience 2018

O que mais se destacou nos 4 dias da maior comic con do mundo.

Montagem/Divulgação
Império Marvel, diversidade, guerra do streaming... Momentos que se destacaram na CCXP 2018.

Centenas de milhares de nerds, geeks e fãs de cultura pop em geral lotaram a 5ª edição da Comic Con Experience (CCXP), que começou no último dia 6 e termina neste domingo (9), em São Paulo. Todos ávidos por novidades e celebridades do cinema, TV, quadrinhos, games e afins.

Mas o que realmente rolou na CCXP de 2018?

Veja 5 tendências que marcaram o evento:

1. Terror é um gênero feminino

Rafael Argemon
Caracterizada, a quadrinista Camila Torrano vende a HQ "Gibi de Menininhas - Historietas de Terror e Putaria".

O terror aos poucos vem se mostrando o gênero do momento no cinema, e essa realidade não é diferente nos quadrinhos. Ao andar pelo Artists' Alley, setor que reúne quadrinistas e ilustradores brasileiros e estrangeiros na CCXP 2018, o que se nota é que quadrinhos de terror ganharam neste ano muito mais destaque do que em edições anteriores.

Uma característica interessante é que eles têm, em sua maioria, mulheres como autoras.

"Já lidamos com o terror em nosso dia a dia. Com o terror do assédio, da desigualdade, do abuso. Lidamos com monstros nossa vida toda, por isso acho que extravasar esses medos criando monstros imaginários é algo que soa bem familiar às mulheres", diz a quadrinista Camila Torrano.

Autora da capa de Gibi de Menininhas – Historietas de Terror e Putaria e de contos publicados na nova revista Sinistra, Camila conclui: "Somos taxadas de loucas, de bruxas mesmo. Por que não vestir a carapuça?".

2. Mais diversidade, por favor

Divulgação
Rebecca Sugar toca músicas da animação Steven Universe.

Uma das grandes surpresas da CCXP 2018 foi o alvoroço em torno da presença de Rebecca Sugar, autora da animação Steven Universe, o primeiro desenho da Cartoon Network criado exclusivamente por uma mulher. Com grande base de fãs no Brasil, a animação entrou para a história ao se posicionar a favor da diversidade e mostrou um casamento homoafetivo no episódio The Answer, indicado ao Emmy.

Rebecca emocionou crianças, adolescentes e adultos ao cantar músicas do desenho compostas por ela. Antes de lançar sua própria animação, ela fez parte da equipe de outro desenho famoso: Hora da Aventura.

3. O império da Marvel se expande

Mesmo com a expectativa em torno da pré-estreia do aguardado novo filme de um personagem da DC, Aquaman, a rival Marvel tomou conta dessa edição da CCXP. E boa parte disso por conta de um trailer. Vingadores: Ultimato, que foi anunciado durante a feira, alcançou o incrível número de 289 milhões de visualizações no YouTube em apenas 24 horas. Um recorde absoluto na plataforma.

Isso sem falar da passagem de Brie Larson para apresentar o painel da Capitã Marvel e exibição das primeiras imagens de X-Men: Fênix Negra, que contou com a presença das atrizes Sophie Turner e Jessica Chastain.

Mas surpreendente mesmo foi a inesperada aparição dos atores Tom Holland e Jake Gyllenhall para promover a nova aventura do Homem-Aranha. Detalhe: os 3 filmes são de 3 companhias diferentes – Disney, Fox e Sony –, mostrando que o tsunami Marvel engole tudo que vem pela frente.

4. Na CCXP, Globo não é mais Globo

Divulgação
A aquisição da série The Handmaid's Tale é um dos grandes anúncios da Globoplay na CCXP 2018.

A CCXP de 2018 foi a primeira em que a Globo não montou seu estande como Globo, mas como Globoplay. Isso mostra o quanto a maior rede de TV brasileira quer entrar com tudo na guerra das plataformas de streaming, que vêm ganhando cada vez mais força com o público jovem, mais acostumado a ver séries na Netflix do que acompanhar as tradicionais novelas globais.

O serviço de streaming da Globo está investindo alto em produções de séries próprias com linguagem americanizada, como Ilha de Ferro, e na compra de produções internacionais de bastante relevância, como The Handmaid's Tale (O Conto da Aia). A treta está apenas começando!

5. Comic con com cada vez menos comics

Divulgação
O desenhista David Lloyd, autor, junto com Alan Moore, da clássica HQ "V de Vingança", dá autógrafos no Artists' Alley.

É visível que a CCXP virou mais um canal de divulgação de produções do cinema e da TV do que um local de reunião de fãs de quadrinhos. Estandes de grandes editoras de HQs internacionais e nacionais simplesmente sumiram do evento.

Com os filmes de super-heróis e a proliferação de séries em streaming, os quadrinhos estão perdendo espaço nos eventos que ajudaram a criar. E essa não é uma tendência brasileira. Até na comic con mais antiga e tradicional do mundo, a de San Diego (EUA), estandes de atrações do cinema e da TV recebem muito mais atenção do grande público do que quadrinistas famosos.