ENTRETENIMENTO
08/12/2018 16:04 -02 | Atualizado 09/12/2018 12:47 -02

Artists’ Alley: O espaço merecido de quadrinistas independentes na CCXP

Ilustradores famosos e outros nem tanto assim dividem o local que pode ser considerado sonho de qualquer aficcionado por quadrinhos.

Orlandeli é o autor de Arvorada, graphic novel que faz parte do selo Graphic MSP, que fazem releituras de personagens clássicos de Maurício de Souza.
Reprodução/Arvorada/ChicoBento
Orlandeli é o autor de Arvorada, graphic novel que faz parte do selo Graphic MSP, que fazem releituras de personagens clássicos de Maurício de Souza.

Por mais que atores de Hollywood e estandes de séries badaladas arrastem multidões dentro da CCXP, a alma de qualquer fã das "comic cons" segue sendo os quadrinistas, artistas – famosos ou não (pelo menos ainda) - que deram origem a esse tipo de evento.

Em 2018, o Artists' Alley, área que reúne quadrinistas e ilustradores brasileiros e estrangeiros traz 530 artistas divididos em 352 mesas. Nesse espaço, fãs podem adquirir HQs, ilustrações, quadros e uma série de outros ítens exclusivos. Além disso, é a oportunidade de conhecer quadrinistas consagrados ou se surpreender com o trabalho de artistas ainda desconhecidos para boa parte do público.

Rafael Argemon/HuffPostBrasil
Hector Lima, roteirista de graphic novels como "Sabor Brasilis" e "A Ameaça do Barão Macaco" e "Mulherhomem".

"Para nós é o evento mais importante do ano. É quando mais vendemos e mais pessoas passam a conhecer seu trabalho. O mercado de quadrinhos no Brasil ainda não está consolidado e nosso ano é pautado por feiras, sejam elas pequenas ou imensas como a CCXP", afirma Hector Lima, roteirista de graphic novels como Sabor Brasilis e A Ameaça do Barão Macaco e Mulherhomem ao HuffPost Brasil.

"Eu adoro a CCXP porque encontro público do Brasil todo. É por conta de eventos gigantes como esse, pequenas feiras regionais e até exposições, como a que está acontecendo no MIS [de São Paulo] que o quadrinho brasileiro está cada vez mais popular entre os fãs", diz o premiado cartunista, quadrinista e ilustrador Walmir Americo Orlandeli, ou simplesmente Orlandeli, como ele assina seus trabalhos.

Orlandeli é o autor de Arvorada, graphic novel que faz parte do selo Graphic MSP, que fazem releituras de personagens clássicos de Maurício de Souza. No caso da Arvorada, o Chico Bento.

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Walmir Americo Orlandeli na CCXP.

"Foi uma honra trabalhar com o Chico Bento. Sou fã do Maurício desde sempre. Mas foi um grande desafio também, porque eu tinha de manter a alma do personagem, que é do Maurício, mas dando a minha visão para ele. Ter esse carimbo de aprovação do Maurício é uma ótima forma de mostrar o trabalho de talentosos artistas brasileiros para um público maior."

Veteranos, iniciantes, grandes e pequenos

No Artists' Alley há artistas de pequenas editoras independentes a gigantes do ramo, como Carlos Ruas, Ivan Reis, Mike Deodato, John Romita Jr, John Cassaday e Joe Rubinstein, por exemplo.

"Para mim está sendo uma experiência muito legal. Essa é a minha primeira vez, nunca tinha participado de um evento desse tamanho", explica Marcelo Araujo, designer gráfico que faz quadros tridimensionais de cortes de papel sobrepostos que criam um efeito tridimensional em obras que prestam tributo a filmes, livros, HQs e séries.

Mas como conviver com artistas já consagrados fazendo quadrinho independente ou sendo um artista ainda desconhecido? "As pessoas podem vir aqui para conhecer o trabalho de um artista conhecido e acaba vendo meu trabalho. A CCXP traz todo tipo de público", justifica Araújo.

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Marcelo Araujo, designer gráfico que faz quadros tridimensionais de cortes de papel sobrepostos.

"Em uma edição anterior fiquei ao lado do estande de um desenhista estrangeiro muito famoso. Acabava atrapalhando um pouco o acesso à minha mesa, mas nada que prejudicasse tanto. Muita gente acaba vendo o seu trabalho e falando: Olha só, tem uns caras fazendo um trabalho bem legal que eu nem conhecia", aponta Hector Lima.

"Isso é muito importante para nós. Nosso mercado de quadrinhos ainda precisa crescer e esse espaço aqui é uma forma de entrarmos no mesmo circuito dos caras mais conhecidos por grande parte dos fãs de quadrinhos", completa Lima, que acaba de emplacar duas de suas histórias na revista de quadrinhos e ficção científica norte-americana "Heavy Metal", e com mais uma a caminho.