POLÍTICA
06/12/2018 16:28 -02 | Atualizado 06/12/2018 18:49 -02

Pastora evangélica será ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos

Damares Alves é advogada e assessora do senador Magno Malta. Novo ministério também ficará responsável pela Funai.

Damares Alves concede entrevista ao lado do futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
Rafael Carvalho/Governo de Transição
Damares Alves concede entrevista ao lado do futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

A advogada e pastora evangélica Damares Alves, assessora parlamentar do senador Magno Malta (PR-ES), será a chefe do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (6) pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em Brasília.

Em entrevista à imprensa na sede do governo de transição, a futura ministra disse que a prioridade de sua gestão será a infância e a vida.

"É intenção do presidente, ele está motivado, e a infância terá protagonismo. Nunca nesta nação precisamos tanto dar uma atenção especial à infância como agora", disse Alves.

"Vamos começar a pensar em salvar vidas. Nós entendemos que o maior e o primeiro direito a ser protegido é o direito à vida. Nós vamos trabalhar nessa linha. O maior direito do humano é o direito à vida", continuou.

Aborto

Após a entrevista, a futura ministra voltou a falar com jornalistas e disse ser contra o aborto.

Alves afirmou que a interrupção da gravidez deve ser alternativa "somente nos casos necessários" e que a legislação não deve ser alterada. Atualmente, o aborto legal é permitido em três situações no Brasil: quando a gravidez é resultado de estupro; quando há risco de morte para a mãe; e em casos de feto anencéfalo.

"Eu sou contra o aborto. Eu acho que nenhuma mulher quer abortar, as mulheres chegam até o aborto porque, possivelmente, não foi dada outra opção", afirmou.

"Nós queremos um Brasil sem aborto. De que forma? Um Brasil que priorize políticas púbicas de planejamento familiar, que o aborto nunca seja considerado, e visto nessa nação, como um método contraceptivo", completou.

Funai

O ministério também ficará responsável pela gestão da Funai (Fundação Nacional do Índio), hoje subordinada ao Ministério da Justiça.

Questionada sobre declarações feitas por Bolsonaro de que, na sua gestão, os indígenas não teriam "nem mais 1 centímetro de terra", Alves adiantou que não concorda com algumas demarcações e disse que "índio não é só terra".

"Vamos ter que conversar sobre isso [demarcação]. Eu acredito que o presidente tinha informações muito importantes e embasamento para falar isso. Eu, particularmente, questiono algumas áreas indígenas, mas isso é um assunto que vamos discutir", disse.

"A Funai não é problema, índio não é problema neste governo. O presidente só estava esperando o melhor lugar para colocar a Funai. E nós entendemos que é o Ministério dos Direitos Humanos, porque índio é gente e índio precisa ser visto de uma forma como um todo. Índio não é só terra, índio também é gente."