POLÍTICA
30/11/2018 13:11 -02 | Atualizado 30/11/2018 13:16 -02

Temer diz a líderes do Brics que Bolsonaro terá ‘grande prazer’ em recebê-los

Presidente eleito é crítico a acordos que o Brasil vinha priorizando como Brics e Mercosul.

O Brasil assume no próximo ano a presidência do Brics e comandará uma série de encontros de cooperação, além de uma cúpula com líderes dos países do bloco. 
EVARISTO SA via Getty Images
O Brasil assume no próximo ano a presidência do Brics e comandará uma série de encontros de cooperação, além de uma cúpula com líderes dos países do bloco. 

A política internacional brasileira deve ganhar uma nova marca a partir de 2019. A promessa do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) é se aproximar de economias como a dos Estados Unidos, em contrapartida, blocos como o Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o Mercosul, alvos de críticas, devem ser preteridos.

Neste cenário, líderes do Brics, que vinham demonstrando preocupação em relação ao que esperar o Brasil, ouviram nesta sexta-feira (30) do presidente Michel Temer que Bolsonaro terá um "grande prazer" em recebê-los. No próximo ano o Brasil assume a presidência do bloco e comandará uma série de encontros de cooperação, além de uma cúpula com líderes dos países do Brics.

"Naturalmente, em seu nome, do presidente eleito, na convicção mais absoluta de que ele terá uma participação muito ativa no Brics, eu transmito os seus cumprimentos e a mensagem de que terá grande prazer em recebê-los no Brasil no próximo ano por ocasião da cúpula do Brics."

Em Buenos Aires para o G-20, os líderes do bloco se encontraram informalmente. Na ocasião, Temer disse que convidou Bolsonaro para a viagem, mas ele não pôde comparecer. Além de orquestrar a transição do governo, Bolsonaro se recupera de um atentado a faca.

Aproximação com os EUA

O presidente eleito, entretanto, deu um passo esta semana em direção a um rumo diferente ao que vinha sendo adotado na política externa. Na quinta-feira (29), ele recebeu o assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, que estava à caminho do encontro do G-20, mas fez uma escala no Brasil. "Estamos ansiosos por uma parceria dinâmica com o Brasil", disse Bolton no Twitter.

A aproximação com os Estados Unidos foi reforçada com um tour feito pelo filho do presidente, o deputado reeleito Eduardo (PSL-SP), ao território americano.

Os líderes do Brics já demonstraram preocupação com as falas e o posicionamento de Bolsonaro. Quando Bolsonaro foi eleito, os presidentes da China e da Rússia o parabenizaram, mas deixaram explícito o interesse em manter uma boa relação com o país aliado.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin enalteceu o Brics. Nota do Kremlin diz que o Putin "expressou confiança na promoção de todo o complexo de laços sino-brasileiros, bem como na cooperação construtiva no âmbito das Nações Unidas, do G20, dos Brics e de outras organizações multilaterais, no interesse do povo russo e brasileiro".

A China também tem feito esforços e teme que Bolsonaro se alinhe aos Estados Unidos nas posturas diplomática. Desde que Donald Trump se tornou presidente, os EUA vivem em conflito comercial com os chineses, o que representaria um choque na relação. Nos governos petistas, Pequim se consolidou como o maior parceiro comercial do Brasil.

Neste mês, com intenção de se aproximar da nova configuração da política brasileira, o Partido Comunista de Pequim convidou integrantes do PSL para visitar o país. "A proposta do tema da visita é intercâmbio de experiências de governança e cooperações pragmáticas entre os partidos", diz o convite.

O temor da Rússia e da China se estende à Índia e à África do Sul. No dia seguinte a vitória de Bolsonaro, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou que um afastamento dos Brics prejudicaria o Brasil.

"Ele entrará para uma família Brics que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, ele entrará para uma família Brics que procura fazer as coisas de uma maneira que fortaleça o benefício mútuo. Se começar a empurrar em uma direção diferente, acabará prejudicando o interesse do Brasil", disse.

Em seu plano de governo, Bolsonaro afirma que a política externa terá "ênfase nas relações e acordos bilaterais" e que o Brasil deixará "de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália". "Não mais faremos acordos comerciais espúrios ou entregaremos o patrimônio do Povo brasileiro para ditadores internacionais."