POLÍTICA
30/11/2018 18:49 -02 | Atualizado 30/11/2018 19:09 -02

Bolsonaro associa indígenas em reservas a animais em zoológicos

"Por que no Brasil temos que mantê-los (os indígenas) reclusos em reservas, como se fossem animais em zoológicos?"

"Justifica, por exemplo, ter a reserva ianomâmi, duas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro, para talvez, 9 mil índios? Não se justifica isso aí", disse Bolsonaro.
Paulo Whitaker / Reuters
"Justifica, por exemplo, ter a reserva ianomâmi, duas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro, para talvez, 9 mil índios? Não se justifica isso aí", disse Bolsonaro.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) comparou nesta sexta-feira (30) indígenas em reservas a animais em zoológicos. A afirmação foi feita em Cachoeira Paulista (SP) em resposta a uma pergunta sobre o Acordo de Paris, que envolve políticas para redução do desmatamento. Na campanha eleitoral, Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil do acordo.

"Sobre o Acordo de Paris, nos últimos 20 anos, eu sempre notei uma pressão externa – e que foi acolhida no Brasil – no tocante, por exemplo, a cada vez mais demarcar terra para índio, demarcar terra para reservas ambientais, entre outros acordos que no meu entender foram nocivos para o Brasil. Ninguém quer maltratar o índio. Agora, veja, na Bolívia temos um índio que é presidente. Por que no Brasil temos que mantê-los reclusos em reservas, como se fossem animais em zoológicos?", questionou, segundo o G1.

Não é a primeira vez que o presidente eleito faz este tipo de declaração. Em 2014, segundo o jornal O Globo, Bolsonaro afirmou que "índio não fala nossa língua, não tem dinheiro, é um pobre coitado, tem que ser integrado à sociedade, não criado em zoológicos milionários".

Nesta sexta-feira, Bolsonaro disse ainda que o índio é "um ser humano igualzinho a nós". "Querem o que nós queremos, e não podemos usar o índio, que ainda está em situação inferior a nós, para demarcar essa enormidade de terras, que no meu entender poderão ser, sim, de acordo com a determinação da ONU, novos países no futuro. Justifica, por exemplo, ter a reserva ianomâmi, duas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro, para talvez, 9 mil índios? Não se justifica isso aí."

O Brasil, entretanto, se comprometeu nesta sexta-feira a fortalecer o Acordo de Paris. Em conjunto com os demais líderes dos Brics (grupo de países que une Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o presidente Michel Temer assinou um texto no qual o bloco fortalece a relação com o acordo e pede a países desenvolvidos que façam o mesmo.