POLÍTICA
29/11/2018 07:52 -02 | Atualizado 29/11/2018 08:53 -02

Governador do Rio é preso pela PF em nova etapa da Lava Jato

Luiz Fernando Pezão é suspeito de ter recebido ao menos R$ 39 milhões em esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral.

Luiz Fernando Pezão foi preso por suspeita de recebimento de propina.
Valter Campanato / Agência Brasil
Luiz Fernando Pezão foi preso por suspeita de recebimento de propina.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (29) por suspeita de receber ao menos R$ 39 milhões em propina em valores atualizados, em mais um desdobramento das investigações da operação Lava Jato sobre um gigantesco esquema de corrupção no Estado.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), que apresentou a petição ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que resultou na chamada operação Boca de Lobo, afirmou que Pezão integra o núcleo político de uma organização criminosa que cometeu vários crimes contra a administração pública, com destaque para corrupção e lavagem de dinheiro, ao longo dos últimos anos.

Além de Pezão, outras 8 pessoas tiveram a prisão decretada por envolvimento no esquema, incluindo secretários do governo estadual fluminense, empresários e pessoas ligadas a Pezão, de acordo com a PGR. Foram expedidos ainda 30 mandados de busca e apreensão a serem cumpridos pela PF nas cidades do Rio de Janeiro, Piraí, Juiz de Fora, Volta Redonda e Niterói.

A investigação teve como base acordo de delação premiada de Carlos Miranda, apontado como principal operador do esquema milionário de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral, de quem Pezão foi secretário de Obras e vice-governador entre 2007 e 2014. Cabral está preso desde novembro de 2016 condenado em diversas ações de corrupção.

De acordo com a PGR, investigações revelaram que Pezão operou um esquema de corrupção próprio.

"A novidade é que ficou demonstrado ainda que, apesar de ter sido homem de confiança de Sérgio Cabral e assumido papel fundamental naquela organização criminosa, inclusive sucedendo-o na sua liderança, Luiz Fernando Pezão operou esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros", disse a PGR.

A PGR apontou para a necessidade da prisão do governo alegando que, solto, Pezão poderia dificultar a recuperação de valores desviados, além de dissipar o patrimônio adquirido por meio de prática criminosa.

Segundo o Ministério Público Federal, há registros documentais do pagamento em espécie a Pezão de mais de R$ 25 milhões no período de 2007 a 2015, o que equivale a pouco mais de R$ 39 milhões em valores atualizados -- quantia que foi alvo de sequestro determinado pelo STJ.

Procurados, o governo do Rio de Janeiro e a assessoria de imprensa do governador não responderam de imediato a pedidos de comentários.

Pezão, de 63 anos, tomou posse como governador em abril de 2014 depois que Cabral renunciou ao cargo, e foi reeleito naquele mesmo ano. Em 2016, o governador ficou 6 meses afastado para passar por tratamento de um câncer, e ao retornar negociou um acordo de recuperação fiscal com o governo federal para aliviar a crise financeira atravessada pelo Rio de Janeiro.

O governador eleito do Rio, Wilson Witzel, que tomará posse em 1º de janeiro, disse em nota após a prisão de Pezão que a transição não será afetada.