MULHERES
28/11/2018 15:49 -02 | Atualizado 28/11/2018 15:54 -02

Não podemos esquecer as conquistas destas mulheres na 2ª Guerra Mundial

"Rosie, a rebitadeira" foi só o começo.

Sim, as mulheres podem — só que, muitas vezes, elas não recebem o crédito. Em novembro, é comemorado os exatos 100 anos da Segunda Guerra Mundial. Logo, aproveitamos para lembrar algumas mulheres que demonstraram coragem nesse período histórico e foram esquecidas.

"Lembrar o papel das mulheres na guerra nos ajuda a olhar além dos campos de batalha", diz Peter Mersereau, do departamento de história da Universidade Ryerson, no Canadá. "Seja pensando nas fábricas, nos movimentos de resistência ou na vida doméstica, a guerra envolveu tudo e todos e moldou a vida de centenas de milhões de pessoas."

Uma das imagens mais famosas da Segunda Guerra é o cartaz de "Rosie, a Rebitadeira", que mostra uma mulher de uniforme de metalúrgica flexionando o bíceps. O slogan "Nós podemos!" significava mais que simplesmente o trabalho realizado nas fábricas no lugar dos homens chamados pelas Forças Armadas – embora mais de 600.000 mulheres tenham trabalhado durante o conflito.

Getty Editorial
A franco-atiradora Lyudmila Pavlichenko, que trabalhou de 1916 a 1974.

A guerra também inspirou mulheres a pressionar o governo canadense a permitir a criação de organizações militares compostas só por mulheres e a aceitar o alistamento de 50 000 delas para servir nas Forças Armadas – o que era inédito até então.

"O dia-a-dia não poderia ter continuado sem as mulheres e as responsabilidades extras que elas assumiram", diz Mersereau. "Elas também tiveram papel muito importante em trabalhos não-relacionados com o campo de batalha em vários outros países aliados."

Elas podem não ter ido para o front, mas o trabalho que realizaram foi parte integral do esforço de guerra.

"Quando pensamos em mulheres em combate, a tendência é pensarmos em mulheres de uniforme", diz Mersereau. "Mas era mais comum ver mulheres envolvidas em atividades de resistência. Muitas delas sacrificaram suas vidas ou acabaram em campos de concentração por causa disso."

Veja abaixo alguns exemplos de conquistas de mulheres durante a Segunda Guerra.

1. As britânicas que decifraram códigos secretos em Bletchley Park

Bletchley Park Trust via Getty Images
Bletchley Park, o centro de inteligência das forças britânicas durante a Segunda Guerra, onde especialistas em criptografia decifravam os códigos secretos usados nas mensagens militares dos alemães.

Se você assistiu O Jogo da Imitação ou a série de TV Bletchley Circle, talvez conheça um pouco da história das mulheres que trabalharam com o matemático britânico Alan Turing. Entre elas estava Mavis Batey. Ela decifrou a mensagem que revelava o funcionamento da Enigma, máquina usada pelos alemães para codificar suas comunicações considerada "inquebrável".

2.Enfermeiras que arriscaram a vida no front

Entre a Aeronáutica, a Marinha e o Exército, havia 4 480 enfermeiras canadenses na Segunda Guerra, muitas vezes no front. Não havia garantias de segurança, e muitas perderam a vida. A enfermeira Margaret Brooke estava a bordo do S.S. Caribou quando o navio foi atingido por um torpedo, em 1942. Brooke salvou a vida de uma colega e recebeu a Ordem do Império Britânico por seu ato de heroísmo.

3. A primeira engenheira aeronáutica do mundo

Muitas mulheres trabalhavam como mecânicas, fotógrafas e preparadoras de pára-quedas. No setor privado, Elsie Gregory MacGill se formou como engenheira aeronáutica (a primeira mulher do mundo a obter o diploma) e foi trabalhar numa equipe que produziu em tempo recorde centenas de aviões Hurricane.

4. Uma unidade só de negras protegia os aliados de espiões

Bettmann via Getty Images
A major Charity Adams, comandante do Women's Army Corps, Postal Batallion.

O 688º Batalhão Postal Central, comandado pela major Charity Adams, primeira oficial negra no Exército americano, era uma unidade composta exclusivamente por mulheres negras. Elas eram responsáveis por proteger um dos canais de comunicação mais vitais da época: o correio. Cada carta era inspecionada pelas mulheres para garantir que informações militares não fossem adulteradas pelo inimigo.

5. A Rússia tinha mais de 2 000 franco-atiradoras

Uma das estrelas do Exército Soviético era a franco-atiradora ucraniana Lyudmila Pavlichenko. Os recrutadores militares queriam que ela trabalhasse como enfermeira, mas Pavlichenko já era uma atiradora experiente e queria ir para o front. Ela matou 36 franco-atiradores e 309 soldados inimigos.

6. Uma polonesa salvou 2 500 crianças judias

Laski Diffusion via Getty Images
Irena Sendler salvou cerva de 2 500 crianças judias do Holocausto.

A enfermeira Irena Sendler fez mais que simplesmente cuidar de soldados feridos. Ela organizou um movimento de resistência para ajudar crianças a fugir do Gueto de Varsóvia, depois da ocupação da Polônia pelos nazistas. Oskar Schindler pode ter virado filme, mas Sendler salvou mais judeus que ele – ou qualquer outra pessoa que não fosse parte do serviço diplomático.

"Aprendi com meu pai que, quando alguém está se afogando, você não pergunta se a pessoa sabe nadar – pula na água e ajuda", disse Sendler segundo o filme "Mother of the Children of the Holocaust" (mãe das crianças do Holocausto, em tradução livre).

7. A espiã que driblou a Gestapo

ASSOCIATED PRESS
A condessa Krystyna Skarbek (também conhecida como Christine Granville).

Se você quis saber onde o autor e espião britânico Ian Fleming buscou inspiração para criar as Bond Girls, Krystyna Skarbek (também conhecida como agente secreta Skarbek, que trabalhou com os britânicos no estabelecimento de células de resistência na Polônia). Sua lista de feitos é longa e notável, mas um incidente chama a atenção. Skarbek foi presa pela Gestapo e submetida a um interrogatório. Para ser solta, ela fingiu sofrer de tuberculosa – a agente mordeu a língua e tossiu sangue. Depois da guerra, ela recebeu uma Ordem do Império Britânico.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost Canadá e traduzido do inglês.