MULHERES
26/11/2018 17:09 -02 | Atualizado 26/11/2018 23:31 -02

A cada 6 horas uma mulher é vítima de feminicídio no mundo, diz relatório da ONU

58% delas foram assassinadas por conhecidos, companheiros, ex-maridos ou familiares.

Relatório da ONU também aponta que o lar é o ambiente mais violento para as mulheres. Na imagem "Basta de feminicídio", pede manifestante em São Paulo.
Nacho Doce / Reuters
Relatório da ONU também aponta que o lar é o ambiente mais violento para as mulheres. Na imagem "Basta de feminicídio", pede manifestante em São Paulo.

A cada 6 horas uma mulher é vítima de feminicídio no mundo, segundo relatório divulgado neste domingo (25) pela ONU (Organização das Nações Unidas), data em que é celebrado o Dia Internacional Pela Não Violência Contra a Mulher.

A pesquisa aponta que, em 2017, 87 mil mulheres foram vítimas de feminicídio e mais da metade delas (58%), cerca de 50 mil, foram mortas por conhecidos, companheiros, ex-maridos ou familiares. A conclusão é de que o lar é o ambiente mais violento para as mulheres.

"No mundo todo, em países ricos e pobres, em regiões desenvolvidas e em desenvolvimento, um total de 50 mil mulheres são assassinadas todo ano por companheiros atuais ou passados, pais, irmãos, mulheres, irmãs e outros parentes, devido ao seu papel e a sua condição de mulheres", concluiu o documento, apresentado e elaborado pelo Onudd (Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime).

O relatório "Assassinato de gênero de mulheres e meninas" destaca que os assassinatos de mulheres por parte dos seus companheiros faz com que o lar seja o "lugar mais perigoso" e que, sendo assim, "é frequentemente a culminação de uma violência de longa duração que precisa ser combatida".

As regiões em que há mais incidência deste tipo de crime são África e as Américas. Na África, o índice é de 3,1 vítimas de feminicídio a cada 100 mil mulheres. Já nas Américas, o número cai para 1,6. Na Oceania, 1,3. Os índices mais baixos estão na Ásia, com 0,9, e na Europa, 0,7.

"Embora a vasta maioria de vítimas de homicídio seja de homens, as mulheres continuam a pagar o preço mais alto como resultado da desigualdade de gênero, da discriminação e de estereótipos negativos", afirmou Yury Fedotov, diretor-executivo da Onudd em comunicado. "Respostas direcionadas à justiça criminal são necessárias para prevenir e acabar com as mortes relacionadas a gênero", conclui.

Segundo Fedotov, os números têm a função de informar e conscientizar não só a população, mas também autoridades sobre esse tipo de crime. O estudo pede maior coordenação entre a polícia, o sistema judiciário e equipamentos de saúde para aprimorar não só o combate, mas o acolhimento às vítimas.

O relatório da ONU considera que um "aspecto crucial" para enfrentar o problema é envolver os homens no combate ao feminicídio e "desenvolver normas culturais que se afastem da masculinidade tóxica e dos estereótipos de gênero", assim como debater o tema nas escolas.

Não silencie!

"Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento".

Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.