COMIDA
24/11/2018 11:19 -02 | Atualizado 24/11/2018 11:22 -02

Izakaya: O 'boteco japonês' onde peixe cru não entra

Tradicionais no Japão, os izakayas estão se popularizando em São Paulo e podem logo logo fazer a cabeça do resto do Brasil.

HuffPost Brasil
Salão do Toki, izakaya que abriu há pouco mais de 1 ano no bairro de Pinheiros, em São Paulo.

Quando falamos em comida japonesa, a primeira coisa em que pensamos é sushi, sashimi ou temaki. Mas há um tipo de estabelecimento muito comum no Japão onde peixe cru não entra e que está ficando cada vez mais popular em São Paulo — e até em outras cidades do Brasil: o izakaya (pronuncia-se izakayá).

"O izakaya é como um boteco japonês. Os pratos são quentes e sempre servido em porções. Como tem muita coisa frita, o izakaya não deixa de ser parecido com nossos botecos brasileiros. Eles servem petiscos para acompanhar uma cerveja gelada, um saquê ou um drinque", diz Artur Seitsugo, um dos sócios do Izakaya Toki, casa que abriu há pouco mais de 1 ano no bairro de Pinheiros.

Geralmente comandados por famílias, esses pequenos bares com grandes balcões e pouquíssimas mesas já eram bem comuns na Liberdade, bairro identificado com a comunidade japonesa na capital paulista. Mas de uns tempos para cá, passaram a se espalhar por outras áreas da cidade e a ficar mais populares fora da colônia nipônica.

"Os estabelecimentos que serviam comida nos primeiros anos dos japoneses na Liberdade eram todos izakayas. Com o tempo e a popularização da comida japonesa mais identificada com pratos de peixe cru, eles foram se adaptando. Mas essa realidade foi mudando e de uns anos para cá eles voltaram. Já fui a izakayas até no Rio de Janeiro", explica Uilian Goya, chef do izakaya Taka Daru, na região paulistana conhecida como Baixo Pinheiros.

Comida do dia a dia no izakaya

Engana-se quem acha que os japoneses comem pratos a base de peixe cru fresco regularmente. Até lá, sushis e sashimis são caros. "A referência do brasileiro sobre a cultura e culinária japonesa é totalmente equivocada", afirma Goya.

Getty Editorial
Izakaya na região de Shibuya, em Tóquio.

"Muita gente ainda entra aqui e pergunta se não servimos rodízio de sushi. Isso acontece pelo menos uma vez por semana até hoje. Alguns topam a novidade, outros vão embora sem cerimônia", conta Seitsugo.

Mesmo assim, os aqui já tradicionais restaurantes japoneses se popularizaram a tal ponto que alguns pratos, como o conhecido temaki, por exemplo, são "abrasileirados". Essa realidade faz de uma ida a um izakaya uma experiência de culinária japonesa até mais autêntica. "Aqui no Brasil já vi até uma yakisobaria. Isso é muito coisa de brasileiro. Temaki no Japão é algo que você não encontra em lugar nenhum", brinca Goya.

Porém, mesmo que algumas dessas casas novas façam releituras de clássicos como Katsu Sando (sanduíche de copa lombo empanada no pão branco), Tonkatsu karê (lombo de porco frito com arroz e curry japonês) ou takoyaki (bolinho de polvo frito), elas mantêm aceso o espírito da tradição.

"Aqui nós somos menos tradicionalistas. Mesmo assim, temos extremo respeito pela culinária tradicional. Não mudamos as receitas, apenas ingredientes. O gyoza, por exemplo, aqui ganha um recheio de abóbora cabotiá, mas a massa e o cozimento seguem sendo os mesmos de sempre", diz Seitsugo.

"Os izakayas são muito mais próximos dos brasileiros que eles imaginam. A atmosfera descontraída de uma izakaya é como a de um boteco onde você assiste uma partida de futebol na TV enquanto bebe alguma coisa. As pessoas falam alto, batem na mesa, riem e comem frituras", complementa Goya.

A história dos izakayas

John S Lander/LightRocket via Getty Images
Figurinha carimbada em qualquer izakaya, o tanuki é um tipo de guaxinim travesso e fanfarrão do folclore nipônico.

A história dos "botecos japoneses" nasceu em algum momento no período Edo (que vai do século 17 ao 19), quando proprietários de lojas de saquê, ao perceber que seus clients bebiam na rua, passaram a oferecer petiscos para que eles consumissem a bebida dentro de seus estabelecimentos.

Um personagem se transformou no garoto propaganda desse novo tipo de negócio: o tanuki. Figurinha carimbada em qualquer izakaya, o tanuki é um tipo de guaxinim travesso e fanfarrão do folclore nipônico. Onde há um tanuki, há saquê. E pode perceber, não existe um izakaya no mundo sem uma estátua de um tanuki sorrindo e mostrando sua pança com uma garrafinha de saquê a tiracolo.

Pratos que você não pode deixar de pedir em um izakaya

Katsu Sando

ahirao_photo via Getty Images
O Katsu Sando é um sanduíche tradicional de Tóquio.

Esse sanduíche é um clássico das ruas de Tóquio. A combinação do tonkatsu (bife de lombo de porco empanado) com pão de fôrma é bem simples, mas perfeita para acompanhar uma cervejinha. O molho que acompanha o filé pode ser maionese ou mostarda.

Takoyaki

Divulgação
Takoyaki do Taka Daru.

É um bolinho redondo feito com uma massa bem mole, quase de panqueca, e recheado com um pedaço de polvo. Ele é frito em uma chapa especial que parece um fôrma de gelo de formato redondo. É normalmente servido com maionese, pedaços de nori (folha de alga verde) e raspas de peixe seco.

Tonkatsu karê

Divulgação
Tonkatsu karê do Izakaya Toki.

É o equivalente japonês ao nosso combo arroz + feijão + bife + batatas frita. O prato consiste em uma porção de arroz japonês com um bife de lombo de porco empanado e molho curry ao estilo nipônico, mais doce e alaranjado que a versão em pó (e bem amarela) que é mais conhecida por aqui.

Okonomiyaki

Divulgação
Okonomiyaki do Izakaya Toki.

Criado na região de Osaka, o Okonomiyaki é o x-tudo japonês. Seu nome é autoexplicativo: okonomi quer dizer algo como "o que você quer" e yaki, "frito". Ou seja. Misture tudo aquilo que você gosta e frite. Ele é como uma panqueca com tudo dentro. Normalmente é uma massa acrescida de pedaços de carnes diversas (porco, lula, camarão), com vegetais, kimchi (repolho fermentado), queijo e servido com tiras de maionese e raspas de peixe seco.