MULHERES
22/11/2018 07:00 -02 | Atualizado 22/11/2018 11:04 -02

Líderes cervejeiras, sim!

A rota destas mulheres como líderes acompanhou a evolução de um mercado eminentemente masculino nos anos 90.

Na sequência, Letícia Kina, Paula Lindenberg e Patrícia Capel.
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Na sequência, Letícia Kina, Paula Lindenberg e Patrícia Capel.

Por Letícia Kina, Paula Lindenberg e Patrícia Capel

Há quase duas décadas, quando começamos a trabalhar na Cervejaria Ambev, a sociedade não falava tanto sobre diversidade. E as empresas reproduziam esse padrão — principalmente quando o assunto era mulheres chegando ao topo dos negócios.

Independentemente desse cenário, não nos intimidamos. Nossos caminhos não foram os mesmos dentro da companhia, mas fomos conquistando posições e evoluímos — assim como a discussão sobre a inclusão das mulheres nos cargos de liderança, seja na empresa ou na sociedade em geral. O que isso nos mostra? Que a trajetória para a representatividade feminina existe, sim. E isso é muito importante.

Não existe uma única rota para a liderança. Ela depende muito mais de como cada pessoa lida com os desafios e seus possíveis obstáculos e também das pessoas que fazem parte dessa história. Ao longo da nossa vida corporativa, tivemos diversas pessoas que nos mostraram caminhos que não víamos, que nos deram apoio, que nos ajudaram a não titubear quanto a nossa capacidade de alcançar qualquer cargo ou desafio que desejássemos. Sem distinção para melhor ou pior por sermos mulheres.

Eu, Patrícia, até me tornar CEO da nossa operação no Chile, Bolívia e Paraguai, passei por mais de 5 áreas corporativas em 4 países — incluindo ser a gerente responsável por uma cervejaria, por exemplo. Mais recentemente, já como vice-presidente global de Gente&Gestão, tive orgulho de ajudar a criar o programa global de diversidade, discutindo com as lideranças de todos os mercados em que atuamos sobre a importância do tema e de formar equipes com perfis diversos, estimulando a autenticidade.

Já nossas outras duas trajetórias foram de evolução e crescimento dentro das áreas de especialidade: uma Jurídica e a outra Marketing, o que nos colocou como referências nesses assuntos, tanto para nossos times como para o mercado. Em Marketing especificamente, eu, Paula, ajudei a liderar a evolução de posicionamento de uma de nossas principais marcas, a Skol. Deixando de lado estereótipos que, há muito tempo, não são mais aceitos — e que não queríamos mais continuar a propagar. Agora, como CEO da AB InBev no Reino Unido, continuarei a reforçar a importância dessa postura plural e inclusiva dentro e fora do nosso escritório.

Até chegar a vice-presidente Jurídica da Ambev, eu, Letícia,também acumulei experiência em outras áreas da companhia, incluindo financeira e de serviços compartilhados. Tive a oportunidade de trabalhar em projeto de combate à sonegação no setor; liderar uma equipe de mais de 200 pessoas, com histórias de vida pessoal e profissional bastante diferentes; e mais recentemente, conduzir as discussões sobre a atualização de nossa postura. Foi um passo importante para nos mantermos sempre próximos aos nossos consumidores, à sociedade em geral e para atrairmos cada vez mais talentos que construam um ambiente plural, em linha com nossa cultura.

Hoje, olhando ao redor, vemos times mais diversos, em que todos têm a liberdade de se expressar e ser quem são. Dá muito orgulho lembrar que não apenas acompanhamos a evolução que a nossa companhia vem passando, mas também participamos ativamente dessa história. Porque nem sempre foi assim — tanto aqui dentro como no mundo.

Sermos representantes da liderança feminina no principal grupo cervejeiro do mundo é mais do que representar: é entender que somos exemplo e que podemos inspirar outras profissionais a conquistarem os seus espaços onde elas quiserem. É assumir como nosso — de forma até pessoal — o papel de ajudar a guiar outras mulheres a também atingirem seus objetivos.

Agora, como é possível, de fato, fazer que mais mulheres cheguem ao topo? Na prática, o primeiro passo é entender que a diversidade e a soma das diferenças são positivas para qualquer negócio. A partir daí, implementar iniciativas para derrubar barreiras, combater o preconceito, dando oportunidades iguais e assim, vivendo a meritocracia. Hoje, 30% da base de liderança da nossa empresa no Brasil é feminina.

Sim, sabemos que ainda não é o cenário ideal. E que o caminho para isso ainda é longo. Mas, sabemos também que estamos apontando para a direção certa: desde 2015, mais do que dobramos a participação de mulheres em cargos de gerentes, diretoras e vice-presidentes na Ambev.

E antes que dúvidas apareçam: aqui na cervejaria temos salários iguais entre homens e mulheres no mesmo cargo. Fazer um mundo melhor é papel de todxs.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.