POLÍTICA
22/11/2018 10:49 -02 | Atualizado 22/11/2018 10:50 -02

Futuro ministro da Saúde, Mandetta teve voos pagos por empresa investigada, diz O Globo

4 nomes escolhidos por Bolsonaro são investigados, mas presidente eleito minimiza situação: 'Muito mais grave é a questão ideológica'.

HuffPost Brasil
Presidente eleito minimizou as investigações de integrantes da sua equipe. “Muito, mas muito mais grave que a corrupção é a questão ideológica. Vocês sabem muito bem disso

Escolhido para ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro, o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) teve voos particulares pagos por uma empresa de informática investigada pela Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. De acordo com reportagem do jornal O Globo, a Telemídia é suspeita de favorecimento durante a gestão do democrata na Secretaria de Saúde de Campo Grande (MS).

Segundo as investigações, em 2009, final de sua gestão, Mandetta fez uma licitação de R$ 9,9 milhões para implementar um sistema de informática e teria atuado para garantir que a empresa Telemídia ganhasse o contrato, mesmo não tendo sido a primeira colocada na concorrência.

De acordo com o Globo, a empresa pagou R$ 21 mil por uma série de voos da Amapil Táxi Aéreo entre junho e julho de 2010, período de pré-campanha do democrata para deputado.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) sustenta que houve "troca favores pessoais" relacionados à campanha. Para os investigadores, as viagens seriam uma espécie de contrapartida pela atuação de Mandetta na Secretaria de Saúde.

O novo ministro confirmou ao Globo ter feito voos sem pagar, mas disse que pediu o fretamento das aeronaves ao dono de um táxi-aéreo. "Quando eu deixei a secretaria, eu me relacionei com a Amapil. Tinha um médico que era irmão do proprietário e era por meio dele que eu pedia (os voos). Paguei alguns para a Amapil, alguns foram amigos que me deram", afirmou.

Mandetta disse, contudo, desconhecer se a Telemídia arcou com o custo de voos.

A defesa da Telemídia afirmou ao jornal que não irá comentar o caso. O dono da Amapil também foi procurado, segundo O Globo; mas não retornou.

Com apoio da Frente Parlamentar da Saúde, a escolha do deputado para compor o governo foi oficializada por Bolsonaro na última terça-feira (20).

Após o anúncio, o novo ministro ressaltou que não é réu no caso da suspeita de fraude na licitação, apenas investigado e que levou a situação ao presidente eleito. "Ele entende que é mais importante contar com essa unidade que a gente pode representar para o setor e com a experiência administrativa", afirmou.

Em seguida, Bolsonaro reforçou que o parlamentar não é réu e afirmou que "qualquer denúncia ou acusação que seja robusta [o ministro] não fará parte do governo".

No dia seguinte, o presidente eleito minimizou as investigações de integrantes da sua equipe. "Muito, mas muito mais grave que a corrupção é a questão ideológica. Vocês sabem muito bem disso", afirmou.

Além de Mandetta, outros 3 dos 12 nomes anunciados para compor a Esplanada dos Ministérios são investigados. Tereza Cristina (Agricultura) é acusada de beneficiar a JBS. Onyx Lorenzoni (Casa Civil) é investigado por recebimento de caixa 2 e Paulo Guedes (Economia) é acusado de irregularidades em fundos de pensão. Os 3 negam as acusações.