POLÍTICA
22/11/2018 09:49 -02 | Atualizado 22/11/2018 10:30 -02

Após revolta de evangélicos, Bolsonaro diz que procura nome técnico para Educação

Presidente eleito conversa nesta quinta-feira (22) com defensor da Escola sem Partido Guilherme Schelb. Possível indicação de Mozart Ramos foi criticada por aliados.

Adriano Machado / Reuters
“Temos que ter um bom nome técnico que faça com que no final da linha a garotada tenha uma previsão

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (22) que está em busca de um nome técnico para comandar o Ministério da Educação no seu governo. "Temos que ter um bom nome técnico que faça com que no final da linha a garotada tenha uma previsão."

O anúncio, feito em coletiva de imprensa, ocorre depois de uma revolta da bancada evangélica após a imprensa informar que o presidente havia sondado o diretor do Instituto Ayrton Senna Mozart Neves Ramos. O professor não tem trânsito entre os aliados de Bolsonaro.

O presidente eleito teria uma reunião com Mozart nesta quinta-feira. Ele negou o encontro, disse que "não tem nada. Está cheio de fake news". Afirmou, no entanto, que se o professor estiver em Brasília, eles conversam, que está "conversando com todo mundo" e que vai se encontrar com o procurador Guilherme Schelb.

O nome do procurador rebate as críticas da bancada evangélica, que barrou a nomeação de Ramos. Schelb é um ferrenho defensor da Escola sem Partido, o que é fundamental para os aliados de Bolsonaro.

"Não é veto ao nome (de Mozart), ele é uma pessoa muito respeitada. Mas tem um posicionamento ideológico totalmente diferente dos conceitos e princípios da bancada evangélica. Dois temas cruciais para a bancada são o Escola Sem Partido e a ideologia de gênero", afirmou o deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) ao Estadão.

Mozart foi presidente do Movimento Todos pela Educação e reitor da Universidade Federal de Pernambuco. A intenção inicial de Bolsonaro era nomear a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna. Ela declinou o convite e indicou seu assessor. À Folha de S.Paulo, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que integra a bancada evangélica, afirmou que Bolsonaro pode errar em qualquer ministério "menos no da Educação, que é uma questão ideológica para nós."

Schelb, por outro lado, é autor de livros sobre infância e educação e costuma dar palestras em defesa da Escola sem Partido. Em um evento organizado pela Secretaria de Educação do DF, em março deste ano, ele criticou as diretrizes da educação sexual no Brasil e disse que professores podem ser alvo de ações por danos morais se mostrarem conteúdo considerado indevido para menores de 14 anos.

Em março do ano passado, em uma audiência na Câmara dos Deputados sobre a Escola sem Partido, ele afirmou que a proposta pode ajudar as crianças e as próprias famílias a conhecerem seus direitos e a buscarem na Justiça a reparação por condutas abusivas eventualmente sofridas nas escolas.