POLÍTICA
22/11/2018 20:05 -02 | Atualizado 22/11/2018 22:19 -02

4 opiniões de Guilherme Schelb sobre a educação brasileira e a Escola sem Partido

Após reunião com Jair Bolsonaro na tarde desta quinta-feira (22), cotado para Ministério da Educação desconversou sobre convite.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Schelb:

O procurador da República Guilherme Schelb, enfático defensor da Escola sem Partido, se reuniu nesta quinta-feira (22) com o presidente eleito Jair Bolsonaro para discutir a educação no Brasil. Schelb estava cotado para o cargo de ministro da Educação, após a bancada evangélica criticar o nome do diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, que estaria sendo sondado para a pasta.

Depois da reunião com Bolsonaro, Schelb desconversou sobre convite para o Ministério. A jornalistas, ele negou que deixaria a procuradoria caso recebesse o convite. "Eu só me manifesto diante de um convite concreto", disse.

ATUALIZAÇÃO: Na noite desta quinta, Bolsonaro anunciou pelo Twitter que o professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Ricardo Velez Rodriguez será o ministro da Educação em seu governo.

Durante a entrevista, Guilherme Schelb compartilhou suas ideias de como melhorar a educação no Brasil, defendeu a Escola sem Partido, controversa proposta que determina que professores não poderão usar sua posição para fazer apologia a correntes políticas, ideológicas ou partidárias. "A educação não é próspera sem ordem e respeito", enfatizou.

Veja abaixo 4 afirmações do procurador sobre o assunto feitas nesta quinta:

"É preciso restabelecer a ordem democrática"

Par Schelb, o maior problema da educação brasileira é a falta de ordem e desconhecimento das leis.

"A proposta número 1 é segurança jurídica para o professor, o professor tem de estar seguro ao exercer sua função. A proposta número 2 é restabelecer o respeito às leis e normas que regem a educação e infância no ambiente escolar porque nenhuma educação do mundo é próspera se não houver ordem e respeito. (...) É preciso restabelecer a ordem democrática e democracia só existe por leis."

"Não é discussão de gênero; é violação da dignidade da criança"

Ao comentar sobre discussões de gênero dentro da sala de aula, o procurador afirma que qualquer assunto em classe é bem-vindo, desde que a lei brasileira seja respeitada.

"Crianças de 3 anos de idade são submetidas a uma condição de fragilidade psicológica que exige de quem exerce a lei um cuidado especial. Não posso dar dever de casa, como tem sido dado no Brasil, para crianças de 8 ou 9 anos, a pretexto de discussão de gênero, onde pergunta o que é sexo grupal, como 2 homens transam, o que é boquete? dando casos reais.

Porque, com o pretexto de discussão de gênero, o professor faz o que bem entender. Isso é uma violação da dignidade da criança sob o pretexto de discussão de gênero. É uma cláusula que está sendo usada abusivamente."

"Como pode fazer crianças passarem batom para aprender a combater o machismo?"

Questionado sobre o Escola sem Partido, que está prestes a ser votado em comissão especial na Câmara dos Deputados, o procurador afirma que o projeto trabalha com princípios antigos de resgatar o que está consolidado nas leis. Segundo ele, o que acontece na prática é um professor "ativista" utilizar sua aula para "falar o que bem entender". "Não existe moralidade", acrescentou.

"O principio é respeito às leis. Precisamos de professores que respeitem as leis vigentes. Crianças são pessoas em desenvolvimento... Como posso apresentar imagens abusivas, ou fazer crianças passarem batom para aprender a combater o machismo? Os casos são tão absurdos. De direita ou esquerda, ter as leis como referencial é fundamental."

"Os ativistas que utilizam a sua posição para fazer doutrinação são todos de esquerda"

Ao ser questionado sobre um tweet em que escreveu que a Escola sem Partido é escola sem os partidos PT e PCdoB, o procurador explicou que seria "um fato" que os professores que fazem "doutrinação" são "todos de esquerda". Depois, voltou atrás e disse que religiosos também poderiam fazer doutrinação na sala de aula.

"No nosso contexto atual, os ativistas que utilizam a sua posição de professor para fazer doutrinação são todos da esquerda. isso é um fato. (...) Mas veja, o Escola sem Partido, e a previsão de respeito aos alunos e professores, proíbe qualquer proselitismo, de direita, de esquerda, religioso. Mas é possível que você encontre religiosos, por exemplo, que usam sua aula de química para falar da sua fé religiosa... Está errado. É por isso que nossa educação é uma das piores do mundo."