POLÍTICA
21/11/2018 17:39 -02 | Atualizado 11/01/2019 07:57 -02

PT estuda acionar Justiça dos EUA contra WhatsApp, diz Haddad

Candidato derrotado à Presidência afirma que foi prejudicado por onda de fake news.

Reprodução/Facebook
Haddad concede entrevista com parlamentares do PT, em Brasília.

Fernando Haddad (PT), candidato derrotado à Presidência, disse nesta quarta-feira (21) que o PT estuda entrar com uma ação judicial contra o WhatsApp nos Estados Unidos. Segundo ele, a disseminação de notícias falsas por meio do aplicativo de mensagens foi um "tsunami cibernético" que atingiu sua candidatura.

"Queremos entrar com uma ação contra o WhatsApp nos Estados Unidos. Eles [WhatsApp] estão se recusando a abrir os dados sobre a onda de fake news na eleição brasileira, sobretudo no primeiro turno", disse Haddad em entrevista coletiva no Congresso Nacional.

Reportagem divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo antes do segundo turno das eleições indicou que empresas teriam financiado disparos em massa de mensagens contra o PT pelo WhatsApp. A prática seria ilegal porque a lei eleitoral proíbe a doação de empresas para campanhas.

A campanha de Jair Bolsonaro (PSL), que saiu vitoriosa e teria se beneficiado da ação, negou ter conhecimento do caso.

O ex-prefeito de São Paulo disse que o PT está interessado nos "macrodados" que podem ser fornecidos pelo WhatsApp.

"Queremos que o WhatsApp preste os esclarecimentos que se negou a fornecer à Justiça brasileira. Nós não estamos interessados em microdados, privacidade das pessoas. Estamos interessados em macrodados. Queremos saber quem contratou [as empresas de disparo em massa], quantas mensagens foram disseminadas, com que intuito e para prejudicar quem", afirmou.

Haddad disse que "a tecnologia está sendo usada para solapar as bases da democracia" e que outras eleições podem ser prejudicadas pela disseminação de fake news. Segundo ele, um esclarecimento do WhatsApp é de interesse "universal".

"Penso que é uma ação de caráter universal, com relevância universal. Se nós conseguirmos esclarecer o que aconteceu no Brasil, acho que podemos ajudar o mundo", afirmou. "O Brexit, por exemplo, já foi consequência do mau uso da tecnologia da informação", disse Haddad, referindo-se ao referendo em que os ingleses decidiram sair da União Europeia.

Frente de esquerda

Deputados e senadores do PT se reuniram com Haddad nesta quarta-feira para tratar da construção de uma frente de esquerda pela defesa de direitos sociais e civis e contra o avanço do conservadorismo no futuro governo Bolsonaro.

De acordo com o deputado José Guimarães (PT-CE), PT, PSol, PCdoB, PSB e PDT somam cerca de 140 deputados, mas a ideia é formar uma frente ampla além da esquerda, com o centrão. "PP, PR, PSD, procuramos diálogo com todo mundo", disse Guimarães ao HuffPost Brasil.

Este foi o primeiro encontro de Haddad com as bancadas do PT na Câmara e no Senado, e a ideia é que as reuniões sejam mensais. O ex-prefeito também irá cumprir uma agenda que inclui eventos internacionais e foi convidado pelo senador norte-americano Bernie Sanders para compor uma frente ampla progressista.

"Pela expressão nas urnas, ele é uma liderança em si mesmo. Quase se tornou presidente do Brasil", disse a deputada Margarida Salomão (PT-MG).