POLÍTICA
21/11/2018 04:00 -02

DEM cresce no governo Bolsonaro e irá apoiar votações no Congresso

Presidente do partido, ACM Neto se reúne com o ministro Onyx Lorenzoni nesta quarta, mas democratas dizem que nomeações são escolha pessoal.

Montagem/Facebook/Getty Images/Agência Câmara

Com três futuros ministros no governo de Jair Bolsonaro e promessas de apoio a propostas do presidente eleito no Congresso, o DEM evita declarar uma aliança formal com o capitão da reserva a poucos meses da eleição para o comando do Legislativo.

O presidente do partido e prefeito de Salvador, ACM Neto, se reúne nesta quarta-feira (21) com o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni(DEM-RS) em Brasília para discutir a relação. Bolsonaro também estará presente no encontro, de acordo com o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

O deputado, que não foi reeleito, afirma que a relação da bancada com o presidente eleito é "muito boa", mas nega que fará parte da equipe. "Não tem nenhuma conversa para ocupar cargo", afirmou ao HuffPost Brasil.

Pauderney chegou a apresentar a Onyx um esboço de proposta para uma reforma da Previdência infraconstitucional alinhada com a equipe de Bolsonaro, mas a iniciativa não foi para frente.

O apoio à agenda econômica, da segurança e de costumes do capitão da reserva encontra ressonância entre os democratas. "Há uma identidade de agenda com boa parte das propostas", afirmou à reportagem o deputado Efraim Filho. "Há um clima de harmonia e o partido entende que terá um papel essencial na governabilidade", completou.

O DEM terá 29 deputados e 6 senadores a partir de 2019. Nos estados, a legenda cresceu nas últimas eleições. Conseguiu eleger dois governadores: Ronaldo Caiado, em Goiás, e Mauro Mendes, no Mato Grosso do Sul.

A legenda foi uma das mais enfáticas na defesa do impeachment de Dilma Rousseff e fez parte do governo de Michel Temer. Também ganhou destaque a partir de 2016 com a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidência da Câmara dos Deputados.

Reeleição de Rodrigo Maia

É justamente a intenção de reeleição de Maia um fator decisivo no jogo de forças do apoio do DEM a Bolsonaro. Parte dos parlamentares acredita que uma presença massiva da legenda no futuro governo pode dificultar os planos no comando da Câmara, já que a sigla teria mais poder.

Em meio à escolha da equipe da Esplanada dos Ministérios, o democrata buscou selar um início informal de sua campanha com um jantar na noite de terça. O objetivo do evento, segundo Efraim, era a ambientação de novos parlamentares e foram chamados todos os partidos, incluindo PSDB, centro e oposição.

Foi com apoio de partidos progressistas que o democrata conseguiu se eleger para a presidência da Câmara. Essa abertura, contudo, é vista com ressalvas por aliados do capitão da reserva. Bolsonaro já afirmou que não irá interferir na votação do comando do Legislativo.

É justamente o trânsito entre diferentes segmentos que fortalece Maia, na visão de aliados. "Rodrigo não é o preferido do PSL, não é o preferido da esquerda, mas é o único aceito pelos dois", resume Efraim em um cenário com mais de sete concorrentes.

Outros nomes na disputa, Capitão Augusto (PR-SP) e João Campos (PRB-GO) são mais próximos a Bolsonaro, mas vistos como candidatos de nicho - da bancada da bala e da bancada religiosa, respectivamente.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Apoio formal do DEM ao governo Bolsonaro pode comprometer reeleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara.

Três ministros do DEM

Apesar da proximidade na prática, a aliança do DEM não é tratada nos moldes até então conhecidos na composição dos governos. Tradicionalmente, partidos que integram a base ajudam a aprovar propostas do Planalto no Congresso e indicam nomes para cargos no Executivo.

No primeiro turno, a legenda apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) e no segundo, liberou os filiados. ACM Neto, contudo, declarou apoio ao então candidato do PSL.

"A condução desse tema tem sido feita pelo ACM Neto. A maioria está disposta a oferecer apoio de base no Congresso e um diálogo presente", afirmou ao HuffPost o deputado Mendonça Filho (DEM-PE). Ministro da Educação no governo Temer, ele disse desconhecer informações sobre cargos.

Até o momento, além de Onyx, os deputados Mandetta e Tereza Cristina, ambos do DEM do Mato Grosso do Sul, foram escolhidos como ministros da Saúde e da Agricultura, respectivamente.

Entre os 10 ministros anunciados, todos os outros 7 são considerados quadros técnicos. Não há outros parlamentares na lista.

Apesar de reconhecer a afinidade de pensamento, democratas dizem que as nomeações são escolhas pessoais do presidente eleito. "É um grande quadro, mas indicação foi exclusiva do presidente", disse Maia a jornalistas sobre a indicação de Mandetta nesta terça-feira (20).

De acordo com Efraim, o DEM apoia os nomes, mas eles não fazem parte de uma cota da sigla. "As nomeações não são partidárias, mas fruto da representatividade da sociedade civil organizada da cota pessoal de confiança dele [Bolsonaro]. Isso não impede que o Democratas reconheça que tem quadros necessários para contribuir com o novo governo e o apoio deve ser natural muito mais pela identidade de agenda", afirmou.

O mesmo discurso é repetido pelo presidente eleito. "Onyx sempre esteve comigo, mesmo antes do primeiro turno. Tereza Cristina foi uma indicação da bancada da agricultura. Mandetta também foi indicado pelos mais variados partidos. Por coincidência pertence ao DEM. Nada a ver no tocante a partido. Não são indicações para atender interesses político-partidários", afirmou nesta terça a jornalistas.