POLÍTICA
20/11/2018 15:41 -02 | Atualizado 21/11/2018 08:32 -02

Bolsonaro confirma indicação de Mandetta para o Ministério da Saúde

“Assumirá com essa enorme missão de mostrar que a saúde tem jeito”, disse o capitão reformado do Exército ao colega de Parlamento.

Anúncio da indicação de Mandetta para o Ministério da Saúde foi feito em encontro com parlamentares da frente da saúde.
Fotos: Rafael Carvalho
Anúncio da indicação de Mandetta para o Ministério da Saúde foi feito em encontro com parlamentares da frente da saúde.

O presidente eleito Jair Bolsonaro(PSL) confirmou a escolha do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para assumir o comando do Ministério da Saúde no seu governo. "Assumirá com essa enorme missão de mostrar que na saúde tem jeito", disse o capitão reformado do Exército ao colega de Parlamento.

O anúncio foi feito ao deputado e demais parlamentares que compõem a Frente Parlamentar da Saúde.

"Apesar de nossa profissão ser extremamente oposta uma da outra, eu sou capitão de artilharia, (...) você está recuado no campo de combate, da minha ação depende a sua vida, então quis o destino que isso acontecesse", disse Bolsonaro a Mandetta, que é médico ortopedista.

O nome do parlamentar estava sob escrutínio de Bolsonaro há dias. Havia, no entanto, o entrave de uma investigação por fraude em licitação que pesava contra a indicação. A Procuradoria-Geral da República apura se parlamentar favoreceu duas empresas em um contrato de R$ 9,9 milhões assinado com a Secretaria de Saúde de Campo Grande (MS). Ele comandou a pasta entre 2005 e 2010.

O novo ministro ressaltou que não é réu no caso, apenas investigado e que levou a situação ao presidente eleito. "Ele entende que e mais importante contar com essa unidade que a gente pode representar para o setor e com a experiência administrativa", afirmou. Mais tarde, Bolsonaro enfatizou que o parlamentar não é réu e afirmou que "qualquer denúncia ou acusação que seja robusta [o ministro] não fará parte do governo".

Apesar de ter servido como médico do Exército por um ano, em 1993, ele negou que seja mais um militar no governo Bolsonaro. "A carreira militar nunca esteve nas minhas intenções", afirmou.

FOTOS: RAFAEL CARVALHO
Apesar de ter servido como médico do Exército por um ano, em 1993, ele negou que seja mais um militar no governo Bolsonaro.

Mais Médicos

Em entrevista à imprensa, o deputado que está no segundo mandato afirmou que há outras possibilidades de garantir a qualidade dos médicos formados no exterior além do exame conhecido como Revalida.

Questionado se vai exigir o exame para todos profissionais do Mais Médicos, Mandetta afirmou que questões específicas serão decididas após ouvir sugestões do atual ministro, Gilberto Occhi e de sua gestão. "Uma possibilidade é a avaliação em serviço e medidas que ao mesmo tempo que resguarda população dá garantias da qualidade daquele profissional", afirmou.

Sobre o programa iniciado no governo de Dilma Rousseff, o democrata afirmou que saída dos cubanos é um dos "riscos de se fazer um convênio terceirizando uma mão de obra tão essencial". " Os critérios à época me parece que eram muito mais um convênio entre Cuba e o PT e não entre Cuba e o Brasil", criticou.

Pelas regras do programa iniciado em 2013, brasileiros e estrangeiros formados no Brasil têm prioridade para ingressarem. Em uma outra etapa são convocados médicos formados fora do Brasil que tenham revalidado o diploma no país, com o exame chamado Revalida.

Em uma terceira etapa, são chamados brasileiros formados no exterior que não realizaram o Revalida e, em seguida, estrangeiros nessa situação. Só após esses procedimentos é que as vagas eram oferecidas aos cubanos - que são proibidos pelo regime cubano de fazer o Revalida.

O governo de Cuba decidiu deixar o programa por considerar "depreciativas e ameaçadoras" declarações de Bolsonaro sobre os médicos cubanos.