NOTÍCIAS
19/11/2018 17:43 -02 | Atualizado 19/11/2018 18:41 -02

Após anúncio de Castello Branco, Bolsonaro reafirma que parte da Petrobras pode ser privatizada

"Alguma coisa você pode privatizar. Não toda. É uma empresa estratégica. Estamos conversando sobre isso aí”, afirmou o presidente eleito.

Adriano Machado / Reuters
Aos jornalistas no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse ainda que vê com

Horas após a confirmação da indicação do economista Roberto Castello Branco para a presidência da Petrobras, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, reafirmou que parte da estatal pode ser privatizada.

"Alguma coisa você pode privatizar. Não toda. É uma empresa estratégica. Estamos conversando sobre isso aí", afirmou após ser questionado por jornalistas nesta segunda-feira (19), no Rio de Janeiro.

O capitão da reserva disse que não é uma pessoa "inflexível", mas que o tema deve ser tratado "com muita responsabilidade". Bolsonaro disse ainda que viu com "bons olhos" a privatização da Embraer.

De acordo com o novo chefe do Executivo, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, tem "carta branca" para indicar a equipe econômica. Bolsonaro também confirmou que o atual presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, pode assumir a presidência do Banco do Brasil.

Parte da equipe de transição, Castello Branco também esteve presente na campanha eleitoral. O economista é amigo de Guedes desde a década de 1980 e presidiu o Ibmec, rede ensino fundada pelo futuro ministro.

Bolsonaro disse que pode se encontrar com o futuro presidente da Petrobras nesta terça-feira (20), em Brasília. De acordo com a assessoria da FGV (Fundação Getulio Vargas), onde Castello Branco trabalha atualmente, ele chega à capital nesta segunda.

Ainda sobre o papel da equipe de Guedes, Bolsonaro disse que são pessoas "testadas pelo mercado" e que não podem errar. "Eles são a parte importante desse plano de governo. Não podem errar. Não têm o direito de errar. Eles não podem voltar atrás. Fica complicado voltar atrás porque o mercado dá sinal negativo", afirmou.

Questionado sobre as posições de Castello Branco, que seria mais favorável à privatização da estatal, Bolsonaro reafirmou a defesa da intervenção estatal na política de preços de combustíveis, a fim de não sobrecarregar a população.

"Tenho conversado com ele. Você sabe que não sou economista, né? Quem ferrou o Brasil foram os economistas. Eu não entendo de economia, mas eu tenho bom senso e sei o que o povo quer na ponta da linha. Sem canetaço, sem a mão grande do governo, querem um combustível mais barato, um gás de cozinha mais barato. Agora, grande parte depende dos governadores, que botam o ICMS lá em cima", afirmou.

SERGIO LIMA via Getty Images
"Um povo que sabe o que é ditadura. O povo brasileiro não sabe o que é ditadura aqui ainda", disse Bolsonaro sobre Hungria.

Imigração e ditadura

Ao comentar a conversa por telefone com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, Bolsonaro disse que o Brasil "não sabe o que é ditadura ainda", diferentemente do povo húngaro.

"É um país que sofreu muito com o comunismo no passado. É um povo que sabe o que é ditadura. O povo brasileiro não sabe o que é ditadura aqui ainda. Não sabe o que é sofrer na mão dessas pessoas e ele está muito feliz com a nossa eleição. Com toda certeza, seremos grandes parceiros no futuro."

Político de extrema-direita, Orbán é conhecido pelos discursos xenófobos e por medidas de isolamento da Hungria. Em setembro, o Parlamento da União Europeia decidiu punir o país por ignorar regras democráticas de maneira "persistente".

Questionado sobre a postura da Hungria diante da imigração, Bolsonaro criticou a lei brasileira. "Fui contra essa última lei de imigração nossa que transformou o Brasil num país sem fronteiras. Não podemos admitir a entrada indiscriminada de quem quer que seja aqui simplesmente porque quer vir para cá", afirmou.

Ainda de acordo com o presidente eleito, a Europa toda está sofrendo com "essa questão de migração desordenada". "Regiões da Alemanha têm sofrido muito no tocante a isso aí e temos que nos preocupar. Se essa lei continuar em vigor no Brasil, qualquer um pode entrar aqui e chega com mais direitos do que nós", completou.

A nova legislação substituiu o Estatuto do Estrangeiro, criado em 1980, ainda durante a ditadura militar, e foi vista como avanço por se pautar pelos direitos humanos e não considerar o imigrante ameaça à segurança nacional.

A norma garante, por exemplo, que o estrangeiro não seja deportado ou repatriado se correr risco de morte ou de sofrer ameaças à sua integridade pessoal ao retornar ao país de origem.

NurPhoto via Getty Images
"Pode esquecer. Não foi essa que esteve à frente da prova do Enem? Tá fora. Tá cartão vermelho (sic)", disse Bolsonaro sobre chance de presidente do Inep assumir Ministério da Educação.

Ministério da Educação

Sobre a composição da Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro não indicou quem comandará a Educação, mas descartou o nome da presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini.

"Pode esquecer. Não foi essa que esteve à frente da prova do Enem? Tá fora. Tá cartão vermelho (sic). Tem nem cartão amarelo. Cartão vermelho direto", respondeu a jornalistas.

O Inep é o órgão responsável por elaborar as provas do Enem. O presidente eleito criticou questão da prova de Linguagens, aplicada em 4 de novembro, por citar o termo "pajubá", conjunto de expressões usado pela comunidade LGBT.

Após as crítica, Maria Inês Fini lamentou, em entrevista ao jornal espanhol El País, "leituras equivocadas" sobre a prova e garantiu que "não é o governo que manda no Enem".

Nesta segunda, Bolsonaro retomou críticas à gestão petista na Educação. "A educação desde há muito (sic) está aparelhada. Há um marxismo lá dentro que trava o Brasil (...) Até a prova do Pisa, a educação do Ensino Fundamental, no tocante a isso daí, nós somos o último lugar, no tocante à nota, e a molecada não sabe fazer uma regra de três simples, não sabe interpretar texto. Tem alguma coisa errada", afirmou.