POLÍTICA
14/11/2018 11:16 -02 | Atualizado 14/11/2018 11:27 -02

Onyx diz ser 'combatente contra a corrupção' após nova acusação de caixa 2

Planilha de delatores da JBS revelada pela Folha de S. Paulo mostra que ministro da Casa Civil de Bolsonaro teria recebido R$ 100 mil em 2012.

Adriano Machado / Reuters
Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, conversa com os jornalistas nesta quarta-feira.

Futuro ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni afirmou nesta quarta-feira (14) que é um "combatente contra a corrupção" após uma nova acusação de receber caixa dois. Planilha de delatores da JBS mostra que o deputado do DEM teria recebido R$ 100 mil em 2012, segundo revelou a Folha de S. Paulo nesta quarta.

"Se requenta uma informação do ano passado dada por alguém que não sei quem é, não conheço, nunca vi. No episódio de 2014, eu reconheci e fiz o que uma pessoa que carrega a verdade tem que fazer. Nada temo", afirmou o ministro na manhã desta quarta-feira (14), ao ser questionado por jornalistas.

No ano passado, o parlamentar confessou ter obtido da empresa R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral para a campanha de 2014. O episódio foi objeto de perdão do futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro. "Ele mesmo admitiu os seus erros e pediu desculpas, e tomou as providências pra reparar", respondeu o juiz em uma coletiva de imprensa na semana passada.

Após a publicação da reportagem da Folha nesta quarta, Onyx fez duras críticas ao jornal, em consonância com a postura do presidente eleito. " O que a Folha quer? O Fernando Haddad, que tem 30 processos? A Folha queria o Lula? A mídia engajada queria o Lula? A Dilma Rousseff? O Zé Dirceu? Perderam a eleição", afirmou.

O ministro também mostrou incômodo com as críticas recebidas pela equipe do capitão da reserva. "Faz um ano que muitos tentam destruir Jair Messias Bolsonaro, seus filhos, seus colaboradores, quem está próximo dele. Qual foi a resposta da sociedade brasileira? Uma vitória esmagadora", afirmou.

Lorenzoni reclamou da atuação da imprensa. "No governo que está sendo montando não houve nenhuma trégua desde o final da eleição. Todo dia tem alguém batendo num governo que não teve paz para tentar se organizar. Pedi a todos que nos dessem uma trégua, que nós pudéssemos organizar o governo", afirmou.

Logo após o resultado das urnas, o democrata sugeriu um pacto com jornalistas, dando a entender que a mídia deveria evitar críticas no início do governo. "Nos deixem organizar o governo, deixa a gente governar, e aí nos critique, mas não comecem já a minar o que nem começou ainda", afirmou.

Nesta quarta, o ministro extraordinário da equipe de transição disse que é sua intenção "fazer uma transformação verdadeira no Brasil" e combater o "sistema corrupto"."Jair Bolsonaro, Onxy Lorenzoni, Sérgio Moro são combatentes contra a corrupção. Não nos misture nessa lama petista", completou.

Caixa dois de Onyx Lorenzoni

Segundo a reportagem da Folha, um dos delatores, o ex-diretor de Relações Institucionais da J&F Ricardo Saud, afirmou que as transferências eram uma forma de conquistar a "simpatia de um parlamentar". "Negociações específicas de propina em troca de atos de ofício costumam envolver somas de dinheiro bastante elevadas. Por isso, fazer um pagamento genérico a título de doação de campanha pode ser uma forma menos custosa de obter o mesmo resultado", completou.

Onyx não foi candidato em 2012, mas era presidente do DEM no Rio Grande do Sul. Os supostos pagamentos estão sendo investigados pela Procuradoria Geral da República desde agosto.

Questionado pela Folha, o deputado não respondeu especificamente sobre o suposto caixa dois delatado pela JBS na campanha de 2012. Em nota, a assessoria do parlamentar informou que ele não recebeu da empresa, mas da Abiec (Associação das Indústrias Exportadoras de Carne), em 2014.

Naquele ano, o democrata se candidatou a deputado federal e conseguiu se reeleger. "Os recursos foram usados na campanha de 2014 e o ministro só soube da origem quando os diretores da JBS falaram a respeito, pois ele havia recebido do presidente da Abiec, Camardelli, amigo de 30 anos", informou a assessoria do ministro, de acordo com a Folha.