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14/11/2018 19:56 -02 | Atualizado 14/11/2018 20:13 -02

Bolsonaro sobre Mais Médicos: 'Duvido que alguém queira ser atendido pelos cubanos'

Cuba anunciou que deixará o programa. "Não temos comprovação de que eles sejam realmente médicos", afirmou presidente eleito.

Jair Bolsonaro diz que é "um desrespeito" oferecer tratamento de cubanos a pacientes brasileiros.
SERGIO LIMA/AFP/Getty Images
Jair Bolsonaro diz que é "um desrespeito" oferecer tratamento de cubanos a pacientes brasileiros.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quarta-feira (14) que o governo de Cuba tomou uma "decisão unilateral" ao anunciar que deixará o programa Mais Médicos, mas questionou a formação dos cubanos e a qualidade do atendimento prestado por eles na saúde.

"É um desrespeito com quem recebe tratamento por parte desses cubanos. Não temos qualquer comprovação de que eles sejam realmente médicos e estejam aptos a desempenhar a função", afirmou Bolsonaro em entrevista coletiva, em Brasília.

"Vocês mesmo, eu duvido que alguém queira ser atendido pelos cubanos", disse aos jornalistas. Ele afirmou, ainda, que tem recebido relatos de "verdadeiras barbaridades" cometidas por médicos da ilha caribenha.

Havana atribuiu a decisão de abandonar o programa às declarações "depreciativas e ameaçadoras" do presidente eleito. Bolsonaro tem dito que os cubanos deverão se submeter ao Revalida, exame de revalidação de diplomas de médicos formados no exterior.

O Mais Médicos foi criado em 2013 pelo governo Dilma Rousseff (PT) para suprir áreas carentes e remotas do País em programas de saúde da família (atenção básica). De acordo com o Ministério da Saúde, o programa conta hoje com profissionais chilenos, argentinos, uruguaios, venezuelanos e franceses, além de brasileiros e cubanos, e nenhum deles é obrigado a fazer o Revalida.

O presidente eleito disse que o programa continuará existindo e deu a entender que o Revalida passará a ser obrigatório no Mais Médicos.

"[Para] qualquer profissional de saúde trabalhando no Brasil, exigiremos uma prova de que eles realmente são competentes, conhecida como Revalida."

O Ministério da Saúde informou que desde 2016 — ano em que Dilma foi afastada pelo impeachment — "vem trabalhando na diminuição de médicos cubanos no programa", dando prioridade aos profissionais de outras nacionalidades. Ainda assim, das 18.240 vagas que existem atualmente, 8.332 são ocupadas por cubanos (45%).