POLÍTICA
14/11/2018 17:05 -02 | Atualizado 10/01/2019 18:16 -02

Bolsonaro indica para Itamaraty embaixador crítico ao PT

Futuro ministro das Relações Exteriores é chefe do Departamento de Estados Unidos e mantém blog em que se posiciona politicamente.

Reprodução Instagram
Embaixador Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores, e Bolsonaro.

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (14) como seu ministro das Relações Exteriores o embaixador Ernesto Araújo, hoje chefe do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos.

Araújo escreve, desde setembro, um blog em que trata de política, tendo criticado abertamente o PT e elogiado Bolsonaro durante a campanha. O posicionamento político público é atitude pouco comum entre diplomatas.

Também é pouco comum que diplomatas que não tenham estado à frente de alguma embaixada assumam o Itamaraty. Apesar de ter o título de embaixador - que se refere à sua posição na carreira diplomática - Araújo nunca chefiou uma embaixada.

Nos últimos casos de diplomatas de carreira que se tornaram ministros, todos haviam chefiado pelo menos uma importante embaixada: Mauro Vieira, Luiz Alberto Figueiredo, Antonio Patriota, Celso Amorim e Luiz Felipe Lampreia.

Araújo foi o número 2 da embaixada brasileira em Washington até 2015 - sob os embaixadores Mauro Vieira e Luiz Alberto Figueiredo. Depois voltou ao Brasil para chefiar o Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos - um posto importante em Brasília. Entre os colegas, é visto como um especialista nas relações com Washington.

A jornalistas, Bolsonaro disse ter escolhido o diplomata por "seu perfil, por suas propostas, por sua vida pregressa". "Tem 29 anos no ministério, é bastante experiente", declarou. Pelo Twitter, havia dito que a "política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje".

Ao lado de Araújo, Bolsonaro disse ainda que o seu chanceler terá como missão "motivar o MRE, incrementar a questão de negócios com o mundo todo sem viés ideológico". "Ele tem iniciativa. E com todo respeito, algumas instituições perderam o seu brilho nos últimos anos. Queremos o MRE brilhando."

O embaixador, por sua vez, disse que quer "antes de tudo garantir que este momento extraordinário que o Brasil está vivendo com a eleição do presidente Bolsonaro se traduza dentro do Itamaraty". "Uma política efetiva, em função do interesse nacional, de um Brasil atuante, feliz e próspero", disse.

O diplomata afirmou ainda que não terá "preferência" por nenhum país. "Temos relações excelentes com todos os parceiros."

'Sobrevivência da pátria'

Em um post de seu blog em 30 de setembro, antes do primeiro turno, o diplomata escreveu que as eleições significavam "uma escolha entre diferentes projetos para a pátria". "Trata-se de uma luta pela sobrevivência da pátria", afirmou.

"A bandeira nacional é o símbolo da campanha de Bolsonaro não por acaso, mas porque as pessoas sabem que a luta não é entre dois partidos, é entre a pátria de um lado, a pátria livre, e a negação da pátria de outro, a escravidão política e ideológica, os grilhões que os criminosos do PT, soltos ou encarcerados, nos preparam", escreveu.

O embaixador ainda afirmou, no post, que "a bandeira, o nome e o amor do Brasil" seriam arrancados da mão, da boca e do coração dos brasileiros "se o PT vencer".

O diplomata se descreve em seu blog como diplomata e escritor que quer "ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista".

"Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão", escreveu o embaixador, na sua descrição.

"A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história", completa.