LGBT
13/11/2018 05:00 -02 | Atualizado 13/11/2018 09:45 -02

Carol Duarte sobre LGBTs: 'Este é o momento de a gente se unir'

Depois de viver trans em 'A Força do Querer', atriz volta ao horário nobre em 'O Sétimo Guardião' na pele de prostituta gaga.

Carol Duarte: "O Brasil ainda é o país que mais mata LGBTs".
Fabiano Battaglin/Gshow
Carol Duarte: "O Brasil ainda é o país que mais mata LGBTs".

Depois de emocionar o Brasil na pele do transexual Ivan, em A Força do Querer, Carol Duarte volta ao horário nobre para uma nova empreitada. Ela será a prostituta Stefânia em O Sétimo Guardião, nova novela de Aguinaldo Silva, que estreou nesta segunda-feira (12) na TV Globo.

Na trama, a personagem de Carol trabalha na pousada e no bordel de Ondina (Ana Beatriz Nogueira), que funcionam no mesmo local, e tem uma característica peculiar: ela gagueja quando fica nervosa.

Apesar de pertencer a um núcleo cômico da novela, Carol não bate o martelo sobre estar fazendo comédia neste novo papel. "A linha tênue entre o que é ou não cômico sempre foi uma questão que me questionei como atriz. Nesse trabalho, me interessa mais estar nesse limite do que de um lado só — que também sei que pode ser maravilhoso", conta ao HuffPost Brasil.

Para dar conta da característica da gagueira da personagem, Carol teve aulas com uma fonoaudióloga e continua em processo de descoberta da personagem."O que é engraçado olhando de fora pode ser profundamente trágico quando visto de dentro", afirma.

João Cotta/Globo
Carol Duarte terá destaque na nova novela das 9 da TV Globo.

Paulistana de 26 anos e com carreira iniciada no teatro, Carol ganhou repercussão nacional logo em seu primeiro papel na TV. No ano passado, ela mostrou aos espectadores de A Força do Querer todas as etapas de processo de transição de gênero, no caso da jovem Ivana para Ivan.

"O processo do Ivan foi muito bonito. Era um tema muito importante na época e continua sendo agora", recorda a atriz em entrevista. "Aliás, talvez mais importante agora", ela diz, referindo-se ao Brasil pós-eleições. "A gente continua sendo o país que mais mata LGBTs e acredito que a partir de agora vamos viver momentos mais sombrios nesse sentido", opina.

Carol sublinha que, apesar do forte traço de homofobia e transfobia existente no País, a acolhida ao seu personagem foi positiva. "Isso é muito contraditório, mas a recepção foi muito bonita. O público torceu muito pela felicidade do Ivan."

Temos que ser inteligentes, muito fortes e, acima de tudo, nos apoiarmos muito.

A orientação sexual de Carol também virou assunto quando ela surgiu no horário nobre. Para a atriz, que é lésbica, isso não foi um problema. Pelo contrário, ela aposta que quanto mais pessoas LGBT ocuparem os diferentes setores da sociedade, menos questões sobre elas serão tabu.

Além da comunidade LGBT, ela cita a população negra como minoria política que precisa estar representada nos diferentes espaços. "Porque no Brasil, onde a maioria é negra, quando não há um negro dentro de uma empresa, tem uma coisa de muito estranha. Tem uma voz sendo calada", acredita.

A atriz vê com receio o novo cenário político a partir de 2019 com a posse de Jair Bolsonaro. "Esse é o momento de a gente se unir. Porque não vai ser muito fácil", afirma, referindo-se aos LGBTs.

"Mas nós não podemos achar que estamos na maior merda do mundo. Estamos falando, estamos aqui. Temos que ser inteligentes, muito fortes e, acima de tudo, nos apoiarmos muito."