POLÍTICA
13/11/2018 04:20 -02 | Atualizado 13/11/2018 09:56 -02

Bolsonaro não prioriza Congresso em agenda em Brasília

Presidente eleito cancela reuniões com presidentes da Câmara e do Senado e pode anunciar 3 ministros nos próximos dias.

EVARISTO SA via Getty Images
O presidente eleito Jair Bolsonaro, que é deputado federal desde 1991, durante sessão no Congresso.

Na continuidade das atividades do governo de transição, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, vai nesta terça-feira (13) a Brasília pela segunda vez após o resultado do segundo turno. Ele tem reuniões programadas com o Judiciário, mas deixou em segundo plano a relação com o Congresso Nacional.

Encontros com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) previstos para esta terça foram desmarcados. A assessoria do capitão da reserva não informou o motivo, mas a mudança ocorreu após desentendimentos entre parlamentares e a equipe que ocupará o Palácio do Planalto.

Nesta segunda-feira (12), Bolsonaro procurou minimizar o desgaste. "Há um equívoco por parte da mídia de que eu teria cancelado duas audiências, com o Eunício e com o Rodrigo Maia. O que eu falei para a minha assessoria em Brasília é que queria visitar a Câmara e o Senado. O que é visitar a Câmara? É o plenário. Aí eles marcaram audiência", afirmou Bolsonaro em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

"Não quero audiência. Por que? Eu falo com eles pelo telefone, eles falam comigo pelo telefone, não precisamos de audiência. Daí eles [assessoria] cancelaram", completou.

Nomeado ministro extraordinário e futuro chefe da Casa Civil, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), se reuniu com Maia nesta segunda, ao lado de Gustavo Bebbiano, que deve ser escolhido ministro da Secretaria Geral da Presidência da República. "Apresentamos a ele a condição de poder avaliar como pretendemos trabalhar com a Câmara", afirmou a jornalistas.

Bolsonaro, deputado federal desde 1991, foi ao Congresso pela primeira vez como presidente eleito na semana passada, mas não se reuniu com Eunício nem com Maia, apesar de ter participado de sessão solene que comemorou os 30 anos da Constituição de 1988.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, por sua vez, causou desconforto entre parlamentares ao defender uma "prensa no Congresso" para que o atual texto da reforma da Previdência seja aprovado até o fim do ano. Uma dificuldade na relação entre Executivo e Legislativo pode inviabilizar a aprovação de propostas do governo.

O presidente do Senado se incomodou com o tom adotado pelo economista em conversa na última semana. Sem conseguir se reeleger, Eunício disse não estar preocupado "se Bolsonaro vai gostar ou não", em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Questionado sobre a frase de Guedes, Onyx Lorenzoni procurou minimizar desavenças. "É que nem diz o capitão: às vezes tem de dar uma canelada. Mas não, vamos tratar ao contrário. Toda equipe está sendo preparada para que os parlamenteares em dezembro de 2019 digam que nunca foram tão respeitados e valorizados como no governo de Jair Bolsonaro", afirmou.

Aliado de Bolsonaro e eleito senador, o atual deputado Major Olímpio (PSL-SP) também negou entraves na articulação. "Não vejo nenhuma dificuldade de interlocução", afirmou a jornalistas nesta segunda.

De acordo com o deputado, o cancelamento da agenda com Maia e Eunício "deve ter sido uma alteração de data'. "Logicamente ele [Bolsonaro] vai conversar institucionalmente com o presidente da Casa aqui [Câmara], com o presidente do Congresso, que é o presidente do Senado, até porque são eles os donos da pauta", afirmou.

O objetivo é alinhar o que pode ser pautado neste ano para auxiliar o novo governo, além de restrições de "pautas bomba" para evitar impacto nas contas públicas.

De acordo com aliados do presidente, têm sido limitados os movimentos de aproximação com Rodrigo Maia, que mira o apoio do Planalto para se reeleger no comando da Câmara em fevereiro. Nesta segunda, Onyx Lorenzoni afirmou que o futuro governo "não pretende intervir nas decisões da Câmara", em referência à eleição da presidência da Casa.

Nos bastidores, Bolsonaro não descarta apoiar informalmente concorrentes do democrata para o cargo, como Alceu Moreira (MDB-RS), Capitão Augusto (PR-SP) ou João Campos (PRB-GO), representantes das bancadas ruralista, da bala e da Bíblia, respectivamente.

Bolsonaro encontra Rosa Weber

Nesta terça-feira, o presidente eleito tem encontros com a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Rosa Weber, o presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Britto Pereira, e do STM (Superior Tribunal Militar), ministro José Coelho Ferreira.

Bolsonaro também irá conversar com a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, pela manhã. No mesmo dia, a deputada do DEM que preside a Frente Parlamentar Agropecuária se reúne com o grupo.

No encontro com o presidente será discutida a estrutura do ministério da democrata, que poderá englobar as áreas de pesca e agricultura familiar a partir de 2019.

A escolha do ministro do Meio Ambiente, por sua vez, deve ser definida pelo capitão da reserva. A atriz Maitê Proença admitiu que foi um dos nomes cotados para o cargo. Na noite desta segunda-feira, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente eleito, sugeriu que a sondagem não existiu: "Gostaria de saber de onde surgiu o convite para Maitê Proença ser uma possível Ministra do Meio Ambiente! Meu Deus!"

Além do anúncio do chefe da pasta ambiental, a expectativa é que sejam definidos nos próximos dias os ministros da Defesa e de Relações Exteriores.

O general Augusto Heleno, do Exército, antes anunciado para Defesa, foi transferido para comandar o Gabinete de Segurança Institucional. A equipe do presidente Michel Temer defende que o general Silva e Luna permaneça no cargo.

No Itamaraty, Bolsonaro deve optar por um diplomata de carreira. O objetivo é acalmar os ânimos no cenário internacional após o Egito retaliar planos do presidente eleito de mudar a embaixada israelense para Jerusalém.

Bolsonaro prometeu anunciar toda a equipe até dezembro. Das atuais 29 pastas, ele deve reduzir para 17. Foram confirmados nomes de cinco futuros ministros: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Tereza Cristina (Agricultura).

Faltam definir nomes para Saúde, Educação (que irá se unir a Cultura e Esporte), Minas e Energia, Integração Nacional (junto com Cidades e Turismo), Infraestrutura (que terá fusão com Transportes) e uma pasta para Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Na quarta-feira (14), o presidente eleito pode se reunir com governadores, incluindo João Doria (PSDB), eleito para comandar o estado de São Paulo. O encontro, contudo, não foi confirmado por sua assessoria de imprensa.

De acordo com Onyx Lorenzoni, Bolsonaro irá receber na quarta-feira parlamentares e representantes de embaixadores em Brasília. Ele afirmou que novos ministros devem ser anunciados a partir desta terça-feira.

A assessoria do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, por sua vez, disse que ele vai para Brasília nesta terça com Bolsonaro, mas não divulgou sua agenda.