OPINIÃO
13/11/2018 05:00 -02 | Atualizado 13/11/2018 08:35 -02

A nova cultura do trabalho

Nossos novos governantes precisam pensar sobre como economia criativa pode gerar onda de crescimento orgânico para o Brasil.

Divulgação/Facebook
As Geodésicas Caminhantes na entrada do Festival Path, um dos maiores festivais de inovação e criatividade do País.

O Brasil precisa mudar sua concepção de Cultura. Precisamos sair da perspectiva meramente estética e avançar para a compreensão de que a Cultura é olhar para o desenvolvimento do indivíduo e das comunidades de forma ampla, entendendo como são construídos valores, comportamentos, visões de mundo e como o homem modifica o ambiente, sua vida e conforma seu futuro por meio do trabalho.

Essa visão contemporânea de Cultura tem se materializado nas últimas décadas de forma imperativa. Vivemos uma crise no mercado formal de trabalho e enfrentamos o início de um movimento de ressignificação do emprego, capitaneado pelas novas oportunidades ligadas à economia criativa, economia de propósito e economia de impacto social.

Por isso é importante, e necessário, que os nossos novos governantes pensem sobre como esses setores podem gerar uma onda de crescimento orgânico para o Brasil. E como as políticas públicas podem interpretar essa visão e esse movimento a seu favor. Elas precisam criar alicerces para que a sociedade possa compreender melhor as mudanças e os impactos que essas iniciativas têm promovido e contribuir para que esses segmentos possam se desenvolver de maneira balizada.

Os números parecem aterradores, mas é só uma questão de modificar o olhar. De acordo com pesquisa do IBGE, o desemprego no País foi de 11,9% em setembro, com 12,5 milhões de pessoas desempregadas. A próxima gestão precisa enxergar esses números como potência em diferentes setores, e não como exclusão.

São quase 13 milhões de pessoas fora de ambientes formais de trabalho que podem ser absorvidos pelos setores de economia criativa e empreendedorismo social. É necessário, também, fomentar a requalificação dessas pessoas e toda a cadeia produtiva ao redor, que pode gerar serviços e profissionais especializados voltados para esses segmentos, com enorme potencial de desenvolvimento.

Em países como Inglaterra, França, Estados Unidos, Coreia e Israel, por exemplo, os governantes entenderam a relevância desses setores e criaram programas de fomento, cada um dentro de seu modelo, de uma maneira que hoje eles têm representatividade na identidade dessas nações.

O caminho é desafiador, mas os próximos governantes do Brasil precisam ter essa visão de se reposicionar para enfrentar e fortalecer sua identidade cultural e, por meio do trabalho, manter seu diálogo com o mercado de consumo.

Somos cada vez mais globais, mas com uma força transformadora local. Por isso, outro desafio é enxergar esse movimento do micro impacto para o macro impacto.

Microescalas vão ter papéis importantíssimos em movimentos regionais e desenvolvimento local. Essa ressignificação e valorização dos segmentos da economia criativa e do empreendedorismo social dentro do eixo cultural pode ajudar desde o indivíduo com sua transformação e visão de mundo, até chegar a um sentido coletivo que recria os valores de uma sociedade de perspectivas econômica, sociológica, antropológica, social e criativa.

Economia criativa e empreendedorismo social são mais do que uma moda. São novos paradigmas econômicos. A Cultura é direito universal e um instrumento imprescindível para a construção de um cidadão integral, plural e crítico. E o olhar voltado para as novas formas de trabalho é imprescindível para que as pessoas possam reinventar seu papel na sociedade do futuro.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.